Exercícios para o Capítulo 5

Medidas em Classes de Conjuntos

Exercício 5.1.

Seja 𝒞\mathcal{C} uma classe de conjuntos tal que ∅︀∈𝒞\emptyset\in\mathcal{C} e seja dada uma função μ:𝒞→[0,+∞]\mu:\mathcal{C}\to[0,+\infty] tal que, se (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} é uma seqüência de elementos dois a dois disjuntos de 𝒞\mathcal{C} tal que ⋃k=1∞Ak\bigcup_{k=1}^{\infty}A_{k} também está em 𝒞\mathcal{C}, então a igualdade (5.1.2) é satisfeita. Mostre que se μ⁢(∅︀)≠0\mu(\emptyset)\neq 0 então μ⁢(A)=+∞\mu(A)=+\infty, para todo A∈𝒞A\in\mathcal{C}.

Exercício 5.2.

Considere a classe de conjuntos:

𝒞={∅︀,{0},{1},{2},{0,1,2}}\mathcal{C}=\big{\{}\emptyset,\{0\},\{1\},\{2\},\{0,1,2\}\big{\}}

e defina μ:𝒞→[0,+∞]\mu:\mathcal{C}\to[0,+\infty] fazendo:

μ⁢(∅︀)=0,μ⁢({0})=μ⁢({1})=μ⁢({2})=1,μ⁢({0,1,2})=2.\mu(\emptyset)=0,\quad\mu\big{(}\{0\}\big{)}=\mu\big{(}\{1\}\big{)}=\mu\big{(}% \{2\}\big{)}=1,\quad\mu\big{(}\{0,1,2\}\big{)}=2.

Mostre que μ⁢(A∪B)=μ⁢(A)+μ⁢(B)\mu(A\cup B)=\mu(A)+\mu(B), para todos A,B∈𝒞A,B\in\mathcal{C} tais que A∩B=∅︀A\cap B=\emptyset e A∪B∈𝒞A\cup B\in\mathcal{C}. No entanto, observe que μ\mu não é uma medida finitamente aditiva em 𝒞\mathcal{C}.

Exercício 5.3.

Seja XX um conjunto e ℛ⊂℘⁢(X)\mathcal{R}\subset\wp(X) uma coleção de partes de XX. Mostre que ℛ\mathcal{R} é uma álgebra (resp., uma σ\sigma-álgebra) de partes de XX se e somente se ℛ\mathcal{R} é um anel (resp., um σ\sigma-anel) tal que X∈ℛX\in\mathcal{R}.

Exercício 5.4.

Seja XX um conjunto e 𝒮⊂℘⁢(X)\mathcal{S}\subset\wp(X) uma coleção de partes de XX. Dizemos que 𝒮\mathcal{S} é uma semi-álgebra de partes de XX se 𝒮\mathcal{S} é um semi-anel e se X∈𝒮X\in\mathcal{S}. Mostre que 𝒮⊂℘⁢(X)\mathcal{S}\subset\wp(X) é uma semi-álgebra de partes de XX se e somente se as seguintes condições são satisfeitas:

  • (a)
    ​

    A∩B∈𝒮A\cap B\in\mathcal{S}, para todos A,B∈𝒮A,B\in\mathcal{S};

  • (b)
    ​

    se A∈𝒮A\in\mathcal{S} então existem k≥1k\geq 1 e conjuntos C1,…,Ck∈𝒮C_{1},\ldots,C_{k}\in\mathcal{S}, dois a dois disjuntos, de modo que Ac=X∖A=⋃i=1kCiA^{\mathrm{c}}=X\setminus A=\bigcup_{i=1}^{k}C_{i};

  • (c)
    ​

    X∈𝒮X\in\mathcal{S}.

Se XX é um conjunto finito com mais de um elemento e se 𝒮⊂℘⁢(X)\mathcal{S}\subset\wp(X) é definido por:

𝒮={∅︀}∪{{x}:x∈X},\mathcal{S}=\{\emptyset\}\cup\big{\{}\{x\}:x\in X\big{\}},

mostre que 𝒮\mathcal{S} é uma classe não vazia de subconjuntos de XX satisfazendo as condições (a) e (b), mas que 𝒮\mathcal{S} não é uma semi-álgebra de partes de XX.

Exercício 5.5.

Sejam 𝒜\mathcal{A} um anel e AA, BB conjuntos. Mostre que se A∈𝒜A\in\mathcal{A} e A△B∈𝒜A\bigtriangleup B\in\mathcal{A} então também B∈𝒜B\in\mathcal{A}.

