4.5. Apêndice à Seção 4.4: funções convexas

4.5.1 Definição.

Seja I⊂ℝI\subset\mathds{R} um intervalo. Uma função f:I→ℝf:I\to\mathds{R} é dita convexa quando para todos x,y∈Ix,y\in I e todo t∈[0,1]t\in[0,1] vale a desigualdade:

f⁢((1−t)⁢x+t⁢y)≤(1−t)⁢f⁢(x)+t⁢f⁢(y).f\big{(}(1-t)x+ty\big{)}\leq(1-t)f(x)+tf(y). (4.5.1)

Dizemos que ff é estritamente convexa quando para todos x,y∈Ix,y\in I com x≠yx\neq y e todo t∈]0,1[t\in\left]0,1\right[ vale a desigualdade estrita:

f⁢((1−t)⁢x+t⁢y)<(1−t)⁢f⁢(x)+t⁢f⁢(y).f\big{(}(1-t)x+ty\big{)}<(1-t)f(x)+tf(y). (4.5.2)

Claramente a igualdade vale em (4.5.1) quando x=yx=y ou t∈{0,1}t\in\{0,1\}; além do mais, as desigualdades (4.5.1) e (4.5.2) não se alteram quando trocamos xx por yy e tt por 1−t1-t. Vemos então que ff é convexa (resp., estritamente convexa) se e somente se a desigualdade (4.5.1) (resp., a desigualdade estrita (4.5.2)) vale para todos x,y∈Ix,y\in I com x<yx<y e para todo t∈]0,1[t\in\left]0,1\right[. Evidentemente toda função estritamente convexa é convexa.

Geometricamente, a desigualdade (4.5.1) diz que o trecho do gráfico de ff entre os pontos (x,f⁢(x))\big{(}x,f(x)\big{)} e (y,f⁢(y))\big{(}y,f(y)\big{)} está abaixo da correspondente reta secante. Vamos explorar algumas conseqüências da definição de convexidade. Dados x,y∈Ix,y\in I com x≠yx\neq y, vamos denotar por 𝔠⁢(f;x,y)\mathfrak{c}(f;x,y) o coeficiente angular da reta que passa pelos pontos (x,f⁢(x))\big{(}x,f(x)\big{)} e (y,f⁢(y))\big{(}y,f(y)\big{)}; mais explicitamente:

𝔠⁢(f;x,y)=f⁢(y)−f⁢(x)y−x=𝔠⁢(f;y,x).\mathfrak{c}(f;x,y)=\frac{f(y)-f(x)}{y-x}=\mathfrak{c}(f;y,x).

Se x,y∈ℝx,y\in\mathds{R} e x<yx<y, temos uma bijeção estritamente crescente:

[0,1]∋t⟼w=(1−t)⁢x+t⁢y=x+t⁢(y−x)∈[x,y],[0,1]\ni t\longmapsto w=(1-t)x+ty=x+t(y-x)\in[x,y], (4.5.3)

cuja inversa é dada por:

[x,y]∋w⟼t=w−xy−x∈[0,1].[x,y]\ni w\longmapsto t=\frac{w-x}{y-x}\in[0,1].

Se x,y∈Ix,y\in I, x<yx<y e t∈[0,1]t\in[0,1], w∈[x,y]w\in[x,y] estão relacionados por (4.5.3) então:

f⁢((1−t)⁢x+t⁢y)≤(1−t)⁢f⁢(x)+t⁢f⁢(y)⟺f⁢(w)≤y−wy−x⁢f⁢(x)+w−xy−x⁢f⁢(y).f\big{(}(1-t)x+ty\big{)}\leq(1-t)f(x)+tf(y)\Longleftrightarrow f(w)\leq\frac{y% -w}{y-x}f(x)+\frac{w-x}{y-x}f(y).

Note também que:

y−wy−x⁢f⁢(x)+w−xy−x⁢f⁢(y)=f⁢(x)+𝔠⁢(f;x,y)⁢(w−x)=f⁢(y)+𝔠⁢(f;x,y)⁢(w−y),\frac{y-w}{y-x}f(x)+\frac{w-x}{y-x}f(y)=f(x)+\mathfrak{c}(f;x,y)(w-x)\\ =f(y)+\mathfrak{c}(f;x,y)(w-y), (4.5.4)

para todo w∈ℝw\in\mathds{R}. Vemos então que:

f⁢((1−t)⁢x+t⁢y)≤(1−t)⁢f⁢(x)+t⁢f⁢(y)\displaystyle f\big{(}(1-t)x+ty\big{)}\leq(1-t)f(x)+tf(y) ⟺𝔠⁢(f;x,w)≤𝔠⁢(f;x,y)\displaystyle\Longleftrightarrow\mathfrak{c}(f;x,w)\leq\mathfrak{c}(f;x,y) (4.5.5)
⟺𝔠⁢(f;x,y)≤𝔠⁢(f;w,y),\displaystyle\Longleftrightarrow\mathfrak{c}(f;x,y)\leq\mathfrak{c}(f;w,y),

e:

