Exercícios para o Capítulo 2

Funções Mensuráveis

Exercício 2.1.

Sejam (X,𝒜)(X,\mathcal{A}), (X′,𝒜′)(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime}) espaços mensuráveis arbitrários. Mostre que toda função constante f:X→X′f:X\to X^{\prime} é mensurável.

Exercício 2.2.

Sejam XX um conjunto, 𝒜\mathcal{A} uma σ\sigma-álgebra de partes de XX e Y⊂XY\subset X um subconjunto. Mostre que 𝒜|Y\mathcal{A}|_{Y} é uma σ\sigma-álgebra de partes de YY.

Exercício 2.3.

Sejam XX um conjunto e Y⊂XY\subset X um subconjunto. Se 𝒞\mathcal{C} é um conjunto de geradores para uma σ\sigma-álgebra 𝒜\mathcal{A} de partes de XX, mostre que o conjunto:

𝒞|Y={E∩Y:E∈𝒞}\mathcal{C}|_{Y}=\big{\{}E\cap Y:E\in\mathcal{C}\big{\}}

é um conjunto de geradores para a σ\sigma-álgebra 𝒜|Y\mathcal{A}|_{Y} de partes de YY; em símbolos:

σ⁢[𝒞]|Y=σ⁢[𝒞|Y].\sigma[\mathcal{C}]|_{Y}=\sigma[\mathcal{C}|_{Y}].
Exercício 2.4.

Mostre que ℬ⁢(ℝ¯)|ℝ=ℬ⁢(ℝ)\mathcal{B}(\overline{\mathds{R}})|_{\mathds{R}}=\mathcal{B}(\mathds{R}).

Exercício 2.5.

Mostre que os intervalos [−∞,c][-\infty,c], c∈ℝc\in\mathds{R}, constituem um conjunto de geradores para a σ\sigma-álgebra de Borel de ℝ¯\overline{\mathds{R}}.

Exercício 2.6.

Seja (X,𝒜)(X,\mathcal{A}) um espaço mensurável e sejam f:X→ℝ¯f:X\to\overline{\mathds{R}}, g:X→ℝ¯g:X\to\overline{\mathds{R}} funções mensuráveis. Mostre que o conjunto:

{x∈X:f⁢(x)=g⁢(x)}\big{\{}x\in X:f(x)=g(x)\big{\}}

é mensurável.

Exercício 2.7.

Mostre que a função f:ℝ2→ℝf:\mathds{R}^{2}\to\mathds{R} definida por:

f⁢(x,y)={cos⁡xy,se y≥1,∑n=1∞ynn2,se −1<y<1,χℚ⁢(x+y),se y≤−1,f(x,y)=\begin{cases}\hfil\cos\frac{x}{y},&\text{se $y\geq 1$},\\[3.0pt] \sum_{n=1}^{\infty}\frac{y^{n}}{n^{2}},&\text{se $-1<y<1$},\\ \chi_{\lower 2.0pt\hbox{$\scriptstyle\mathbb{Q}$}}(x+y),&\text{se $y\leq-1$},% \end{cases}

é Borel mensurável.

Exercício 2.8.

Sejam X⊂ℝnX\subset\mathds{R}^{n} um subconjunto mensurável e (X′,𝒜′)(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime}) um espaço mensurável. Dada uma função f:X→X′f:X\to X^{\prime}, mostre que:

  • (a)
    ​

    se existe X1⊂XX_{1}\subset X tal que X∖X1X\setminus X_{1} tem medida nula e tal que f|X1f|_{X_{1}} é mensurável então ff é mensurável;

  • (b)
    ​

    se ff é mensurável e se g:X→X′g:X\to X^{\prime} é igual a ff quase sempre então gg também é mensurável;

  • (c)
    ​

    se (fk)k≥1(f_{k})_{k\geq 1} é uma seqüência de funções mensuráveis fk:X→ℝ¯f_{k}:X\to\overline{\mathds{R}} e se fk→gf_{k}\to g q. s. então g:X→ℝ¯g:X\to\overline{\mathds{R}} também é mensurável.

