4.1. Espaços Normados e com Produto Interno

Seja EE um espaço vetorial sobre 𝕂\mathds{K}, onde 𝕂\mathds{K} denota o corpo dos números reais ou o corpo dos números complexos.

4.1.1 Definição.

Uma semi-norma em EE é uma aplicação:

E∋x⟼‖x‖∈ℝE\ni x\longmapsto\|x\|\in\mathds{R}

satisfazendo as seguintes condições:

  • (a)
    ​

    ‖x‖≥0\|x\|\geq 0, para todo x∈Ex\in E;

  • (b)
    ​

    ‖λ⁢x‖=|λ|⁢‖x‖\|\lambda x\|=|\lambda|\|x\|, para todo λ∈𝕂\lambda\in\mathds{K} e todo x∈Ex\in E;

  • (c)
    ​

    ‖x+y‖≤‖x‖+‖y‖\|x+y\|\leq\|x\|+\|y\|, para todos x,y∈Ex,y\in E (desigualdade triangular).

Uma norma em EE é uma semi-norma que satisfaz a condição adicional:

  • (d)
    ​

    ‖x‖>0\|x\|>0, para todo x∈Ex\in E com x≠0x\neq 0.

Um espaço vetorial normado sobre 𝕂\mathds{K} (ou, mais abreviadamente, um espaço normado) é um par (E,∥⋅∥)(E,\|\cdot\|), onde EE é um espaço vetorial sobre 𝕂\mathds{K} e ∥⋅∥\|\cdot\| é uma norma em EE.

Note que fazendo λ=0\lambda=0 na condição (b) obtemos:

‖0‖=0.\|0\|=0.

Dado um espaço vetorial normado (E,∥⋅∥)(E,\|\cdot\|), nós definimos:

d⁢(x,y)=‖x−y‖,d(x,y)=\|x-y\|, (4.1.1)

para todos x,y∈Ex,y\in E. Temos que d:E×E→ℝd:E\times E\to\mathds{R} é uma métrica em EE; de fato, segue das condições (a) e (d) que, para todos x,y∈Ex,y\in E, d⁢(x,y)≥0d(x,y)\geq 0 e que d⁢(x,y)=0d(x,y)=0 se e somente x=yx=y. Usando a condição (b), obtemos:

d⁢(x,y)=‖x−y‖=‖(−1)⋅(y−x)‖=‖y−x‖=d⁢(y,x),d(x,y)=\|x-y\|=\big{\|}(-1)\cdot(y-x)\big{\|}=\|y-x\|=d(y,x),

e usando a condição (c) obtemos:

d⁢(x,z)=‖x−z‖=‖(x−y)+(y−z)‖≤‖x−y‖+‖y−z‖=d⁢(x,y)+d⁢(y,z),d(x,z)=\|x-z\|=\big{\|}(x-y)+(y-z)\big{\|}\leq\|x-y\|+\|y-z\|=d(x,y)+d(y,z),

para todos x,y,z∈Ex,y,z\in E. Dizemos que a métrica dd definida em (4.1.1) é a métrica associada à (ou determinada pela) norma ∥⋅∥\|\cdot\|. Nós sempre assumiremos que um espaço normado (E,∥⋅∥)(E,\|\cdot\|) está munido da métrica dd associada a sua norma. Temos então que todo espaço normado é também um espaço métrico (para uma recíproca, veja o Exercício 4.3).

4.1.2 Definição.

Um espaço de Banach sobre 𝕂\mathds{K} é um espaço normado (E,∥⋅∥)(E,\|\cdot\|) sobre 𝕂\mathds{K} tal que a métrica associada à norma ∥⋅∥\|\cdot\| é completa.

4.1.3 Exemplo.

Dado um conjunto arbitrário XX, então o conjunto 𝕂X\mathds{K}^{X} de todas as funções f:X→𝕂f:X\to\mathds{K} possui uma estrutura natural de espaço vetorial sobre 𝕂\mathds{K} definida por:

(f+g)⁢(x)=f⁢(x)+g⁢(x),(λ⁢f)⁢(x)=λ⁢f⁢(x),(f+g)(x)=f(x)+g(x),\quad(\lambda f)(x)=\lambda f(x),

para todos x∈Xx\in X, λ∈𝕂\lambda\in\mathds{K}, f,g∈𝕂Xf,g\in\mathds{K}^{X}. O conjunto Bd⁢(X,𝕂)\mathrm{Bd}(X,\mathds{K}) de todas as funções limitadas f:X→𝕂f:X\to\mathds{K} é um subespaço de 𝕂X\mathds{K}^{X} e a aplicação ∥⋅∥sup:Bd(X,𝕂)→ℝ\|\cdot\|_{\mathrm{sup}}:\mathrm{Bd}(X,\mathds{K})\to\mathds{R} definida por:

‖f‖sup=supx∈X|f⁢(x)|,\|f\|_{\mathrm{sup}}=\sup_{x\in X}\big{|}f(x)\big{|},

para toda f∈Bd⁢(X,𝕂)f\in\mathrm{Bd}(X,\mathds{K}) é uma norma em Bd⁢(X,𝕂)\mathrm{Bd}(X,\mathds{K}). A norma ∥⋅∥sup\|\cdot\|_{\mathrm{sup}} é chamada a norma do supremo e a métrica dsupd_{\mathrm{sup}} associada a ∥⋅∥sup\|\cdot\|_{\mathrm{sup}} é chamada a métrica do supremo. Temos que uma seqüência (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} em Bd⁢(X,𝕂)\mathrm{Bd}(X,\mathds{K}) converge para uma função f∈Bd⁢(X,𝕂)f\in\mathrm{Bd}(X,\mathds{K}) (resp., é de Cauchy) com respeito à métrica dsupd_{\mathrm{sup}} se e somente se (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} converge uniformemente para ff (resp., é uniformemente de Cauchy). Se (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} é uma seqüência uniformemente de Cauchy então (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} também é pontualmente de Cauchy e portanto existe f:X→𝕂f:X\to\mathds{K} tal que (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} converge para ff pontualmente; segue do resultado do Exercício 2.36 que (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} converge para ff uniformemente. Se todas as funções fnf_{n} são limitadas, é fácil ver que ff também é limitada, e portanto a métrica dsupd_{\mathrm{sup}} é completa e Bd⁢(X,𝕂)\mathrm{Bd}(X,\mathds{K}) é um espaço de Banach. Se XX é um espaço métrico (ou, mais geralmente, um espaço topológico) então o conjunto Cb⁢(X,𝕂)C_{\mathrm{b}}(X,\mathds{K}) de todas as funções contínuas e limitadas f:X→𝕂f:X\to\mathds{K} é um subespaço de Bd⁢(X,𝕂)\mathrm{Bd}(X,\mathds{K}); como o limite uniforme de funções contínuas é contínua, segue que Cb⁢(X,𝕂)C_{\mathrm{b}}(X,\mathds{K}) é fechado em Bd⁢(X,𝕂)\mathrm{Bd}(X,\mathds{K}) e portanto também completo com a métrica (induzida por) dsupd_{\mathrm{sup}}. Segue que Cb⁢(X,𝕂)C_{\mathrm{b}}(X,\mathds{K}) também é um espaço de Banach munido da norma (induzida por) ∥⋅∥sup\|\cdot\|_{\mathrm{sup}}. Note que se XX é compacto então toda função contínua f:X→𝕂f:X\to\mathds{K} é limitada, de modo que Cb⁢(X,𝕂)C_{\mathrm{b}}(X,\mathds{K}) coincide com o espaço C⁢(X,𝕂)C(X,\mathds{K}) de todas as funções contínuas f:X→𝕂f:X\to\mathds{K}.

4.1.4 Definição.

Seja EE um espaço vetorial sobre 𝕂\mathds{K}. Um produto interno em EE é uma aplicação:

E×E∋(x,y)⟼⟨x,y⟩∈𝕂E\times E\ni(x,y)\longmapsto\langle x,y\rangle\in\mathds{K}

satisfazendo as seguintes condições:

  • (a)
    ​

    ⟨λ⁢x+x′,y⟩=λ⁢⟨x,y⟩+⟨x′,y⟩\langle\lambda x+x^{\prime},y\rangle=\lambda\langle x,y\rangle+\langle x^{% \prime},y\rangle e ⟨x,λ⁢y+y′⟩=λ¯⁢⟨x,y⟩+⟨x,y′⟩\langle x,\lambda y+y^{\prime}\rangle=\bar{\lambda}\langle x,y\rangle+\langle x% ,y^{\prime}\rangle, para todos x,y,x′,y′∈Ex,y,x^{\prime},y^{\prime}\in E e todo λ∈𝕂\lambda\in\mathds{K}, onde λ¯\bar{\lambda} denota o complexo conjugado de λ\lambda;

  • (b)
    ​

    ⟨x,y⟩=⟨y,x⟩¯\langle x,y\rangle=\overline{\langle y,x\rangle}, para todos x,y∈Ex,y\in E;

  • (c)
    ​

    ⟨x,x⟩>0\langle x,x\rangle>0, para todo x∈Ex\in E com x≠0x\neq 0.