Exercício 5.6.

Seja XX um conjunto arbitrário.

  • (a)
    ​

    Se (𝒜i)i∈I(\mathcal{A}_{i})_{i\in I} é uma família não vazia de álgebras de partes de XX, mostre que 𝒜=⋂i∈I𝒜i\mathcal{A}=\bigcap_{i\in I}\mathcal{A}_{i} também é uma álgebra de partes de XX.

  • (b)
    ​

    Mostre que, fixada uma coleção 𝒞⊂℘⁢(X)\mathcal{C}\subset\wp(X) de partes de XX, existe no máximo uma álgebra 𝒜\mathcal{A} de partes de XX satisfazendo as propriedades (1) e (2) que aparecem na Definição 5.1.18.

  • (c)
    ​

    Dada uma coleção arbitrária 𝒞⊂℘⁢(X)\mathcal{C}\subset\wp(X) de partes de XX, mostre que a interseção de todas as álgebras de partes de XX que contém 𝒞\mathcal{C} é uma álgebra de partes de XX que satisfaz as propriedades (1) e (2) que aparecem na Definição 5.1.18 (note que sempre existe ao menos uma álgebra de partes de XX contendo 𝒞\mathcal{C}, a saber, ℘⁢(X)\wp(X)).

Exercício 5.7.
  • (a)
    ​

    Se (ℛi)i∈I(\mathcal{R}_{i})_{i\in I} é uma família não vazia de anéis (resp., de σ\sigma-anéis), mostre que ℛ=⋂i∈Iℛi\mathcal{R}=\bigcap_{i\in I}\mathcal{R}_{i} também é um anel (resp., σ\sigma-anel).

  • (b)
    ​

    Mostre que, fixada uma classe de conjuntos 𝒞\mathcal{C}, existe no máximo um anel (resp., σ\sigma-anel) ℛ\mathcal{R} satisfazendo as propriedades (1) e (2) que aparecem na Definição 5.1.19.

  • (c)
    ​

    Seja 𝒞\mathcal{C} uma classe de conjuntos arbitrária e seja XX um conjunto tal que 𝒞⊂℘⁢(X)\mathcal{C}\subset\wp(X) (por exemplo, tome X=⋃A∈𝒞AX=\bigcup_{A\in\mathcal{C}}A). Mostre que a interseção de todos os anéis (resp., σ\sigma-anéis) ℛ⊂℘⁢(X)\mathcal{R}\subset\wp(X) que contém 𝒞\mathcal{C} é um anel (resp., σ\sigma-anel) que satisfaz as propriedades (1) e (2) que aparecem na Definição 5.1.19 (note que sempre existe ao menos um anel (resp., σ\sigma-anel) ℛ⊂℘⁢(X)\mathcal{R}\subset\wp(X) contendo 𝒞\mathcal{C}, a saber, ℘⁢(X)\wp(X)).

Exercício 5.8.

Sejam XX um conjunto e 𝒞\mathcal{C} uma coleção de subconjuntos de XX. Mostre que o anel (resp., o σ\sigma-anel) gerado por 𝒞\mathcal{C} coincide com a álgebra (resp., a σ\sigma-álgebra) de partes de XX gerada por 𝒞\mathcal{C} se e somente se XX pertence ao anel (resp., ao σ\sigma-anel) gerado por 𝒞\mathcal{C} (esse é o caso, por exemplo, se X∈𝒞X\in\mathcal{C}).

Exercício 5.9.

Mostre que o σ\sigma-anel gerado pelo semi-anel 𝒮\mathcal{S} constituído pelos intervalos da forma ]a,b]\left]a,b\right], a,b∈ℝa,b\in\mathds{R} (veja (5.1.5)) coincide com a σ\sigma-álgebra de Borel de ℝ\mathds{R}.

Exercício 5.10.

Sejam:

𝒮1={∅︀,{1},{2,3},{1,2,3}},𝒮2={∅︀,{1},{2},{3},{1,2,3}}.\mathcal{S}_{1}=\big{\{}\emptyset,\{1\},\{2,3\},\{1,2,3\}\big{\}},\quad% \mathcal{S}_{2}=\big{\{}\emptyset,\{1\},\{2\},\{3\},\{1,2,3\}\big{\}}.
  • (a)
    ​

    Mostre que 𝒮1\mathcal{S}_{1} e 𝒮2\mathcal{S}_{2} são semi-anéis, mas 𝒮1∩𝒮2\mathcal{S}_{1}\cap\mathcal{S}_{2} não é um semi-anel.