f⁢((1−t)⁢x+t⁢y)=(1−t)⁢f⁢(x)+t⁢f⁢(y)\displaystyle f\big{(}(1-t)x+ty\big{)}=(1-t)f(x)+tf(y) ⟺𝔠⁢(f;x,w)=𝔠⁢(f;x,y)\displaystyle\Longleftrightarrow\mathfrak{c}(f;x,w)=\mathfrak{c}(f;x,y) (4.5.6)
⟺𝔠⁢(f;x,y)=𝔠⁢(f;w,y),\displaystyle\Longleftrightarrow\mathfrak{c}(f;x,y)=\mathfrak{c}(f;w,y),

onde x,y∈Ix,y\in I, x<yx<y, e t∈]0,1[t\in\left]0,1\right[, w∈]x,y[w\in\left]x,y\right[ estão relacionados por (4.5.3). Observamos também que se x,y,w∈Ix,y,w\in I, x<w<yx<w<y então existe θ∈]0,1[\theta\in\left]0,1\right[ tal que:

𝔠⁢(f;x,y)=(1−θ)⁢𝔠⁢(f;x,w)+θ⁢𝔠⁢(f;w,y);\mathfrak{c}(f;x,y)=(1-\theta)\mathfrak{c}(f;x,w)+\theta\mathfrak{c}(f;w,y); (4.5.7)

de fato, basta tomar θ=y−wy−x\theta=\frac{y-w}{y-x}. Segue de (4.5.7) que 𝔠⁢(f;x,y)\mathfrak{c}(f;x,y) pertence ao intervalo fechado de extremidades 𝔠⁢(f;x,w)\mathfrak{c}(f;x,w) e 𝔠⁢(f;w,y)\mathfrak{c}(f;w,y); levando em conta (4.5.5) e (4.5.6) vemos então também que:

𝔠⁢(f;x,w)≤𝔠⁢(f;x,y)\displaystyle\mathfrak{c}(f;x,w)\leq\mathfrak{c}(f;x,y) ⟺𝔠⁢(f;x,y)≤𝔠⁢(f;w,y)\displaystyle\Longleftrightarrow\mathfrak{c}(f;x,y)\leq\mathfrak{c}(f;w,y) (4.5.8)
⟺𝔠⁢(f;x,w)≤𝔠⁢(f;w,y),\displaystyle\Longleftrightarrow\mathfrak{c}(f;x,w)\leq\mathfrak{c}(f;w,y),

e:

𝔠⁢(f;x,w)=𝔠⁢(f;x,y)\displaystyle\mathfrak{c}(f;x,w)=\mathfrak{c}(f;x,y) ⟺𝔠⁢(f;x,y)=𝔠⁢(f;w,y)\displaystyle\Longleftrightarrow\mathfrak{c}(f;x,y)=\mathfrak{c}(f;w,y) (4.5.9)
⟺𝔠⁢(f;x,w)=𝔠⁢(f;w,y).\displaystyle\Longleftrightarrow\mathfrak{c}(f;x,w)=\mathfrak{c}(f;w,y).

Temos então o seguinte:

4.5.2 Lema.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função definida num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. As seguintes condições são equivalentes:

  • •
    ​

    ff é convexa;

  • •
    ​

    𝔠⁢(f;x,w)≤𝔠⁢(f;x,y)\mathfrak{c}(f;x,w)\leq\mathfrak{c}(f;x,y), para todos x,y,w∈Ix,y,w\in I com x<w<yx<w<y;

  • •
    ​

    𝔠⁢(f;x,y)≤𝔠⁢(f;w,y)\mathfrak{c}(f;x,y)\leq\mathfrak{c}(f;w,y), para todos x,y,w∈Ix,y,w\in I com x<w<yx<w<y;

  • •
    ​

    𝔠⁢(f;x,w)≤𝔠⁢(f;w,y)\mathfrak{c}(f;x,w)\leq\mathfrak{c}(f;w,y), para todos x,y,w∈Ix,y,w\in I com x<w<yx<w<y.

Similarmente, são equivalentes as condições:

  • •
    ​

    ff é estritamente convexa;

  • •
    ​

    𝔠⁢(f;x,w)<𝔠⁢(f;x,y)\mathfrak{c}(f;x,w)<\mathfrak{c}(f;x,y), para todos x,y,w∈Ix,y,w\in I com x<w<yx<w<y;

  • •
    ​

    𝔠⁢(f;x,y)<𝔠⁢(f;w,y)\mathfrak{c}(f;x,y)<\mathfrak{c}(f;w,y), para todos x,y,w∈Ix,y,w\in I com x<w<yx<w<y;

  • •
    ​

    𝔠⁢(f;x,w)<𝔠⁢(f;w,y)\mathfrak{c}(f;x,w)<\mathfrak{c}(f;w,y), para todos x,y,w∈Ix,y,w\in I com x<w<yx<w<y.

Demonstração.