Exercício 2.9.

Denote por π:ℝm+n→ℝm\pi:\mathds{R}^{m+n}\to\mathds{R}^{m} a projeção nas mm primeiras coordenadas. Mostre que a função:

π:(ℝm+n,ℳ⁢(ℝm+n))⟶(ℝm,ℳ⁢(ℝm)),\pi:\big{(}\mathds{R}^{m+n},\mathcal{M}(\mathds{R}^{m+n})\big{)}% \longrightarrow\big{(}\mathds{R}^{m},\mathcal{M}(\mathds{R}^{m})\big{)},

é mensurável (note que não estamos seguindo a convenção 2.1.3).

Exercício 2.10.

Seja f:X→ℝnf:X\to\mathds{R}^{n} uma função definida num subconjunto XX de ℝm\mathds{R}^{m}. Recorde que o gráfico de ff é o conjunto:

gr⁢(f)={(x,f⁢(x)):x∈X}⊂ℝm+n.\mathrm{gr}(f)=\big{\{}\big{(}x,f(x)\big{)}:x\in X\big{\}}\subset\mathds{R}^{m% +n}. (2.8.10)

Mostre que:

  • •
    ​

    se XX é Boreleano e ff é Borel mensurável então gr⁢(f)\mathrm{gr}(f) é Boreleano;

  • •
    ​

    se XX é mensurável e ff é mensurável então gr⁢(f)\mathrm{gr}(f) é mensurável.

Definição da Integral

Exercício 2.11.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e f:X→ℝ¯f:X\to\overline{\mathds{R}} uma função mensurável. Mostre que:

  • (a)
    ​

    ff é integrável se e somente se |f||f| é integrável;

  • (b)
    ​

    se ff é quase integrável então:

    |∫Xf⁢dμ|≤∫X|f|⁢dμ.\Big{|}\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu\Big{|}\leq\int_{X}|f|\,\mathrm{d}\mu.
Exercício 2.12.

Seja (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e seja (fk)k≥1(f_{k})_{k\geq 1} uma seqüência de funções mensuráveis fk:X→[0,+∞]f_{k}:X\to[0,+\infty]. Se f⁢(x)=∑k=1∞fk⁢(x)f(x)=\sum_{k=1}^{\infty}f_{k}(x), mostre que:

∫Xf⁢dμ=∑k=1∞∫Xfk⁢dμ.\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu=\sum_{k=1}^{\infty}\int_{X}f_{k}\,\mathrm{d}\mu.
Exercício 2.13.

Seja (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida. Dada uma função mensurável f:X→[0,+∞]f:X\to[0,+\infty], mostre que a aplicação νf:𝒜→[0,+∞]\nu_{f}:\mathcal{A}\to[0,+\infty] definida por:

νf⁢(E)=∫Ef⁢dμ,E∈𝒜,\nu_{f}(E)=\int_{E}f\,\mathrm{d}\mu,\quad E\in\mathcal{A},

é uma medida (a medida νf\nu_{f} é chamada a integral indefinida de ff e é denotada por νf=∫f⁢dμ\nu_{f}=\int f\,\mathrm{d}\mu).

Exercício 2.14.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e f:X→ℝ¯f:X\to\overline{\mathds{R}} uma função quase integrável. Mostre que:

  • (a)
    ​

    se (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} é uma seqüência de conjuntos mensuráveis dois a dois disjuntos e se A=⋃k=1∞AkA=\bigcup_{k=1}^{\infty}A_{k} então:

    ∫Af⁢dμ=∑k=1∞∫Akf⁢dμ=deflimr→∞∑k=1r∫Akf⁢dμ;\int_{A}f\,\mathrm{d}\mu=\sum_{k=1}^{\infty}\int_{A_{k}}f\,\mathrm{d}\mu% \stackrel{{\scriptstyle\text{def}}}{{=}}\lim_{r\to\infty}\sum_{k=1}^{r}\int_{A% _{k}}f\,\mathrm{d}\mu;
  • (b)
    ​

    se (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} é uma seqüência de conjuntos mensuráveis e Ak↗AA_{k}\nearrow A então:

    ∫Af⁢dμ=limk→∞∫Akf⁢dμ;\int_{A}f\,\mathrm{d}\mu=\lim_{k\to\infty}\int_{A_{k}}f\,\mathrm{d}\mu; (2.8.11)
  • (c)
    ​

    se (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} é uma seqüência de conjuntos mensuráveis, Ak↘AA_{k}\searrow A e se f|A1f|_{A_{1}} é integrável então vale a igualdade (2.8.11).

Definição 2.1.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) e (X′,𝒜′,μ′)(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime},\mu^{\prime}) espaços de medida. Dizemos que uma função ϕ:X→X′\phi:X\to X^{\prime} preserva medida se ϕ\phi é mensurável e se μ⁢(ϕ−1⁢(A))=μ′⁢(A)\mu\big{(}\phi^{-1}(A)\big{)}=\mu^{\prime}(A), para todo A∈𝒜′A\in\mathcal{A}^{\prime}.

Exercício 2.15.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida, (X′,𝒜′)(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime}) um espaço mensurável e ϕ:X→X′\phi:X\to X^{\prime} uma aplicação mensurável. Mostre que:

  • (a)
    ​

    a aplicação (ϕ∗⁢μ):𝒜′→[0,+∞](\phi_{*}\mu):\mathcal{A}^{\prime}\to[0,+\infty] definida por:

    (ϕ∗⁢μ)⁢(A)=μ⁢(ϕ−1⁢(A)),(\phi_{*}\mu)(A)=\mu\big{(}\phi^{-1}(A)\big{)},

    para todo A∈𝒜′A\in\mathcal{A}^{\prime}, é uma medida em 𝒜′\mathcal{A}^{\prime};

  • (b)
    ​

    se μ′\mu^{\prime} é uma medida em 𝒜′\mathcal{A}^{\prime} então ϕ:(X,𝒜,μ)→(X′,𝒜′,μ′)\phi:(X,\mathcal{A},\mu)\to(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime},\mu^{\prime}) preserva medida se e somente se ϕ∗⁢μ=μ′\phi_{*}\mu=\mu^{\prime}.

Dizemos que ϕ∗⁢μ\phi_{*}\mu é a imagem da medida μ\mu pela aplicação mensurável ϕ\phi.

Exercício 2.16.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) e (X′,𝒜′,μ′)(X^{\prime},\mathcal{A}^{\prime},\mu^{\prime}) espaços de medida e seja ϕ:X→X′\phi:X\to X^{\prime} uma função que preserva medida. Dada uma função mensurável f:X′→ℝ¯f:X^{\prime}\to\overline{\mathds{R}}, mostre que ff é quase integrável se e somente se f∘ϕf\circ\phi é quase integrável e, nesse caso:

∫X′f⁢dμ′=∫Xf∘ϕ⁢dμ.\int_{X^{\prime}}f\,\mathrm{d}\mu^{\prime}=\int_{X}f\circ\phi\,\mathrm{d}\mu.
Exercício 2.17.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida, 𝒜′\mathcal{A}^{\prime} uma σ\sigma-álgebra de partes de XX contida em 𝒜\mathcal{A} e μ′\mu^{\prime} a restrição de μ\mu a 𝒜′\mathcal{A}^{\prime}. Dada uma função mensurável f:(X,𝒜′)→ℝ¯f:(X,\mathcal{A}^{\prime})\to\overline{\mathds{R}}, mostre que ff é quase integrável com respeito a μ\mu se e somente se ff é quase integrável com respeito a μ′\mu^{\prime} e, nesse caso ∫Xf⁢dμ=∫Xf⁢dμ′\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu=\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu^{\prime}.

Definição 2.2.