  • (b)
    ​

    Seja 𝒞=𝒮1∩𝒮2\mathcal{C}=\mathcal{S}_{1}\cap\mathcal{S}_{2}. Mostre que não existe um semi-anel 𝒮\mathcal{S} contendo 𝒞\mathcal{C} tal que 𝒮⊂𝒮′\mathcal{S}\subset\mathcal{S}^{\prime} para todo semi-anel 𝒮′\mathcal{S}^{\prime} contendo 𝒞\mathcal{C}.

Exercício 5.11.

Dados conjuntos AA, BB e CC, mostre que:

A△C⊂(A△B)∪(B△C).A\bigtriangleup C\subset(A\bigtriangleup B)\cup(B\bigtriangleup C).
Exercício 5.12.

Seja μ:𝒮→[0,+∞]\mu:\mathcal{S}\to[0,+\infty] uma medida finitamente aditiva num semi-anel 𝒮\mathcal{S} e sejam A,B∈𝒮A,B\in\mathcal{S} com A△B∈𝒮A\bigtriangleup B\in\mathcal{S}. Se μ⁢(A)<+∞\mu(A)<+\infty ou μ⁢(B)<+∞\mu(B)<+\infty, mostre que:

|μ⁢(A)−μ⁢(B)|≤μ⁢(A△B).\big{|}\mu(A)-\mu(B)\big{|}\leq\mu(A\bigtriangleup B).

Conclua que se μ⁢(A△B)<+∞\mu(A\bigtriangleup B)<+\infty então μ⁢(A)\mu(A) é finito se e somente se μ⁢(B)\mu(B) é finito.

Definição 5.1.

Sejam II um conjunto e << uma relação binária em II. Dizemos que << é uma relação de ordem total no conjunto II se as seguintes condições são satisfeitas:

  • •
    ​

    (anti-reflexividade) para todo a∈Ia\in I, não é o caso que a<aa<a;

  • •
    ​

    (transitividade) para todos a,b,c∈Ia,b,c\in I, se a<ba<b e b<cb<c então a<ca<c;

  • •
    ​

    (tricotomia) dados a,b∈Ia,b\in I então a<ba<b, b<ab<a ou a=ba=b.

Diz-se então que o par (I,<)(I,{<}) é um conjunto totalmente ordenado. Para a,b∈Ia,b\in I, nós escrevemos a>ba>b quando b<ab<a, a≤ba\leq b quando a<ba<b ou a=ba=b e escrevemos a≥ba\geq b quando b≤ab\leq a. Definimos também:

[a,b]={x∈I:a≤x e x≤b},\displaystyle[a,b]=\big{\{}x\in I:\text{$a\leq x$ e $x\leq b$}\big{\}},
]a,b]={x∈I:a<x e x≤b},\displaystyle\left]a,b\right]=\big{\{}x\in I:\text{$a<x$ e $x\leq b$}\big{\}},
[a,b[={x∈I:a≤x e x<b},\displaystyle\left[a,b\right[=\big{\{}x\in I:\text{$a\leq x$ e $x<b$}\big{\}},
]a,b[={x∈I:a<x e x<b},\displaystyle\left]a,b\right[=\big{\{}x\in I:\text{$a<x$ e $x<b$}\big{\}},

para todos a,b∈Ia,b\in I.

Exercício 5.13.

Seja (I,<)(I,<) um conjunto totalmente ordenado não vazio.

  • (a)
    ​

    Mostre que a classe de conjuntos:

    𝒮={]a,b]:a,b∈I,a≤b}\mathcal{S}=\big{\{}\left]a,b\right]:a,b\in I,\ a\leq b\big{\}}

    é um semi-anel.

  • (b)
    ​

    Dados a,b∈Ia,b\in I com a≤ba\leq b, mostre que ]a,b]=∅︀\left]a,b\right]=\emptyset se e somente se a=ba=b.

  • (c)
    ​

    Dados a,b,a′,b′∈Ia,b,a^{\prime},b^{\prime}\in I com a<ba<b, a′<b′a^{\prime}<b^{\prime}, mostre que ]a,b]=]a′,b′]\left]a,b\right]=\left]a^{\prime},b^{\prime}\right] se e somente se a=a′a=a^{\prime} e b=b′b=b^{\prime}.

Definição 5.2.