Segue de (4.5.5), (4.5.6), (4.5.8) e (4.5.9). ∎

Uma função convexa só deixa de ser estritamente convexa se for afim em algum trecho de seu domínio. Esse é o conteúdo do seguinte:

4.5.3 Corolário.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função convexa num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. Dados x,y∈Ix,y\in I com x<yx<y então são equivalentes:

existe t∈]0,1[t\in\left]0,1\right[ tal que f⁢((1−t)⁢x+t⁢y)=(1−t)⁢f⁢(x)+t⁢f⁢(y)f\big{(}(1-t)x+ty\big{)}=(1-t)f(x)+tf(y);

ff é afim no intervalo [x,y][x,y], i.e., existem a,b∈ℝa,b\in\mathds{R} com f⁢(w)=a⁢w+bf(w)=aw+b, para todo w∈[x,y]w\in[x,y];

f⁢((1−t)⁢x+t⁢y)=(1−t)⁢f⁢(x)+t⁢f⁢(y)f\big{(}(1-t)x+ty\big{)}=(1-t)f(x)+tf(y), para todo t∈[0,1]t\in[0,1].

Demonstração.
  • ∙\bullet
    ​

    (a)⇒\Rightarrow(b).

    Seja t0∈]0,1[t_{0}\in\left]0,1\right[ com f⁢((1−t0)⁢x+t0⁢y)=(1−t0)⁢f⁢(x)+t0⁢f⁢(y)f\big{(}(1-t_{0})x+t_{0}y\big{)}=(1-t_{0})f(x)+t_{0}f(y) e seja w0∈]x,y[w_{0}\in\left]x,y\right[ relacionado com t0t_{0} pela bijeção (4.5.3). Por (4.5.6), temos:

    𝔠⁢(f;x,w0)=𝔠⁢(f;x,y),𝔠⁢(f;w0,y)=𝔠⁢(f;x,y).\mathfrak{c}(f;x,w_{0})=\mathfrak{c}(f;x,y),\quad\mathfrak{c}(f;w_{0},y)=% \mathfrak{c}(f;x,y). (4.5.10)

    O Lema 4.5.2 nos diz que as funções:

    I∩]x,+∞[∋w⟼𝔠⁢(f;x,w),I∩]−∞,y[∋w⟼𝔠⁢(f;w,y),I\cap\left]x,+\infty\right[\ni w\longmapsto\mathfrak{c}(f;x,w),\quad I\cap% \left]-\infty,y\right[\ni w\longmapsto\mathfrak{c}(f;w,y),

    são crescentes e portanto (4.5.10) implica que 𝔠⁢(f;x,w)=𝔠⁢(f;x,y)\mathfrak{c}(f;x,w)=\mathfrak{c}(f;x,y), para todo w∈[w0,y]w\in[w_{0},y] e que 𝔠⁢(f;w,y)=𝔠⁢(f;x,y)\mathfrak{c}(f;w,y)=\mathfrak{c}(f;x,y), para todo w∈[x,w0]w\in[x,w_{0}]. Daí:

    f⁢(w)=𝔠⁢(f;x,y)⁢(w−x)+f⁢(x),f(w)=\mathfrak{c}(f;x,y)(w-x)+f(x),

    para todo w∈[w0,y]w\in[w_{0},y] e:

    f⁢(w)=𝔠⁢(f;x,y)⁢(w−y)+f⁢(y)=(⁢4.5.4⁢)𝔠⁢(f;x,y)⁢(w−x)+f⁢(x),f(w)=\mathfrak{c}(f;x,y)(w-y)+f(y)\stackrel{{\scriptstyle\eqref{eq:% igualdadesfaceis}}}{{=}}\mathfrak{c}(f;x,y)(w-x)+f(x),

    para todo w∈[x,w0]w\in[x,w_{0}].

  • ∙\bullet
    ​

    (b)⇒\Rightarrow(c).

    Temos:

    (1−t)⁢f⁢(x)+t⁢f⁢(y)=(1−t)⁢(a⁢x+b)+t⁢(a⁢y+b)=a⁢((1−t)⁢x+t⁢y)+b=f⁢((1−t)⁢x+t⁢y).(1-t)f(x)+tf(y)=(1-t)(ax+b)+t(ay+b)=a\big{(}(1-t)x+ty\big{)}+b\\ =f\big{(}(1-t)x+ty\big{)}.
  • ∙\bullet
    ​

    (c)⇒\Rightarrow(a).

    Trivial.∎

4.5.4 Corolário.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função convexa num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. Então ff não é estritamente convexa se e somente se existem x,y∈Ix,y\in I e a,b∈ℝa,b\in\mathds{R} com x<yx<y e f⁢(w)=a⁢w+bf(w)=aw+b, para todo w∈[x,y]w\in[x,y].∎