Note que a condição (b) implica que ⟨x,x⟩\langle x,x\rangle é real, para todo x∈Ex\in E, de modo que faz sentido falar em ⟨x,x⟩>0\langle x,x\rangle>0, na condição (c). Quando 𝕂=ℝ\mathds{K}=\mathds{R} então λ¯=λ\bar{\lambda}=\lambda para todo λ∈𝕂\lambda\in\mathds{K}, de modo que as condições (a) e (b) podem ser substituídas respectivamente por:

  • (a’)
    ​

    ⟨λ⁢x+x′,y⟩=λ⁢⟨x,y⟩+⟨x′,y⟩\langle\lambda x+x^{\prime},y\rangle=\lambda\langle x,y\rangle+\langle x^{% \prime},y\rangle e ⟨x,λ⁢y+y′⟩=λ⁢⟨x,y⟩+⟨x,y′⟩\langle x,\lambda y+y^{\prime}\rangle=\lambda\langle x,y\rangle+\langle x,y^{% \prime}\rangle, para todos x,y,x′,y′∈Ex,y,x^{\prime},y^{\prime}\in E e todo λ∈𝕂\lambda\in\mathds{K};

  • (b’)
    ​

    ⟨x,y⟩=⟨y,x⟩\langle x,y\rangle=\langle y,x\rangle, para todos x,y∈Ex,y\in E.

Fazendo λ=1\lambda=1 na condição (a) obtemos:

⟨x+x′,y⟩=⟨x,y⟩+⟨x′,y⟩,⟨x,y+y′⟩=⟨x,y⟩+⟨x,y′⟩,\langle x+x^{\prime},y\rangle=\langle x,y\rangle+\langle x^{\prime},y\rangle,% \quad\langle x,y+y^{\prime}\rangle=\langle x,y\rangle+\langle x,y^{\prime}\rangle,

para todos x,y,x′,y′∈Ex,y,x^{\prime},y^{\prime}\in E; daí:

⟨0,y⟩=⟨0+0,y⟩=⟨0,y⟩+⟨0,y⟩,⟨x⁢,0⟩=⟨x⁢,0+0⟩=⟨x⁢,0⟩+⟨x⁢,0⟩\langle 0,y\rangle=\langle 0+0,y\rangle=\langle 0,y\rangle+\langle 0,y\rangle,% \quad\langle x,0\rangle=\langle x,0+0\rangle=\langle x,0\rangle+\langle x,0\rangle

e portanto:

⟨x⁢,0⟩=0,⟨0,y⟩=0,\langle x,0\rangle=0,\quad\langle 0,y\rangle=0,

para todos x,y∈Ex,y\in E. Fazendo x′=0x^{\prime}=0, y′=0y^{\prime}=0 na condição (a) obtemos então:

⟨λ⁢x,y⟩=λ⁢⟨x,y⟩,⟨x,λ⁢y⟩=λ¯⁢⟨x,y⟩,\langle\lambda x,y\rangle=\lambda\langle x,y\rangle,\quad\langle x,\lambda y% \rangle=\bar{\lambda}\langle x,y\rangle,

para todos x,y∈Ex,y\in E e todo λ∈𝕂\lambda\in\mathds{K}.

O primeiro resultado não trivial sobre produtos internos que provaremos é o seguinte:

4.1.5 Lema (desigualdade de Cauchy–Schwarz).

Seja EE um espaço vetorial sobre 𝕂\mathds{K} e ⟨⋅,⋅⟩\langle\cdot,\cdot\rangle um produto interno em EE. Então:

|⟨x,y⟩|≤⟨x,x⟩12⁢⟨y,y⟩12,\big{|}\langle x,y\rangle\big{|}\leq\langle x,x\rangle^{\frac{1}{2}}\langle y,% y\rangle^{\frac{1}{2}}, (4.1.2)

para todos x,y∈Ex,y\in E; a igualdade em (4.1.2) vale se e somente se xx e yy são linearmente dependentes.

Demonstração.

Se xx e yy são linearmente dependentes então ou y=λ⁢xy=\lambda x ou x=λ⁢yx=\lambda y, para algum λ∈𝕂\lambda\in\mathds{K}; daí é fácil ver que vale a igualdade em (4.1.2). Suponhamos então que xx e yy são linearmente independentes e provemos que vale a desigualdade estrita em (4.1.2). Provemos primeiramente que:

|ℜ⁡⟨x,y⟩|<⟨x,x⟩12⁢⟨y,y⟩12,\big{|}\Re\langle x,y\rangle\big{|}<\langle x,x\rangle^{\frac{1}{2}}\langle y,% y\rangle^{\frac{1}{2}}, (4.1.3)

onde ℜ⁡λ\Re\lambda denota a parte real de um número complexo λ\lambda. Considere a função p:ℝ→ℝp:\mathds{R}\to\mathds{R} definida por:

p⁢(t)=⟨x+t⁢y,x+t⁢y⟩,p(t)=\langle x+ty,x+ty\rangle,

para todo t∈ℝt\in\mathds{R}. Temos:

p⁢(t)=⟨x,x⟩+t⁢⟨x,y⟩+t⁢⟨y,x⟩+t2⁢⟨y,y⟩=⟨x,x⟩+2⁢t⁢ℜ⁡⟨x,y⟩+t2⁢⟨y,y⟩,p(t)=\langle x,x\rangle+t\langle x,y\rangle+t\langle y,x\rangle+t^{2}\langle y% ,y\rangle=\langle x,x\rangle+2t\Re\langle x,y\rangle+t^{2}\langle y,y\rangle,

para todo t∈ℝt\in\mathds{R}. Como xx e yy são linearmente independentes, temos que x+t⁢yx+ty é não nulo, para todo t∈ℝt\in\mathds{R} e portanto p⁢(t)>0p(t)>0, para todo t∈ℝt\in\mathds{R}. Mas pp é uma função polinomial do segundo grau e portanto seu discriminante:

Δ=4⁢(ℜ⁡⟨x,y⟩)2−4⁢⟨x,x⟩⁢⟨y,y⟩\Delta=4\big{(}\Re\langle x,y\rangle\big{)}^{2}-4\langle x,x\rangle\langle y,y\rangle

deve ser negativo. Daí (4.1.3) segue diretamente. Seja agora λ∈𝕂\lambda\in\mathds{K} com |λ|=1|\lambda|=1 tal que λ⁢⟨x,y⟩\lambda\langle x,y\rangle é real11 1 Dado um número complexo zz, evidentemente existe um número complexo λ\lambda de módulo 11 tal que λ⁢z\lambda z é real; basta tomar λ=z¯|z|\lambda=\frac{\bar{z}}{|z|}, se z≠0z\neq 0 e λ=1\lambda=1 se z=0z=0.; trocando xx por λ⁢x\lambda x em (4.1.3) obtemos:

|ℜ⁡⟨λ⁢x,y⟩|<⟨λ⁢x,λ⁢x⟩12⁢⟨y,y⟩12,\big{|}\Re\langle\lambda x,y\rangle\big{|}<\langle\lambda x,\lambda x\rangle^{% \frac{1}{2}}\langle y,y\rangle^{\frac{1}{2}},

donde segue a desigualdade:

|⟨x,y⟩|<⟨x,x⟩12⁢⟨y,y⟩12.∎\big{|}\langle x,y\rangle\big{|}<\langle x,x\rangle^{\frac{1}{2}}\langle y,y% \rangle^{\frac{1}{2}}.\qed
4.1.6 Corolário.

Seja EE um espaço vetorial sobre 𝕂\mathds{K} e ⟨⋅,⋅⟩\langle\cdot,\cdot\rangle um produto interno em EE. Então a aplicação ∥⋅∥:E→ℝ\|\cdot\|:E\to\mathds{R} definida por:

‖x‖=⟨x,x⟩12,\|x\|=\langle x,x\rangle^{\frac{1}{2}}, (4.1.4)

para todo x∈Ex\in E, é uma norma em EE.

Demonstração.

Note que, como ⟨x,x⟩≥0\langle x,x\rangle\geq 0 para todo x∈Ex\in E, a aplicação ∥⋅∥\|\cdot\| está bem definida e ‖x‖≥0\|x\|\geq 0, para todo x∈Ex\in E; além do mais, ‖x‖>0\|x\|>0, para x∈Ex\in E não nulo. Dados λ∈𝕂\lambda\in\mathds{K}, x∈Ex\in E, temos:

‖λ⁢x‖=⟨λ⁢x,λ⁢x⟩12=(λ⁢λ¯⁢⟨x,x⟩)12=(|λ|2⁢⟨x,x⟩)12=|λ|⁢‖x‖.\|\lambda x\|=\langle\lambda x,\lambda x\rangle^{\frac{1}{2}}=\big{(}\lambda% \bar{\lambda}\langle x,x\rangle\big{)}^{\frac{1}{2}}=\big{(}|\lambda|^{2}% \langle x,x\rangle\big{)}^{\frac{1}{2}}=|\lambda|\|x\|.

Finalmente, a desigualdade triangular é obtida da desigualdade de Cauchy–Schwarz, através dos cálculos abaixo:

‖x+y‖2=⟨x+y,x+y⟩=⟨x,x⟩+⟨x,y⟩+⟨y,x⟩+⟨y,y⟩=‖x‖2+‖y‖2+2⁢ℜ⁡⟨x,y⟩≤‖x‖2+‖y‖2+2⁢|⟨x,y⟩|≤‖x‖2+‖y‖2+2⁢‖x‖⁢‖y‖=(‖x‖+‖y‖)2,\|x+y\|^{2}=\langle x+y,x+y\rangle=\langle x,x\rangle+\langle x,y\rangle+% \langle y,x\rangle+\langle y,y\rangle\\ =\|x\|^{2}+\|y\|^{2}+2\Re\langle x,y\rangle\leq\|x\|^{2}+\|y\|^{2}+2\big{|}% \langle x,y\rangle\big{|}\\ \leq\|x\|^{2}+\|y\|^{2}+2\|x\|\|y\|=\big{(}\|x\|+\|y\|\big{)}^{2},

onde x,y∈Ex,y\in E. ∎

A norma definida em (4.1.4) é chamada a norma associada ao (ou determinada pelo) produto interno ⟨⋅,⋅⟩\langle\cdot,\cdot\rangle.