Sejam (I,<)(I,<), (I′,<)(I^{\prime},<) conjuntos totalmente ordenados. Uma função F:I→I′F:I\to I^{\prime} é dita crescente (resp., decrescente) se F⁢(a)≤F⁢(b)F(a)\leq F(b) (resp., F⁢(a)≥F⁢(b)F(a)\geq F(b)) para todos a,b∈Ia,b\in I com a≤ba\leq b.

Exercício 5.14.

Seja (I,<)(I,<) um conjunto totalmente ordenado não vazio e seja 𝒮\mathcal{S} o semi-anel definido no enunciado do Exercício 5.13.

  • (a)
    ​

    Seja F:I→ℝF:I\to\mathds{R} uma função crescente e defina μF:𝒮→[0,+∞[\mu_{F}:\mathcal{S}\to\left[0,+\infty\right[ fazendo:

    μF⁢(]a,b])=F⁢(b)−F⁢(a),\mu_{F}\big{(}\left]a,b\right]\big{)}=F(b)-F(a),

    para todos a,b∈Ia,b\in I com a≤ba\leq b. Mostre que μF\mu_{F} é uma medida finitamente aditiva finita em 𝒮\mathcal{S}.

  • (b)
    ​

    Se μ:𝒮→[0,+∞[\mu:\mathcal{S}\to\left[0,+\infty\right[ é uma medida finitamente aditiva finita em 𝒮\mathcal{S}, mostre que existe uma função crescente F:I→ℝF:I\to\mathds{R} tal que μ=μF\mu=\mu_{F}.

  • (c)
    ​

    Dadas funções crescentes F:I→ℝF:I\to\mathds{R}, G:I→ℝG:I\to\mathds{R}, mostre que μF=μG\mu_{F}=\mu_{G} se e somente se a função F−GF-G é constante.

Exercício 5.15.

Seja:

𝒮={]a,b]∩ℚ:a,b∈ℚ,a≤b}\mathcal{S}=\big{\{}\left]a,b\right]\cap\mathds{Q}:a,b\in\mathds{Q},\ a\leq b% \big{\}}

e defina μ:𝒮→[0,+∞[\mu:\mathcal{S}\to\left[0,+\infty\right[ fazendo:

μ⁢(]a,b]∩ℚ)=b−a,\mu\big{(}\left]a,b\right]\cap\mathds{Q}\big{)}=b-a,

para todos a,b∈ℚa,b\in\mathds{Q} com a≤ba\leq b. Pelo resultado do Exercício 5.13, 𝒮\mathcal{S} é um semi-anel e pelo resultado do Exercício 5.14, μ\mu é uma medida finitamente aditiva finita em 𝒮\mathcal{S} (note que μ=μF\mu=\mu_{F}, onde F:ℚ→ℝF:\mathds{Q}\to\mathds{R} é a aplicação inclusão).

  • (a)
    ​

    Dados A∈𝒮A\in\mathcal{S} e ε>0\varepsilon>0, mostre que existe uma seqüência (An)n≥1(A_{n})_{n\geq 1} em 𝒮\mathcal{S} tal que A⊂⋃n=1∞AnA\subset\bigcup_{n=1}^{\infty}A_{n} e ∑n=1∞μ⁢(An)≤ε\sum_{n=1}^{\infty}\mu(A_{n})\leq\varepsilon.

  • (b)
    ​

    Conclua que μ\mu não é uma medida σ\sigma-aditiva.

Exercício 5.16.

Seja XX um espaço topológico Hausdorff e seja 𝒞\mathcal{C} uma classe arbitrária de subconjuntos compactos de XX. Mostre que 𝒞\mathcal{C} é uma classe compacta.

Classes Monotônicas e Classes σ{\sigma}-aditivas

Exercício 5.17.
  • (a)
    ​

    Se (ℰi)i∈I(\mathcal{E}_{i})_{i\in I} é uma família não vazia de classes monotônicas (resp., de classes σ\sigma-aditivas), mostre que ℰ=⋂i∈Iℰi\mathcal{E}=\bigcap_{i\in I}\mathcal{E}_{i} também é uma classe monotônica (resp., uma classe σ\sigma-aditiva).

  • (b)
    ​

    Mostre que, fixada uma classe de conjuntos 𝒞\mathcal{C}, existe no máximo uma classe monotônica (resp., classe σ\sigma-aditiva) ℰ\mathcal{E} satisfazendo as propriedades (1) e (2) que aparecem na Definição 5.2.3.