Dada uma função f:I→ℝf:I\to\mathds{R} definida num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R} e x∈Ix\in I um ponto que não é a extremidade direita de II, denotamos por d+⁢f⁢(x)\mathrm{d}^{+}f(x) a derivada à direita de ff no ponto xx, definida por:

d+⁢f⁢(x)=limh→0+f⁢(x+h)−f⁢(x)h=limy→x+𝔠⁢(f;x,y)∈ℝ¯,\mathrm{d}^{+}f(x)=\lim_{h\to 0^{+}}\frac{f(x+h)-f(x)}{h}=\lim_{y\to x^{+}}% \mathfrak{c}(f;x,y)\in\overline{\mathds{R}},

desde que esse limite exista em ℝ¯\overline{\mathds{R}}. Similarmente, se x∈Ix\in I não é a extremidade esquerda de II, denotamos por d−⁢f⁢(x)\mathrm{d}^{-}f(x) a derivada à esquerda de ff no ponto xx, definida por:

d−⁢f⁢(x)=limh→0−f⁢(x+h)−f⁢(x)h=limy→x−𝔠⁢(f;x,y)∈ℝ¯,\mathrm{d}^{-}f(x)=\lim_{h\to 0^{-}}\frac{f(x+h)-f(x)}{h}=\lim_{y\to x^{-}}% \mathfrak{c}(f;x,y)\in\overline{\mathds{R}},

desde que esse limite exista em ℝ¯\overline{\mathds{R}}.

4.5.5 Lema.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função convexa num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. Se x∈Ix\in I não é a extremidade direita então a derivada à direita d+⁢f⁢(x)\mathrm{d}^{+}f(x) existe em ℝ¯\overline{\mathds{R}} e vale a desigualdade:

d+⁢f⁢(x)≤𝔠⁢(f;x,v)<+∞,\mathrm{d}^{+}f(x)\leq\mathfrak{c}(f;x,v)<+\infty, (4.5.11)

para todo v∈Iv\in I com v>xv>x. Similarmente, se x∈Ix\in I não é a extremidade esquerda então a derivada à esquerda d−⁢f⁢(x)\mathrm{d}^{-}f(x) existe em ℝ¯\overline{\mathds{R}} e vale a desigualdade:

−∞<𝔠⁢(f;u,x)≤d−⁢f⁢(x),-\infty<\mathfrak{c}(f;u,x)\leq\mathrm{d}^{-}f(x), (4.5.12)

para todo u∈Iu\in I com u<xu<x. Quando x∈Ix\in I é um ponto interior então existem e são finitas ambas as derivadas laterais d+⁢f⁢(x)\mathrm{d}^{+}f(x), d−⁢f⁢(x)\mathrm{d}^{-}f(x) e vale a desigualdade:

d−⁢f⁢(x)≤d+⁢f⁢(x).\mathrm{d}^{-}f(x)\leq\mathrm{d}^{+}f(x). (4.5.13)

Se ff é estritamente convexa então as desigualdades em (4.5.11) e (4.5.12) são estritas.

Demonstração.

Suponha que x∈Ix\in I não é a extremidade direita. O Lema 4.5.2 nos diz que a função:

I∩]x,+∞[∋v⟼𝔠⁢(f;x,v)I\cap\left]x,+\infty\right[\ni v\longmapsto\mathfrak{c}(f;x,v) (4.5.14)

é crescente; segue então que o limite limv→x+𝔠⁢(f;x,v)\lim_{v\to x^{+}}\mathfrak{c}(f;x,v) existe em ℝ¯\overline{\mathds{R}} e:

d+⁢f⁢(x)=limv→x+𝔠⁢(f;x,v)=infv>xv∈I𝔠⁢(f;x,v),\mathrm{d}^{+}f(x)=\lim_{v\to x^{+}}\mathfrak{c}(f;x,v)=\inf_{\begin{subarray}% {c}v>x\\ v\in I\end{subarray}}\mathfrak{c}(f;x,v),

o que prova (4.5.11). Similarmente, se x∈Ix\in I não é a extremidade esquerda então o Lema 4.5.2 nos diz que a função:

I∩]−∞,x[∋u⟼𝔠⁢(f;u,x)I\cap\left]-\infty,x\right[\ni u\longmapsto\mathfrak{c}(f;u,x) (4.5.15)

é crescente, donde o limite limu→x−𝔠⁢(f;u,x)\lim_{u\to x^{-}}\mathfrak{c}(f;u,x) existe em ℝ¯\overline{\mathds{R}} e:

d−⁢f⁢(x)=limu→x−𝔠⁢(f;u,x)=supu<xu∈I𝔠⁢(f;u,x),\mathrm{d}^{-}f(x)=\lim_{u\to x^{-}}\mathfrak{c}(f;u,x)=\sup_{\begin{subarray}% {c}u<x\\ u\in I\end{subarray}}\mathfrak{c}(f;u,x),

provando (4.5.12). Se x∈Ix\in I é um ponto interior então o Lema 4.5.2 nos diz que:

𝔠⁢(f;u,x)≤𝔠⁢(f;x,v),\mathfrak{c}(f;u,x)\leq\mathfrak{c}(f;x,v),

sempre que u,v∈Iu,v\in I, u<x<vu<x<v; daí:

−∞<d−⁢f⁢(x)=supu<xu∈I𝔠⁢(f;u,x)≤infv>xv∈I𝔠⁢(f;x,v)=d+⁢f⁢(x)<+∞,-\infty<\mathrm{d}^{-}f(x)=\sup_{\begin{subarray}{c}u<x\\ u\in I\end{subarray}}\mathfrak{c}(f;u,x)\leq\inf_{\begin{subarray}{c}v>x\\ v\in I\end{subarray}}\mathfrak{c}(f;x,v)=\mathrm{d}^{+}f(x)<+\infty,

provando (4.5.13). Finalmente, se ff é estritamente convexa então o Lema 4.5.2 nos diz que as funções (4.5.14) e (4.5.15) são estritamente crescentes, o que prova as desigualdades estritas em (4.5.11) e (4.5.12). ∎

4.5.6 Corolário.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função convexa num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. Dados x,y∈Ix,y\in I com x<yx<y então:

d+⁢f⁢(x)≤d−⁢f⁢(y).\mathrm{d}^{+}f(x)\leq\mathrm{d}^{-}f(y).