4.1.7 Definição.

Seja EE um espaço vetorial sobre 𝕂\mathds{K} e ⟨⋅,⋅⟩\langle\cdot,\cdot\rangle um produto interno em EE. O par (E,⟨⋅,⋅⟩)(E,\langle\cdot,\cdot\rangle) é chamado um espaço pré-Hilbertiano sobre 𝕂\mathds{K}. Se a métrica associada à norma associada ao produto interno ⟨⋅,⋅⟩\langle\cdot,\cdot\rangle for completa, dizemos que (E,⟨⋅,⋅⟩)(E,\langle\cdot,\cdot\rangle) é um espaço de Hilbert sobre 𝕂\mathds{K}.

Nós sempre assumiremos que um espaço pré-Hilbertiano (E,⟨⋅,⋅⟩)(E,\langle\cdot,\cdot\rangle) está munido da norma (4.1.4) associada ao seu produto interno. Vemos então que todo espaço pré-Hilbertiano é um espaço normado e todo espaço de Hilbert é um espaço de Banach. Nem toda norma está associada a um produto interno, como segue facilmente do seguinte:

4.1.8 Lema (identidade do paralelogramo).

Se EE é um espaço vetorial sobre 𝕂\mathds{K}, ⟨⋅,⋅⟩\langle\cdot,\cdot\rangle é um produto interno em EE e ∥⋅∥\|\cdot\| é a norma associada a ⟨⋅,⋅⟩\langle\cdot,\cdot\rangle então:

‖x+y‖2+‖x−y‖2=2⁢(‖x‖2+‖y‖2),\|x+y\|^{2}+\|x-y\|^{2}=2\big{(}\|x\|^{2}+\|y\|^{2}\big{)}, (4.1.5)

para todos x,y∈Ex,y\in E.

Demonstração.

Temos:

‖x+y‖2=⟨x+y,x+y⟩=⟨x,x⟩+⟨x,y⟩+⟨y,x⟩+⟨y,y⟩,\|x+y\|^{2}=\langle x+y,x+y\rangle=\langle x,x\rangle+\langle x,y\rangle+% \langle y,x\rangle+\langle y,y\rangle,

donde:

‖x+y‖2=‖x‖2+‖y‖2+2⁢ℜ⁡⟨x,y⟩;\|x+y\|^{2}=\|x\|^{2}+\|y\|^{2}+2\Re\langle x,y\rangle; (4.1.6)

similarmente:

‖x−y‖2=‖x‖2+‖y‖2−2⁢ℜ⁡⟨x,y⟩.\|x-y\|^{2}=\|x\|^{2}+\|y\|^{2}-2\Re\langle x,y\rangle. (4.1.7)

A conclusão é obtida somando (4.1.6) e (4.1.7). ∎

No Exercício 4.10 pedimos ao leitor para mostrar que a norma do supremo não satisfaz a identidade do paralelogramo (exceto pelo caso trivial, em que o domínio tem um único ponto). Vemos então que nem toda norma está associada a um produto interno. No Exercício 4.14 apresentamos um leitor um roteiro para demonstrar que toda norma que satisfaz a identidade do paralelogramo está associada a um único produto interno.

Se FF é um subconjunto fechado não vazio de ℝn\mathds{R}^{n} e KK é um subconjunto compacto não vazio de ℝn\mathds{R}^{n} então existem pontos x∈Fx\in F, y∈Ky\in K tais que d⁢(x,y)=d⁢(F,K)d(x,y)=d(F,K), ou seja, a distância mínima entre FF e KK é explicitamente realizada22 2 Esse não é o caso se supusermos apenas que FF e KK são fechados. Por exemplo, se F={(x,1x):x>0}F=\big{\{}\big{(}x,\frac{1}{x}\big{)}:x>0\big{\}} e K=ℝ×{0}K=\mathds{R}\times\{0\} então FF e KK são fechados e disjuntos em ℝ2\mathds{R}^{2}, mas d⁢(K,F)=0d(K,F)=0.. Como é ilustrado no exemplo a seguir, se (M,d)(M,d) é um espaço métrico arbitrário, F≠∅︀F\neq\emptyset é fechado em MM e K≠∅︀K\neq\emptyset é um subconjunto compacto de MM, não é verdade em geral que a distância mínima entre FF e KK é realizada, mesmo sob a hipótese que o espaço métrico MM seja completo (é verdade, no entanto, que se KK e FF são disjuntos então d⁢(K,F)>0d(K,F)>0).