  • (c)
    ​

    Seja 𝒞\mathcal{C} uma classe de conjuntos arbitrária e seja XX um conjunto tal que 𝒞⊂℘⁢(X)\mathcal{C}\subset\wp(X) (por exemplo, tome X=⋃A∈𝒞AX=\bigcup_{A\in\mathcal{C}}A). Mostre que a interseção de todas as classes monotônicas (resp., classes σ\sigma-aditivas) ℰ⊂℘⁢(X)\mathcal{E}\subset\wp(X) que contém 𝒞\mathcal{C} é uma classe monotônica (resp., classe σ\sigma-aditiva) que satisfaz as propriedades (1) e (2) que aparecem na Definição 5.2.3 (note que sempre existe ao menos uma classe monotônica (resp., classe σ\sigma-aditiva) ℰ⊂℘⁢(X)\mathcal{E}\subset\wp(X) contendo 𝒞\mathcal{C}, a saber, ℘⁢(X)\wp(X)).

Exercício 5.18.

Sejam XX um conjunto e 𝒜\mathcal{A} um anel (resp., um σ\sigma-anel). Mostre que 𝒜|X\mathcal{A}|_{X} é também um anel (resp., um σ\sigma-anel).

Exercício 5.19.

Seja μ:𝒮→[0,+∞]\mu:\mathcal{S}\to[0,+\infty] uma medida σ\sigma-finita num semi-anel 𝒮\mathcal{S}. Mostre que para todo X∈𝒮X\in\mathcal{S}, a medida μ|𝒮|X\mu|_{\mathcal{S}|_{X}} também é σ\sigma-finita.

Exercício 5.20.

Seja 𝒞\mathcal{C} uma classe de conjuntos não vazia. Mostre que a coleção de conjuntos:

{A:existe uma seqüência (Ak)k≥1 em 𝒞 com A⊂⋃k=1∞Ak}\Big{\{}A:\text{existe uma seqüência $(A_{k})_{k\geq 1}$ em $\mathcal{C}$ com % $A\subset\bigcup_{k=1}^{\infty}A_{k}$}\Big{\}}

é um σ\sigma-anel que contém 𝒞\mathcal{C}. Conclua que todo elemento do σ\sigma-anel gerado por 𝒞\mathcal{C} está contido numa união enumerável de elementos de 𝒞\mathcal{C}.

Exercício 5.21.

Sejam XX um conjunto e 𝒞\mathcal{C} uma coleção de subconjuntos de XX. Mostre que XX pertence ao σ\sigma-anel gerado por 𝒞\mathcal{C} se e somente se XX é igual a uma união enumerável de elementos de 𝒞\mathcal{C}.

Medidas Exteriores e o Teorema da Extensão

Exercício 5.22.

Seja:

𝒞={∅︀}∪{{0,1,…,n}:n∈ℕ}\mathcal{C}=\{\emptyset\}\cup\big{\{}\{0,1,\ldots,n\}:n\in\mathds{N}\big{\}}

e considere a medida μ:𝒞→[0,+∞]\mu:\mathcal{C}\to[0,+\infty] definida por:

μ⁢(∅︀)=0,μ⁢({0,1,…,n})=12n,\mu(\emptyset)=0,\quad\mu\big{(}\{0,1,\ldots,n\}\big{)}=\frac{1}{2^{n}},

para todo n∈ℕn\in\mathds{N} (veja Exemplo 5.1.4). Se μ∗:℘⁢(ℕ)→[0,+∞]\mu^{*}:\wp(\mathds{N})\to[0,+\infty] é a medida exterior determinada por μ\mu, mostre que μ∗⁢(A)=0\mu^{*}(A)=0, para todo A⊂ℕA\subset\mathds{N}. Conclua que a desigualdade estrita ocorre em (5.3.13), para todo A∈𝒞A\in\mathcal{C} não vazio.

Exercício 5.23.

Sejam 𝒞\mathcal{C}, 𝒟\mathcal{D} classes de conjuntos com ∅︀∈𝒞\emptyset\in\mathcal{C}, ∅︀∈𝒟\emptyset\in\mathcal{D} e sejam μ:𝒞→[0,+∞]\mu:\mathcal{C}\to[0,+\infty], ν:𝒟→[0,+∞]\nu:\mathcal{D}\to[0,+\infty] funções tais que μ⁢(∅︀)=0\mu(\emptyset)=0 e ν⁢(∅︀)=0\nu(\emptyset)=0. Suponha que 𝒞\mathcal{C} e 𝒟\mathcal{D} geram o mesmo σ\sigma-anel hereditário ℋ\mathcal{H}. Sejam μ∗:ℋ→[0,+∞]\mu^{*}:\mathcal{H}\to[0,+\infty] e ν∗:ℋ→[0,+∞]\nu^{*}:\mathcal{H}\to[0,+\infty] as medidas exteriores determinadas respectivamente pelas funções μ\mu e ν\nu. Mostre que as seguintes condições são equivalentes:

  • (a)
    ​

    μ∗=ν∗\mu^{*}=\nu^{*};

  • (b)
    ​

    para todo A∈𝒟A\in\mathcal{D}, temos μ∗⁢(A)≤ν⁢(A)\mu^{*}(A)\leq\nu(A) e para todo A∈𝒞A\in\mathcal{C}, temos ν∗⁢(A)≤μ⁢(A)\nu^{*}(A)\leq\mu(A).

Exercício 5.24.

Sejam 𝒮\mathcal{S} e μ\mu definidos como no Exemplo 5.3.17. Mostre que a medida exterior μ∗:℘⁢(ℝ)→[0,+∞]\mu^{*}:\wp(\mathds{R})\to[0,+\infty] determinada por μ\mu coincide com a medida exterior de Lebesgue.

Definição 5.3.

Seja μ∗:ℋ→[0,+∞]\mu^{*}:\mathcal{H}\to[0,+\infty] uma medida exterior num σ\sigma-anel hereditário ℋ\mathcal{H}. Dado A∈ℋA\in\mathcal{H} então um envelope mensurável para AA é um conjunto μ∗\mu^{*}-mensurável EE tal que A⊂EA\subset E e tal que μ∗⁢(E)=μ∗⁢(A)\mu^{*}(E)=\mu^{*}(A). Dizemos que a medida exterior μ∗\mu^{*} possui a propriedade do envelope mensurável se todo A∈ℋA\in\mathcal{H} admite um envelope mensurável.

Exercício 5.25.

Seja 𝒞\mathcal{C} a classe de conjuntos definida no Exemplo 5.1.4 e seja μ:𝒞→[0,+∞]\mu:\mathcal{C}\to[0,+\infty] a medida definida por:

μ⁢(∅︀)=0,μ⁢(ℕ)=2,μ⁢({0,1,…,n})=1,\mu(\emptyset)=0,\quad\mu(\mathds{N})=2,\quad\mu\big{(}\{0,1,\ldots,n\}\big{)}% =1,

para todo n∈ℕn\in\mathds{N}. Seja μ∗:℘⁢(ℕ)→[0,+∞]\mu^{*}:\wp(\mathds{N})\to[0,+\infty] a medida exterior determinada por μ\mu. Mostre que:

  • (a)
    ​

    μ∗⁢(A)=1\mu^{*}(A)=1, se A⊂ℕA\subset\mathds{N} é finito não vazio e μ∗⁢(A)=2\mu^{*}(A)=2, se A⊂ℕA\subset\mathds{N} é infinito;

  • (b)
    ​

    os únicos conjuntos μ∗\mu^{*}-mensuráveis são o vazio e ℕ\mathds{N};

  • (c)
    ​

    μ∗\mu^{*} não possui a propriedade do envelope mensurável.

Exercício 5.26.

Seja μ∗:ℋ→[0,+∞]\mu^{*}:\mathcal{H}\to[0,+\infty] uma medida exterior num σ\sigma-anel hereditário ℋ\mathcal{H}. Mostre que as seguintes condições são equivalentes:

  • (a)
    ​

    existe um semi-anel 𝒮\mathcal{S} e uma medida μ:𝒮→[0,+∞]\mu:\mathcal{S}\to[0,+\infty] tal que ℋ\mathcal{H} é o σ\sigma-anel hereditário gerado por 𝒮\mathcal{S} e μ∗\mu^{*} é a medida exterior determinada por μ\mu;

  • (b)
    ​

    μ∗\mu^{*} possui a propriedade do envelope mensurável;

  • (c)
    ​

    ℋ\mathcal{H} é o σ\sigma-anel hereditário gerado por 𝔐\mathfrak{M} e μ∗\mu^{*} é a medida exterior determinada pela medida μ∗|𝔐\mu^{*}|_{\mathfrak{M}}, onde 𝔐\mathfrak{M} denota o σ\sigma-anel de conjuntos μ∗\mu^{*}-mensuráveis.

Exercício 5.27.