Seja XX um conjunto. A aplicação μ:℘⁢(X)→[0,+∞]\mu:\wp(X)\to[0,+\infty] definida por:

μ⁢(E)=número de elementos do conjunto E,E⊂X,\mu(E)=\text{número de elementos do conjunto $E$},\quad E\subset X,

é chamada a medida de contagem.

Exercício 2.18.

Seja XX o conjunto dos números inteiros positivos e seja μ:℘⁢(X)→[0,+∞]\mu:\wp(X)\to[0,+\infty] a medida de contagem. Mostre que:

  • •
    ​

    dada uma função f:X→[0,+∞]f:X\to[0,+\infty] então:

    ∫Xf⁢dμ=∑n=1∞f⁢(n);\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu=\sum_{n=1}^{\infty}f(n); (2.8.12)
  • •
    ​

    uma função f:X→ℝ¯f:X\to\overline{\mathds{R}} é integrável se e somente se a série ∑n=1∞f⁢(n)\sum_{n=1}^{\infty}f(n) é absolutamente convergente e nesse caso vale a identidade (2.8.12).

Exercício 2.19.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e f:X→ℝ¯f:X\to\overline{\mathds{R}} uma função quase integrável. Mostre que:

  • •
    ​

    se ∫Xf⁢dμ<+∞\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu<+\infty então f⁢(x)<+∞f(x)<+\infty para quase todo x∈Xx\in X;

  • •
    ​

    se ∫Xf⁢dμ>−∞\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu>-\infty então f⁢(x)>−∞f(x)>-\infty para quase todo x∈Xx\in X;

  • •
    ​

    se ff é integrável então f⁢(x)∈ℝf(x)\in\mathds{R} para quase todo x∈Xx\in X.

Exercício 2.20.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e f:X→ℝ¯f:X\to\overline{\mathds{R}}, g:X→ℝ¯g:X\to\overline{\mathds{R}} funções mensuráveis, com gg quase integrável. Mostre que:

  • •
    ​

    se ∫Xg⁢dμ>−∞\int_{X}g\,\mathrm{d}\mu>-\infty e f≥gf\geq g q. s. então ff é quase integrável e ∫Xf⁢dμ>−∞\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu>-\infty;

  • •
    ​

    se ∫Xg⁢dμ<+∞\int_{X}g\,\mathrm{d}\mu<+\infty e f≤gf\leq g q. s. então ff é quase integrável e ∫Xf⁢dμ<+∞\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu<+\infty;

  • •
    ​

    se gg é integrável e |f|≤g|f|\leq g q. s. então ff é integrável.

Exercício 2.21.

Seja (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida. Dada uma função mensurável f:X→[0,+∞]f:X\to[0,+\infty], mostre que ∫Xf⁢dμ=0\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu=0 se e somente se f=0f=0 quase sempre.

Exercício 2.22.

Seja (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida. Dadas funções integráveis f:X→ℝ¯f:X\to\overline{\mathds{R}}, g:X→ℝ¯g:X\to\overline{\mathds{R}} tais que f≤gf\leq g e:

∫Xf⁢dμ=∫Xg⁢dμ,\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu=\int_{X}g\,\mathrm{d}\mu,

mostre que f=gf=g quase sempre.

Exercício 2.23.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e f:X→ℝ¯f:X\to\overline{\mathds{R}} uma função integrável. Mostre que para todo ε>0\varepsilon>0 existe um δ>0\delta>0 tal que para todo conjunto mensurável A∈𝒜A\in\mathcal{A} com μ⁢(A)<δ\mu(A)<\delta temos:

|∫Af⁢dμ|<ε.\Big{|}\int_{A}f\,\mathrm{d}\mu\Big{|}<\varepsilon.
Exercício 2.24.