4.1.9 Exemplo.

Seja C⁢([0,1],ℝ)C\big{(}[0,1],\mathds{R}\big{)} o espaço de Banach das funções contínuas f:[0,1]→ℝf:[0,1]\to\mathds{R} munido da norma do supremo (veja Exemplo 4.1.3) e seja EE o subespaço de C⁢([0,1],ℝ)C\big{(}[0,1],\mathds{R}\big{)} constituído pelas funções contínuas f:[0,1]→ℝf:[0,1]\to\mathds{R} tais que f⁢(0)=f⁢(1)=0f(0)=f(1)=0. Claramente EE é um subespaço fechado de C⁢([0,1],ℝ)C\big{(}[0,1],\mathds{R}\big{)} e portanto é também um espaço de Banach. Seja HH o subconjunto de EE definido por:

H={f∈E:∫01f⁢d𝔪=1}.H=\big{\{}f\in E:{\textstyle\int_{0}^{1}f\,\mathrm{d}\mathfrak{m}=1}\big{\}}.

Se uma seqüência (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} em C⁢([0,1],ℝ)C\big{(}[0,1],\mathds{R}\big{)} converge uniformemente para ff então (veja Exercício 2.26):

limn→∞∫01fn⁢d𝔪=∫01f⁢d𝔪,\lim_{n\to\infty}\int_{0}^{1}f_{n}\,\mathrm{d}\mathfrak{m}=\int_{0}^{1}f\,% \mathrm{d}\mathfrak{m},

donde segue que HH é fechado em EE. Vamos mostrar que a distância

dsup⁢(0,H)=inff∈H‖f‖supd_{\mathrm{sup}}(0,H)=\inf_{f\in H}\|f\|_{\mathrm{sup}}

da função nula até HH é igual a 11, mas que não existe nenhuma função f∈Hf\in H com dsup⁢(0,f)=‖f‖sup=1d_{\mathrm{sup}}(0,f)=\|f\|_{\mathrm{sup}}=1. Em primeiro lugar, mostremos que não existe f∈Hf\in H com ‖f‖sup≤1\|f\|_{\mathrm{sup}}\leq 1. De fato, suponha por absurdo que f∈Hf\in H e ‖f‖sup≤1\|f\|_{\mathrm{sup}}\leq 1. Daí 1−f≥01-f\geq 0 e ∫01(1−f)⁢d𝔪=0\int_{0}^{1}(1-f)\,\mathrm{d}\mathfrak{m}=0, donde f=1f=1 quase sempre; mas f⁢(0)=f⁢(1)=0f(0)=f(1)=0 e a continuidade de ff implicam que ff é menor que 11 numa vizinhança de {0,1}\{0,1\}, o que nos dá uma contradição. Vamos agora mostrar que para todo ε>0\varepsilon>0 existe f∈Hf\in H com ‖f‖sup≤1+ε\|f\|_{\mathrm{sup}}\leq 1+\varepsilon. Obviamente podemos supor sem perda de generalidade que ε≤1\varepsilon\leq 1; seja η=ε1+ε∈]0,12]\eta=\frac{\varepsilon}{1+\varepsilon}\in\left]0,\frac{1}{2}\right] e considere a função f:[0,1]→ℝf:[0,1]\to\mathds{R} definida por:

f⁢(x)={1+εη⁢x,se 0≤x≤η,1+ε,se η≤x≤1−η,1+εη⁢(1−x),se 1−η≤x≤1.f(x)=\begin{cases}\frac{1+\varepsilon}{\eta}\,x,&\text{se $0\leq x\leq\eta$},% \\ 1+\varepsilon,&\text{se $\eta\leq x\leq 1-\eta$},\\ \frac{1+\varepsilon}{\eta}\,(1-x),&\text{se $1-\eta\leq x\leq 1$}.\end{cases}

É fácil ver que f∈Hf\in H e que ‖f‖sup=1+ε\|f\|_{\mathrm{sup}}=1+\varepsilon. Logo dsup⁢(0,H)=1d_{\mathrm{sup}}(0,H)=1, mas não existe f∈Hf\in H com ‖f‖sup=1\|f\|_{\mathrm{sup}}=1.

4.1.10 Proposição.

Seja (E,⟨⋅,⋅⟩)(E,\langle\cdot,\cdot\rangle) um espaço pré-Hilbertiano sobre 𝕂\mathds{K} e seja C⊂EC\subset E um subconjunto completo, não vazio, tal que 12⁢(p+q)∈C\frac{1}{2}(p+q)\in C, para todos p,q∈Cp,q\in C. Então para todo x∈Ex\in E existe um único ponto p∈Cp\in C tal que d⁢(x,p)=d⁢(x,C)d(x,p)=d(x,C).

Demonstração.