A desigualdade é estrita se ff é estritamente convexa.

Demonstração.

Os Lemas 4.5.2 e 4.5.5 implicam que para todo ww em ]x,y[\left]x,y\right[, temos:

d+⁢f⁢(x)≤𝔠⁢(f;x,w)≤𝔠⁢(f;w,y)≤d−⁢f⁢(y).\mathrm{d}^{+}f(x)\leq\mathfrak{c}(f;x,w)\leq\mathfrak{c}(f;w,y)\leq\mathrm{d}% ^{-}f(y).

Se ff é estritamente convexa então:

d+⁢f⁢(x)<𝔠⁢(f;x,w)<𝔠⁢(f;w,y)<d−⁢f⁢(y).∎\mathrm{d}^{+}f(x)<\mathfrak{c}(f;x,w)<\mathfrak{c}(f;w,y)<\mathrm{d}^{-}f(y).\qed
4.5.7 Corolário.

Se f:I→ℝf:I\to\mathds{R} é uma função convexa num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R} então ff é contínua em todos os pontos interiores de II.

Demonstração.

Seja xx um ponto no interior de II. A existência e a finitude das derivadas laterais d+⁢f⁢(x)\mathrm{d}^{+}f(x) e d−⁢f⁢(x)\mathrm{d}^{-}f(x) implica que os limites laterais limy→x+f⁢(y)\lim_{y\to x^{+}}f(y) e limy→x−f⁢(y)\lim_{y\to x^{-}}f(y) existem e são iguais a f⁢(x)f(x); de fato:

limy→x+(f⁢(y)−f⁢(x))=limy→x+(𝔠⁢(f;x,y)⁢(y−x))=d+⁢f⁢(x)⋅0=0,\displaystyle\lim_{y\to x^{+}}\big{(}f(y)-f(x)\big{)}=\lim_{y\to x^{+}}\big{(}% \mathfrak{c}(f;x,y)(y-x)\big{)}=\mathrm{d}^{+}f(x)\cdot 0=0,
limy→x−(f⁢(y)−f⁢(x))=limy→x−(𝔠⁢(f;x,y)⁢(y−x))=d−⁢f⁢(x)⋅0=0.\displaystyle\lim_{y\to x^{-}}\big{(}f(y)-f(x)\big{)}=\lim_{y\to x^{-}}\big{(}% \mathfrak{c}(f;x,y)(y-x)\big{)}=\mathrm{d}^{-}f(x)\cdot 0=0.

Logo ff é contínua no ponto xx. ∎

4.5.8 Lema.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função convexa num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. Se x∈Ix\in I é um ponto interior e a∈ℝa\in\mathds{R} é tal que d−⁢f⁢(x)≤a≤d+⁢f⁢(x)\mathrm{d}^{-}f(x)\leq a\leq\mathrm{d}^{+}f(x) então:

f⁢(y)≥f⁢(x)+a⁢(y−x),f(y)\geq f(x)+a(y-x), (4.5.16)

para todo y∈Iy\in I. A desigualdade em (4.5.16) é estrita se ff é estritamente convexa e y≠xy\neq x.

Demonstração.

Se y=xy=x, vale a igualdade em (4.5.16). Se y>xy>x, a desigualdade (4.5.16) é equivalente a 𝔠⁢(f;x,y)≥a\mathfrak{c}(f;x,y)\geq a; mas segue do Lema 4.5.5 que:

𝔠⁢(f;x,y)≥d+⁢f⁢(x)≥a.\mathfrak{c}(f;x,y)\geq\mathrm{d}^{+}f(x)\geq a.

Similarmente, se y<xy<x, a desigualdade (4.5.16) é equivalente a 𝔠⁢(f;y,x)≤a\mathfrak{c}(f;y,x)\leq a; mas segue do Lema 4.5.5 que:

𝔠⁢(f;y,x)≤d−⁢f⁢(x)≤a.\mathfrak{c}(f;y,x)\leq\mathrm{d}^{-}f(x)\leq a.