Seja f:I→ℝ¯f:I\to\overline{\mathds{R}} uma função integrável definida num intervalo I⊂ℝI\subset\mathds{R}. Fixado t0∈It_{0}\in I, considere a função F:I→ℝF:I\to\mathds{R} definida por:

F⁢(t)=∫t0tf⁢d𝔪,F(t)=\int_{t_{0}}^{t}f\,\mathrm{d}\mathfrak{m},

para todo t∈It\in I. Mostre que:

  • (a)
    ​

    FF é contínua;

  • (b)
    ​

    dado ε>0\varepsilon>0, existe δ>0\delta>0 tal que dados n≥1n\geq 1 e intervalos abertos dois a dois disjuntos ]xi,yi[⊂I\left]x_{i},y_{i}\right[\subset I, i=1,…,ni=1,\ldots,n, então:

    ∑i=1nyi−xi<δ⟹∑i=1n|F⁢(yi)−F⁢(xi)|<ε;\sum_{i=1}^{n}y_{i}-x_{i}<\delta\Longrightarrow\sum_{i=1}^{n}|F(y_{i})-F(x_{i}% )|<\varepsilon;
  • (c)
    ​

    se ff é limitada então FF é Lipschitziana com constante de Lipschitz igual a supt∈I|f⁢(t)|\sup_{t\in I}|f(t)|;

  • (d)
    ​

    (teorema fundamental do cálculo) se ff é contínua num ponto t∈It\in I então FF é derivável no ponto tt e F′⁢(t)=f⁢(t)F^{\prime}(t)=f(t);

  • (e)
    ​

    se ff é contínua e G:I→ℝG:I\to\mathds{R} é uma primitiva qualquer de ff (i.e., G′=fG^{\prime}=f) então:

    ∫abf⁢d𝔪=G⁢(b)−G⁢(a),\int_{a}^{b}f\,\mathrm{d}\mathfrak{m}=G(b)-G(a),

    para todos a,b∈Ia,b\in I.

Exercício 2.25.

(integração por partes) Se f:[a,b]→ℝf:[a,b]\to\mathds{R}, g:[a,b]→ℝg:[a,b]\to\mathds{R} são funções de classe C1C^{1}, mostre que:

∫abf⁢(x)⁢g′⁢(x)⁢d𝔪⁢(x)=f⁢(b)⁢g⁢(b)−f⁢(a)⁢g⁢(a)−∫abf′⁢(x)⁢g⁢(x)⁢d𝔪⁢(x).\int_{a}^{b}f(x)g^{\prime}(x)\,\mathrm{d}\mathfrak{m}(x)=f(b)g(b)-f(a)g(a)-% \int_{a}^{b}f^{\prime}(x)g(x)\,\mathrm{d}\mathfrak{m}(x).

Teoremas de Convergência

Exercício 2.26.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e (fk)k≥1(f_{k})_{k\geq 1} uma seqüência de funções integráveis (resp., quase integráveis) fk:X→ℝf_{k}:X\to\mathds{R}. Suponha que (fk)k≥1(f_{k})_{k\geq 1} converge uniformemente para uma função f:X→ℝf:X\to\mathds{R}, i.e., para todo ε>0\varepsilon>0 existe k0≥1k_{0}\geq 1 tal que |fk⁢(x)−f⁢(x)|<ε|f_{k}(x)-f(x)|<\varepsilon, para todo x∈Xx\in X e todo k≥k0k\geq k_{0}. Se μ⁢(X)<+∞\mu(X)<+\infty, mostre que ff também é integrável (resp., quase integrável) e que:

∫Xf⁢dμ=limk→∞∫Xfk⁢dμ.\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu=\lim_{k\to\infty}\int_{X}f_{k}\,\mathrm{d}\mu.
Exercício 2.27.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e (fk)k≥1(f_{k})_{k\geq 1} uma seqüência de funções integráveis fk:X→ℝf_{k}:X\to\mathds{R} tal que:

∑k=1∞∫X|fk|⁢dμ<+∞.\sum_{k=1}^{\infty}\int_{X}|f_{k}|\,\mathrm{d}\mu<+\infty.