Sejam x∈Ex\in E, p,q∈Cp,q\in C. Aplicando a identidade do paralelogramo (4.1.5) aos vetores x−px-p, x−qx-q, obtemos:

‖2⁢x−p−q‖2+‖p−q‖2=2⁢(‖x−p‖2+‖x−q‖2),\|2x-p-q\|^{2}+\|p-q\|^{2}=2\big{(}\|x-p\|^{2}+\|x-q\|^{2}\big{)},

e portanto:

‖p−q‖2=2⁢(‖x−p‖2+‖x−q‖2−2⁢‖x−12⁢(p+q)‖2).\|p-q\|^{2}=2\big{(}\|x-p\|^{2}+\|x-q\|^{2}-2\big{\|}x-\tfrac{1}{2}(p+q)\big{% \|}^{2}\big{)}. (4.1.8)

Seja c=d⁢(x,C)≥0c=d(x,C)\geq 0. Provemos primeiramente a unicidade de pp. Se p,q∈Cp,q\in C são tais que d⁢(x,p)=d⁢(x,q)=cd(x,p)=d(x,q)=c então d⁢(x,12⁢(p+q))≥cd\big{(}x,\frac{1}{2}(p+q)\big{)}\geq c, de modo que (4.1.8) nos dá:

‖p−q‖2≤2⁢(c2+c2−2⁢c2)=0,\|p-q\|^{2}\leq 2(c^{2}+c^{2}-2c^{2})=0,

e daí p=qp=q. Para provar a existência de pp, seja (pn)n≥1(p_{n})_{n\geq 1} uma seqüência em CC tal que d⁢(x,pn)<c+1nd(x,p_{n})<c+\frac{1}{n}, para todo n≥1n\geq 1. Usando (4.1.8) com p=pnp=p_{n}, q=pmq=p_{m} e observando que d⁢(x,12⁢(pn+pm))≥cd\big{(}x,\frac{1}{2}(p_{n}+p_{m})\big{)}\geq c, obtemos:

‖pn−pm‖2<2⁢[(c+1n)2+(c+1m)2−2⁢c2]=2⁢(2⁢cn+2⁢cm+1n2+1m2),\|p_{n}-p_{m}\|^{2}<2\big{[}\big{(}c+\tfrac{1}{n}\big{)}^{2}+\big{(}c+\tfrac{1% }{m}\big{)}^{2}-2c^{2}\big{]}=2\big{(}\tfrac{2c}{n}+\tfrac{2c}{m}+\tfrac{1}{n^% {2}}+\tfrac{1}{m^{2}}\big{)},

donde segue que (pn)n≥1(p_{n})_{n\geq 1} é uma seqüência de Cauchy. Já que CC é completo, existe p∈Cp\in C com pn→pp_{n}\to p e daí fazendo n→∞n\to\infty em d⁢(x,pn)<c+1nd(x,p_{n})<c+\frac{1}{n} obtemos d⁢(x,p)≤cd(x,p)\leq c. Como obviamente d⁢(x,p)≥cd(x,p)\geq c, a conclusão segue. ∎

4.1.11 Definição.

Seja (E,⟨⋅,⋅⟩)(E,\langle\cdot,\cdot\rangle) um espaço pré-Hilbertiano sobre 𝕂\mathds{K}. Dois vetores x,y∈Ex,y\in E são ditos ortogonais se ⟨x,y⟩=0\langle x,y\rangle=0. Seja SS um subconjunto de EE. O complemento ortogonal de SS, denotado por S⟂S^{\perp}, é conjunto dos vetores x∈Ex\in E que são ortogonais a todos os vetores de SS, isto é:

S⟂={x∈E:⟨x,y⟩=0, para todo y∈S}.S^{\perp}=\big{\{}x\in E:\text{$\langle x,y\rangle=0$, para todo $y\in S$}\big% {\}}.

É fácil ver que o complemento ortogonal de um subconjunto SS de EE coincide com o complemento ortogonal do subespaço vetorial de EE gerado por SS, de modo que a noção de complemento ortogonal é particularmente interessante apenas para subespaços vetoriais. É fácil ver também que o complemento ortogonal de um subconjunto arbitrário de EE é sempre um subespaço de EE.

4.1.12 Lema.

Sejam (E,⟨⋅,⋅⟩)(E,\langle\cdot,\cdot\rangle) um espaço pré-Hilbertiano sobre 𝕂\mathds{K} e SS um subespaço vetorial de EE. Dados x∈Ex\in E, p∈Sp\in S, então d⁢(x,p)=d⁢(x,S)d(x,p)=d(x,S) se e somente se x−p∈S⟂x-p\in S^{\perp}.

Demonstração.

Sejam x∈Ex\in E, p∈Sp\in S e suponha que x−p∈S⟂x-p\in S^{\perp}. Dado q∈Sq\in S então p−q∈Sp-q\in S e portanto os vetores x−px-p e p−qp-q são ortogonais; pelo Teorema de Pitágoras (veja Exercício 4.15):

‖x−q‖2=‖(x−p)+(p−q)‖2=‖x−p‖2+‖p−q‖2≥‖x−p‖2,\|x-q\|^{2}=\big{\|}(x-p)+(p-q)\big{\|}^{2}=\|x-p\|^{2}+\|p-q\|^{2}\geq\|x-p\|% ^{2},

donde d⁢(x,p)≤d⁢(x,q)d(x,p)\leq d(x,q), para todo q∈Sq\in S. Isso mostra que d⁢(x,p)=d⁢(x,S)d(x,p)=d(x,S). Reciprocamente, suponha que d⁢(x,p)=d⁢(x,S)d(x,p)=d(x,S). Dado v∈Sv\in S, considere a função ϕ:ℝ→ℝ\phi:\mathds{R}\to\mathds{R} definida por:

ϕ⁢(t)=d⁢(x,p+t⁢v)2=‖(x−p)−t⁢v‖2,\phi(t)=d(x,p+tv)^{2}=\|(x-p)-tv\|^{2},

para todo t∈ℝt\in\mathds{R}. Temos:

ϕ⁢(t)=‖x−p‖2−2⁢t⁢ℜ⁡⟨x−p,v⟩+t2⁢‖v‖2,\phi(t)=\|x-p\|^{2}-2t\Re\langle x-p,v\rangle+t^{2}\|v\|^{2},

para todo t∈ℝt\in\mathds{R}. Como d⁢(x,p)=d⁢(x,S)d(x,p)=d(x,S), a função ϕ\phi possui um mínimo global em t=0t=0 e portanto:

ϕ′⁢(0)=−2⁢ℜ⁡⟨x−p,v⟩=0.\phi^{\prime}(0)=-2\Re\langle x-p,v\rangle=0.

Concluímos que:

ℜ⁡⟨x−p,v⟩=0,\Re\langle x-p,v\rangle=0, (4.1.9)

para todo v∈Sv\in S. Se 𝕂=ℝ\mathds{K}=\mathds{R}, a demonstração já está completa. Se 𝕂=ℂ\mathds{K}=\mathds{C}, podemos trocar vv por i⁢viv em (4.1.9), o que nos dá:

ℜ⁡⟨x−p,i⁢v⟩=−ℜ⁡(i⁢⟨x−p,v⟩)=ℑ⁡⟨x−p,v⟩=0,\Re\langle x-p,iv\rangle=-\Re\big{(}i\langle x-p,v\rangle\big{)}=\Im\langle x-% p,v\rangle=0,

onde ℑ⁡λ\Im\lambda denota a parte imaginária de um número complexo λ\lambda. Daí:

⟨x−p,v⟩=0\langle x-p,v\rangle=0

e a demonstração está completa. ∎

4.1.13 Definição.

Sejam (E,⟨⋅,⋅⟩)(E,\langle\cdot,\cdot\rangle) um espaço pré-Hilbertiano sobre 𝕂\mathds{K} e SS um subespaço vetorial de EE. Dado x∈Ex\in E então um ponto p∈Sp\in S com x−p∈S⟂x-p\in S^{\perp} é dito uma projeção ortogonal de xx em SS.

Temos que a projeção ortogonal de xx em SS é única quando existe; de fato, se p,q∈Sp,q\in S e x−p,x−q∈S⟂x-p,x-q\in S^{\perp} então p−q=(x−q)−(x−p)∈S⟂p-q=(x-q)-(x-p)\in S^{\perp} e p−q∈Sp-q\in S, de modo que ⟨p−q,p−q⟩=0\langle p-q,p-q\rangle=0 e p−q=0p-q=0.

4.1.14 Corolário.

Sejam (E,⟨⋅,⋅⟩)(E,\langle\cdot,\cdot\rangle) um espaço pré-Hilbertiano sobre 𝕂\mathds{K} e SS um subespaço vetorial de EE. Suponha que SS é completo (esse é o caso, por exemplo, se (E,⟨⋅,⋅⟩)(E,\langle\cdot,\cdot\rangle) é um espaço de Hilbert e SS é fechado em EE). Então todo x∈Ex\in E admite uma (única) projeção ortogonal p∈Sp\in S.

Demonstração.

Segue da Proposição 4.1.10 que existe p∈Sp\in S com d⁢(x,p)=d⁢(x,S)d(x,p)=d(x,S). O Lema 4.1.12 nos diz então que x−p∈S⟂x-p\in S^{\perp}. ∎

4.1.15 Corolário.

Sejam (E,⟨⋅,⋅⟩)(E,\langle\cdot,\cdot\rangle) um espaço pré-Hilbertiano sobre 𝕂\mathds{K} e SS um subespaço vetorial de EE. Suponha que SS é completo (esse é o caso, por exemplo, se (E,⟨⋅,⋅⟩)(E,\langle\cdot,\cdot\rangle) é um espaço de Hilbert e SS é fechado em EE). Então E=S⊕S⟂E=S\oplus S^{\perp}.

Demonstração.

Se v∈S∩S⟂v\in S\cap S^{\perp} então ⟨v,v⟩=0\langle v,v\rangle=0, de modo que v=0v=0. O Corolário 4.1.14 implica que todo elemento de EE é soma de um elemento de SS com um elemento de S⟂S^{\perp}, i.e., E=S+S⟂E=S+S^{\perp}. A conclusão segue. ∎