Se ff é estritamente convexa então 𝔠⁢(f;x,y)>d+⁢f⁢(x)≥a\mathfrak{c}(f;x,y)>\mathrm{d}^{+}f(x)\geq a para y>xy>x e 𝔠⁢(f;y,x)<d−⁢f⁢(x)≤a\mathfrak{c}(f;y,x)<\mathrm{d}^{-}f(x)\leq a para y<xy<x. ∎

Dada uma função f:I→ℝf:I\to\mathds{R} e um ponto x∈Ix\in I, então uma reta:

L:ℝ∋y⟼a⁢y+b∈ℝL:\mathds{R}\ni y\longmapsto ay+b\in\mathds{R}

tal que f⁢(x)=L⁢(x)f(x)=L(x) e f⁢(y)≥L⁢(y)f(y)\geq L(y) para todo y∈Iy\in I é dita uma reta suporte para ff no ponto xx. O Lema 4.5.8 nos diz então que uma função convexa f:I→ℝf:I\to\mathds{R} num intervalo II possui uma reta suporte em todo ponto xx do interior do intervalo II.

4.5.9 Lema.

Seja (fλ)λ∈Λ(f_{\lambda})_{\lambda\in\Lambda} uma família não vazia de funções convexas fλ:I→ℝf_{\lambda}:I\to\mathds{R} num intervalo II. Se para todo x∈Ix\in I o supremo supλ∈Λfλ⁢(x)\sup_{\lambda\in\Lambda}f_{\lambda}(x) é finito então a função f=supλ∈Λfλf=\sup_{\lambda\in\Lambda}f_{\lambda} é convexa em II.

Demonstração.

Sejam x,y∈Ix,y\in I e t∈[0,1]t\in[0,1]. Para todo λ∈Λ\lambda\in\Lambda, temos:

fλ⁢((1−t)⁢x+t⁢y)≤(1−t)⁢fλ⁢(x)+t⁢fλ⁢(y)≤(1−t)⁢f⁢(x)+t⁢f⁢(y);f_{\lambda}\big{(}(1-t)x+ty\big{)}\leq(1-t)f_{\lambda}(x)+tf_{\lambda}(y)\leq(% 1-t)f(x)+tf(y);

tomando o supremo em λ\lambda, obtemos f⁢((1−t)⁢x+t⁢y)≤(1−t)⁢f⁢(x)+t⁢f⁢(y)f\big{(}(1-t)x+ty\big{)}\leq(1-t)f(x)+tf(y). ∎

4.5.10 Corolário.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função definida num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. Se ff admite uma reta suporte em todo ponto de II então ff é convexa.

Demonstração.

Para cada x∈Ix\in I, seja Lx:ℝ→ℝL_{x}:\mathds{R}\to\mathds{R} uma reta suporte para ff. Obviamente:

supx∈ILx⁢(y)≤f⁢(y),\sup_{x\in I}L_{x}(y)\leq f(y),

para todo y∈Iy\in I. Além do mais:

supx∈ILx⁢(y)≥Ly⁢(y)=f⁢(y),\sup_{x\in I}L_{x}(y)\geq L_{y}(y)=f(y),

para todo y∈Iy\in I, donde supx∈ILx=f\sup_{x\in I}L_{x}=f. Como cada LxL_{x} é convexa (veja Exercício 4.23), segue do Lema 4.5.9 que ff é convexa. ∎

4.5.11 Proposição.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função derivável num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. As seguintes condições são equivalentes:

  • (a)
    ​

    ff é convexa;

  • (b)
    ​

    a derivada f′f^{\prime} é crescente;

  • (c)
    ​

    f⁢(y)≥f⁢(x)+f′⁢(x)⁢(y−x)f(y)\geq f(x)+f^{\prime}(x)(y-x), para todos x,y∈Ix,y\in I (o gráfico de ff fica acima de suas retas tangentes).

Demonstração.
  • ∙\bullet
    ​

    (a)⇒\Rightarrow(b).

    Segue do Corolário 4.5.6.

  • ∙\bullet
    ​

    (b)⇒\Rightarrow(c).

    Seja x∈Ix\in I fixado e considere a função g:I→ℝg:I\to\mathds{R} definida por:

    g⁢(y)=f⁢(y)−(f⁢(x)+f′⁢(x)⁢(y−x)),g(y)=f(y)-\big{(}f(x)+f^{\prime}(x)(y-x)\big{)},

    para todo y∈Iy\in I. Temos g′⁢(y)=f′⁢(y)−f′⁢(x)≤0g^{\prime}(y)=f^{\prime}(y)-f^{\prime}(x)\leq 0, se y∈I∩]−∞,x]y\in I\cap\left]-\infty,x\right] e g′⁢(y)≥0g^{\prime}(y)\geq 0, se y∈I∩[x,+∞[y\in I\cap\left[x,+\infty\right[; segue que gg é decrescente em I∩]−∞,x]I\cap\left]-\infty,x\right] e crescente em I∩[x,+∞[I\cap\left[x,+\infty\right[. Como g⁢(x)=0g(x)=0, concluímos que g⁢(y)≥0g(y)\geq 0, para todo y∈Iy\in I.

  • ∙\bullet
    ​

    (c)⇒\Rightarrow(a).

    Segue do Corolário 4.5.10.∎

4.5.12 Corolário.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função duas vezes derivável num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. Então ff é convexa se e somente se a sua derivada segunda f′′f^{\prime\prime} é não negativa.

Demonstração.