Seja μ∗:ℋ→[0,+∞]\mu^{*}:\mathcal{H}\to[0,+\infty] uma medida exterior num σ\sigma-anel hereditário ℋ\mathcal{H}; suponha que μ∗\mu^{*} possui a propriedade do envelope mensurável. Se (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} é uma seqüência em ℋ\mathcal{H} com Ak↗AA_{k}\nearrow A, mostre que μ∗⁢(A)=limk→∞μ∗⁢(Ak)\mu^{*}(A)=\lim_{k\to\infty}\mu^{*}(A_{k}).

Definição 5.4.

Seja μ∗:ℋ→[0,+∞]\mu^{*}:\mathcal{H}\to[0,+\infty] uma medida exterior num σ\sigma-anel hereditário ℋ\mathcal{H}. A medida interior determinada por μ∗\mu^{*} é a aplicação μ∗:ℋ→[0,+∞]\mu_{*}:\mathcal{H}\to[0,+\infty] definida por:

μ∗⁢(A)=sup{μ∗⁢(E):E⊂A e E é μ∗-mensurável}∈[0,+∞],\mu_{*}(A)=\sup\big{\{}\mu^{*}(E):\text{$E\subset A$ e $E$ é $\mu^{*}$-mensurá% vel}\big{\}}\in[0,+\infty],

para todo A∈ℋA\in\mathcal{H}.

Exercício 5.28.

Seja μ∗:ℋ→[0,+∞]\mu^{*}:\mathcal{H}\to[0,+\infty] uma medida exterior num σ\sigma-anel hereditário ℋ\mathcal{H} e seja μ∗:ℋ→[0,+∞]\mu_{*}:\mathcal{H}\to[0,+\infty] a medida interior determinada por μ∗\mu_{*}. Mostre que:

  • (a)
    ​

    para todo A∈ℋA\in\mathcal{H} temos μ∗⁢(A)≤μ∗⁢(A)\mu_{*}(A)\leq\mu^{*}(A);

  • (b)
    ​

    para todo A∈ℋA\in\mathcal{H} existe um conjunto μ∗\mu^{*}-mensurável EE contido em AA tal que μ∗⁢(E)=μ∗⁢(A)\mu^{*}(E)=\mu_{*}(A);

  • (c)
    ​

    μ∗⁢(A)=μ∗⁢(A)\mu_{*}(A)=\mu^{*}(A), para todo conjunto μ∗\mu_{*}-mensurável AA;

  • (d)
    ​

    dados A,B∈ℋA,B\in\mathcal{H} com A⊂BA\subset B então μ∗⁢(A)≤μ∗⁢(B)\mu_{*}(A)\leq\mu_{*}(B);

  • (e)
    ​

    dada uma seqüência (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} de elementos dois a dois disjuntos de ℋ\mathcal{H} então:

    μ∗⁢(⋃k=1∞Ak)≥∑k=1∞μ∗⁢(Ak);\mu_{*}\Big{(}\bigcup_{k=1}^{\infty}A_{k}\Big{)}\geq\sum_{k=1}^{\infty}\mu_{*}% (A_{k});
  • (f)
    ​

    se μ∗\mu^{*} possui a propriedade do envelope mensurável e se A∈ℋA\in\mathcal{H} é tal que μ∗⁢(A)=μ∗⁢(A)<+∞\mu_{*}(A)=\mu^{*}(A)<+\infty então AA é μ∗\mu^{*}-mensurável.

Completamento de Medidas

Exercício 5.29.

Sejam μ:𝒜→[0,+∞]\mu:\mathcal{A}\to[0,+\infty] uma medida num σ\sigma-anel 𝒜\mathcal{A}, μ¯:𝒜¯→[0,+∞]\bar{\mu}:\overline{\mathcal{A}}\to[0,+\infty] o completamento de μ\mu e μ′:𝒜′→[0,+∞]\mu^{\prime}:\mathcal{A}^{\prime}\to[0,+\infty] uma medida tal que 𝒜⊂𝒜′⊂𝒜¯\mathcal{A}\subset\mathcal{A}^{\prime}\subset\overline{\mathcal{A}} e μ′|𝒜=μ\mu^{\prime}|_{\mathcal{A}}=\mu. Mostre que:

  • •
    ​

    μ¯\bar{\mu} é uma extensão de μ′\mu^{\prime};

  • •
    ​

    μ¯\bar{\mu} é o completamento de μ′\mu^{\prime}.

Exercício 5.30.

Seja μ:𝒜→[0,+∞]\mu:\mathcal{A}\to[0,+\infty] uma medida num σ\sigma-anel 𝒜\mathcal{A} e seja μ¯:𝒜¯→[0,+∞]\bar{\mu}:\overline{\mathcal{A}}\to[0,+\infty] o completamento de μ\mu. Mostre que μ\mu é σ\sigma-finita se e somente se μ¯\bar{\mu} é σ\sigma-finita.