Evidentemente f′f^{\prime} é crescente se e somente se f′′f^{\prime\prime} é não negativa. ∎

Temos a seguinte versão da Proposição 4.5.11 para convexidade estrita.

4.5.13 Proposição.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função derivável num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. As seguintes condições são equivalentes:

  • (a)
    ​

    ff é estritamente convexa;

  • (b)
    ​

    a derivada f′f^{\prime} é estritamente crescente;

  • (c)
    ​

    f⁢(y)>f⁢(x)+f′⁢(x)⁢(y−x)f(y)>f(x)+f^{\prime}(x)(y-x), para todos x,y∈Ix,y\in I com x≠yx\neq y.

Demonstração.
  • ∙\bullet
    ​

    (a)⇒\Rightarrow(b).

    Segue do Corolário 4.5.6.

  • ∙\bullet
    ​

    (b)⇒\Rightarrow(c).

    Argumentamos como na demonstração da implicação (b)⇒\Rightarrow(c) na Proposição 4.5.11, mas agora temos que g′⁢(y)<0g^{\prime}(y)<0 para y∈Iy\in I com y<xy<x e g′⁢(y)>0g^{\prime}(y)>0 para y∈Iy\in I com y>xy>x; daí gg é estritamente decrescente em I∩]−∞,x]I\cap\left]-\infty,x\right] e estritamente crescente em I∩[x,+∞[I\cap\left[x,+\infty\right[. Concluímos então que g⁢(y)>0g(y)>0, para y∈Iy\in I com y≠xy\neq x.

  • ∙\bullet
    ​

    (c)⇒\Rightarrow(a).

    O Corolário 4.5.10 nos garante que ff é convexa. Se ff não fosse estritamente convexa, existiriam u,v∈Iu,v\in I, a,b∈ℝa,b\in\mathds{R} com u<vu<v e:

    f⁢(w)=a⁢w+b,f(w)=aw+b,

    para todo w∈[u,v]w\in[u,v] (Corolário 4.5.4). Daí, para todos x,y∈[u,v]x,y\in[u,v], teríamos:

    f⁢(x)+f′⁢(x)⁢(y−x)=a⁢x+b+a⁢(y−x)=f⁢(y),f(x)+f^{\prime}(x)(y-x)=ax+b+a(y-x)=f(y),

    contradizendo (c).∎

4.5.14 Corolário.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função duas vezes derivável num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. Se sua derivada segunda f′′f^{\prime\prime} é positiva então ff é estritamente convexa.

Demonstração.

Evidentemente f′f^{\prime} é estritamente crescente se f′′f^{\prime\prime} é positiva. ∎

4.5.15 Exemplo.

A recíproca do Corolário 4.5.14 não é verdadeira. De fato, a função f:ℝ∋x↦x4∈ℝf:\mathds{R}\ni x\mapsto x^{4}\in\mathds{R} é estritamente convexa, pois sua derivada f′⁢(x)=4⁢x3f^{\prime}(x)=4x^{3} é estritamente crescente. No entanto, temos f′′⁢(0)=0f^{\prime\prime}(0)=0.

4.5.16 Proposição.

Seja f:I→ℝf:I\to\mathds{R} uma função convexa num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. Dados x1,…,xn∈Ix_{1},\ldots,x_{n}\in I e números reais não negativos α1\alpha_{1}, …, αn\alpha_{n} com α1+⋯+αn=1\alpha_{1}+\cdots+\alpha_{n}=1 então α1⁢x1+⋯+αn⁢xn∈I\alpha_{1}x_{1}+\cdots+\alpha_{n}x_{n}\in I e:

f⁢(α1⁢x1+⋯+αn⁢xn)≤α1⁢f⁢(x1)+⋯+αn⁢f⁢(xn);f(\alpha_{1}x_{1}+\cdots+\alpha_{n}x_{n})\leq\alpha_{1}f(x_{1})+\cdots+\alpha_% {n}f(x_{n}); (4.5.17)

se ff é estritamente convexa e α1,…,αn>0\alpha_{1},\ldots,\alpha_{n}>0 então a igualdade vale em (4.5.17) se e somente se x1=⋯=xnx_{1}=\cdots=x_{n}.

Demonstração.

Se a=min⁡{x1,…,xn}a=\min\{x_{1},\ldots,x_{n}\} e b=max⁡{x1,…,xn}b=\max\{x_{1},\ldots,x_{n}\} então a,b∈Ia,b\in I e:

a=(α1+⋯+αn)⁢a≤α1⁢x1+⋯+αn⁢xn≤(α1+⋯+αn)⁢b=b,a=(\alpha_{1}+\cdots+\alpha_{n})a\leq\alpha_{1}x_{1}+\cdots+\alpha_{n}x_{n}% \leq(\alpha_{1}+\cdots+\alpha_{n})b=b,

donde α1⁢x1+⋯+αn⁢xn∈I\alpha_{1}x_{1}+\cdots+\alpha_{n}x_{n}\in I. Para provar o restante da tese, usamos indução em nn. O resultado é óbvio no caso que n=1n=1. Assumindo o resultado válido para um certo n≥1n\geq 1, sejam x1,…,xn+1∈Ix_{1},\ldots,x_{n+1}\in I e α1,…,αn+1≥0\alpha_{1},\ldots,\alpha_{n+1}\geq 0 com α1+⋯+αn+1=1\alpha_{1}+\cdots+\alpha_{n+1}=1. Vamos mostrar que:

f⁢(α1⁢x1+⋯+αn⁢xn+αn+1⁢xn+1)≤α1⁢f⁢(x1)+⋯+αn⁢f⁢(xn)+αn+1⁢f⁢(xn+1).f(\alpha_{1}x_{1}+\cdots+\alpha_{n}x_{n}+\alpha_{n+1}x_{n+1})\\ \leq\alpha_{1}f(x_{1})+\cdots+\alpha_{n}f(x_{n})+\alpha_{n+1}f(x_{n+1}). (4.5.18)

Se αn+1=1\alpha_{n+1}=1, vale a igualdade em (4.5.18). Suponha que αn+1<1\alpha_{n+1}<1. Seja αi′=αi1−αn+1\alpha^{\prime}_{i}=\frac{\alpha_{i}}{1-\alpha_{n+1}}, i=1,…,ni=1,\ldots,n. Claramente α1′,…,αn′≥0\alpha^{\prime}_{1},\ldots,\alpha^{\prime}_{n}\geq 0 e α1′+⋯+αn′=1\alpha^{\prime}_{1}+\cdots+\alpha^{\prime}_{n}=1, donde a hipótese de indução nos dá:

f⁢(α1′⁢x1+⋯+αn′⁢xn)≤α1′⁢f⁢(x1)+⋯+αn′⁢f⁢(xn).f(\alpha^{\prime}_{1}x_{1}+\cdots+\alpha^{\prime}_{n}x_{n})\leq\alpha^{\prime}% _{1}f(x_{1})+\cdots+\alpha^{\prime}_{n}f(x_{n}).

Temos:

f⁢(α1⁢x1+⋯+αn⁢xn+αn+1⁢xn+1)=f⁢((1−αn+1)⁢(α1′⁢x1+⋯+αn′⁢xn)+αn+1⁢xn+1)≤(1−αn+1)⁢f⁢(α1′⁢x1+⋯+αn′⁢xn)+αn+1⁢f⁢(xn+1)≤(1−αn+1)⁢(α1′⁢f⁢(x1)+⋯+αn′⁢f⁢(xn))+αn+1⁢f⁢(xn+1)=α1⁢f⁢(x1)+⋯+αn⁢f⁢(xn)+αn+1⁢f⁢(xn+1),f(\alpha_{1}x_{1}+\cdots+\alpha_{n}x_{n}+\alpha_{n+1}x_{n+1})\\ =f\big{(}(1-\alpha_{n+1})(\alpha^{\prime}_{1}x_{1}+\cdots+\alpha^{\prime}_{n}x% _{n})+\alpha_{n+1}x_{n+1}\big{)}\\ \leq(1-\alpha_{n+1})f(\alpha^{\prime}_{1}x_{1}+\cdots+\alpha^{\prime}_{n}x_{n}% )+\alpha_{n+1}f(x_{n+1})\\ \leq(1-\alpha_{n+1})\big{(}\alpha^{\prime}_{1}f(x_{1})+\cdots+\alpha^{\prime}_% {n}f(x_{n})\big{)}+\alpha_{n+1}f(x_{n+1})\\ =\alpha_{1}f(x_{1})+\cdots+\alpha_{n}f(x_{n})+\alpha_{n+1}f(x_{n+1}), (4.5.19)

onde na primeira desigualdade usamos α1′⁢x1+⋯+αn′⁢xn∈I\alpha^{\prime}_{1}x_{1}+\cdots+\alpha^{\prime}_{n}x_{n}\in I e a convexidade de ff. Isso prova (4.5.18). Suponha agora que α1,…,αn+1>0\alpha_{1},\ldots,\alpha_{n+1}>0, ff é estritamente convexa e vale a igualdade em (4.5.18). Daí todas as desigualdades em (4.5.19) são igualdades e portanto:

α1′⁢x1+⋯+αn′⁢xn=xn+1,\alpha^{\prime}_{1}x_{1}+\cdots+\alpha^{\prime}_{n}x_{n}=x_{n+1}, (4.5.20)

e:

f⁢(α1′⁢x1+⋯+αn′⁢xn)=α1′⁢f⁢(x1)+⋯+αn′⁢f⁢(xn).f(\alpha^{\prime}_{1}x_{1}+\cdots+\alpha^{\prime}_{n}x_{n})=\alpha^{\prime}_{1% }f(x_{1})+\cdots+\alpha^{\prime}_{n}f(x_{n}).

Como α1′,…,αn′>0\alpha^{\prime}_{1},\ldots,\alpha^{\prime}_{n}>0, a hipótese de indução nos dá x1=⋯=xnx_{1}=\cdots=x_{n}. Finalmente, (4.5.20) implica que x1=⋯=xn=xn+1x_{1}=\cdots=x_{n}=x_{n+1}. ∎