Exercício 5.31.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e (X′,𝒜′)(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime}) um espaço mensurável. Suponha que μ\mu é completa. Seja YY um subconjunto mensurável de XX com μ⁢(X∖Y)=0\mu(X\setminus Y)=0 e seja f:X→X′f:X\to X^{\prime} uma função. Mostre que ff é mensurável se e somente se f|Yf|_{Y} é mensurável.

Exercício 5.32.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e (X′,𝒜′)(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime}) um espaço mensurável. Suponha que μ\mu é completa. Dadas funções f:X→X′f:X\to X^{\prime}, g:X→X′g:X\to X^{\prime} tais que f⁢(x)=g⁢(x)f(x)=g(x) para quase todo x∈Xx\in X, mostre que ff é mensurável se e somente se gg é mensurável.

Exercício 5.33.

Seja (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida, com μ\mu completa e seja f:X→ℝ¯f:X\to\overline{\mathds{R}} uma função. Se (fk)k≥1(f_{k})_{k\geq 1} é uma seqüência de funções mensuráveis fk:X→ℝ¯f_{k}:X\to\overline{\mathds{R}} e se fk→ff_{k}\to f q. s., mostre que ff também é mensurável.

Definição 5.5.

Uma σ\sigma-álgebra 𝒜\mathcal{A} de partes de um conjunto XX é dita separável se existe um subconjunto enumerável 𝒞\mathcal{C} de 𝒜\mathcal{A} tal que 𝒜\mathcal{A} é a σ\sigma-álgebra de partes de XX gerada por 𝒞\mathcal{C}.

Exercício 5.34.

Seja 𝒜\mathcal{A} uma σ\sigma-álgebra separável de partes de um conjunto XX e seja YY um subconjunto de XX. Mostre que a σ\sigma-álgebra 𝒜|Y\mathcal{A}|_{Y} também é separável.

Exercício 5.35.

Seja XX um conjunto. Um subconjunto AA de XX é dito coenumerável se o complementar de AA em XX é enumerável. Seja 𝒜⊂℘⁢(X)\mathcal{A}\subset\wp(X) a coleção constituída pelos subconjuntos enumeráveis de XX e pelos subconjuntos coenumeráveis de XX.

  • (a)
    ​

    Mostre que 𝒜\mathcal{A} é uma σ\sigma-álgebra de partes de XX.

  • (b)
    ​

    Se XX é não enumerável, mostre que 𝒜\mathcal{A} não é separável.

  • (c)
    ​

    Dê exemplo de um conjunto XX e de σ\sigma-álgebras 𝒜\mathcal{A}, ℬ\mathcal{B} de partes de XX com 𝒜⊂ℬ\mathcal{A}\subset\mathcal{B}, de modo que ℬ\mathcal{B} seja separável mas 𝒜\mathcal{A} não seja.

Exercício 5.36.

Mostre que a σ\sigma-álgebra de Borel de ℝn\mathds{R}^{n} e a σ\sigma-álgebra de Borel da reta estendida são ambas separáveis.

Exercício 5.37.

Seja (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e seja (X′,𝒜′)(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime}) um espaço mensurável; denote por μ¯:𝒜¯→[0,+∞]\bar{\mu}:\overline{\mathcal{A}}\to[0,+\infty] o completamento da medida μ\mu. Suponha que a σ\sigma-álgebra 𝒜′\mathcal{A}^{\prime} é separável. Dada uma função mensurável f:(X,𝒜¯)→(X′,𝒜′)f:(X,\overline{\mathcal{A}})\to(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime}), mostre que:

  • (a)
    ​

    existe um conjunto mensurável Y∈𝒜Y\in\mathcal{A} tal que μ⁢(X∖Y)=0\mu(X\setminus Y)=0 e tal que a função f|Y:(Y,𝒜|Y)→(X′,𝒜′)f|_{Y}:(Y,\mathcal{A}|_{Y})\to(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime}) é mensurável;

  • (b)
    ​

    existe uma função mensurável g:(X,𝒜)→(X′,𝒜′)g:(X,\mathcal{A})\to(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime}) que é igual a ff quase sempre, i.e., existe Y∈𝒜Y\in\mathcal{A} tal que f|Y=g|Yf|_{Y}=g|_{Y} e tal que μ⁢(X∖Y)=0\mu(X\setminus Y)=0.