Mostre que:

  • •
    ​

    a série ∑k=1∞fk⁢(x)\sum_{k=1}^{\infty}f_{k}(x) é absolutamente convergente para quase todo x∈Xx\in X;

  • •
    ​

    se f:X→ℝf:X\to\mathds{R} é uma função mensurável tal que f=∑k=1∞fkf=\sum_{k=1}^{\infty}f_{k} q. s. então ff é integrável e:

    ∫Xf⁢dμ=∑k=1∞∫Xfk⁢dμ∈ℝ.\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu=\sum_{k=1}^{\infty}\int_{X}f_{k}\,\mathrm{d}\mu\in% \mathds{R}.
Exercício 2.28.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e f:X→ℝf:X\to\mathds{R} uma função integrável. Mostre que para todo ε>0\varepsilon>0 existe uma função simples integrável ϕ:X→ℝ\phi:X\to\mathds{R} tal que:

∫X|f−ϕ|⁢dμ<ε.\int_{X}|f-\phi|\,\mathrm{d}\mu<\varepsilon.
Exercício 2.29.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida, (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} uma seqüência de subconjuntos mensuráveis de XX e f:X→ℝ¯f:X\to\overline{\mathds{R}} uma função quase integrável. Assuma que para todo x∈Xx\in X o conjunto:

{k≥1:x∉Ak}\big{\{}k\geq 1:x\not\in A_{k}\big{\}}

é finito. Mostre que:

∫Xf⁢dμ=limk→∞∫Akf⁢dμ.\int_{X}f\,\mathrm{d}\mu=\lim_{k\to\infty}\int_{A_{k}}f\,\mathrm{d}\mu.
Exercício 2.30.

Seja f:ℝ→ℝf:\mathds{R}\to\mathds{R} uma função integrável. Mostre que as funções:

g1⁢(t)=∫ℝf⁢(x)⁢cos⁡(t⁢x)⁢d𝔪⁢(x),g2⁢(t)=∫ℝf⁢(x)⁢sen⁢(t⁢x)⁢d𝔪⁢(x),g_{1}(t)=\int_{\mathds{R}}f(x)\cos(tx)\,\mathrm{d}\mathfrak{m}(x),\quad g_{2}(% t)=\int_{\mathds{R}}f(x)\mathrm{sen}(tx)\,\mathrm{d}\mathfrak{m}(x),

são contínuas e que:

limt→±∞g1⁢(t)=0,limt→±∞g2⁢(t)=0.\lim_{t\to\pm\infty}g_{1}(t)=0,\quad\lim_{t\to\pm\infty}g_{2}(t)=0.
Exercício 2.31.

Considere a função ϕ:ℝ→ℝ\phi:\mathds{R}\to\mathds{R} definida por:

ϕ⁢(t)=∫ℝe−x2⁢cos⁡(t⁢x)⁢d𝔪⁢(x),\phi(t)=\int_{\mathds{R}}e^{-x^{2}}\cos(tx)\,\mathrm{d}\mathfrak{m}(x),

para todo t∈ℝt\in\mathds{R}.

  • (a)
    ​

    Mostre que ϕ\phi é derivável e que:

    ϕ′⁢(t)=−t2⁢ϕ⁢(t),\phi^{\prime}(t)=-\frac{t}{2}\,\phi(t),

    para todo t∈ℝt\in\mathds{R}.

  • (b)
    ​

    Mostre que ϕ⁢(t)=c⁢e−t24\phi(t)=ce^{-\frac{t^{\hbox to0.0pt{$\scriptscriptstyle 2$\hskip 0.0pt minus 1% .0fil}}}{4}}, para todo t∈ℝt\in\mathds{R}, onde:

    c=∫ℝe−x2⁢d𝔪⁢(x).c=\int_{\mathds{R}}e^{-x^{2}}\,\mathrm{d}\mathfrak{m}(x). (2.8.13)

No Exercício 3.5 pediremos ao leitor para calcular explicitamente a integral em (2.8.13).

Exercício 2.32.

Considere a função ϕ:]0,+∞[→ℝ\phi:\left]0,+\infty\right[\to\mathds{R} definida por:

ϕ⁢(t)=∫0+∞e−t⁢x⁢sen⁢xx⁢d𝔪⁢(x),\phi(t)=\int_{0}^{+\infty}e^{-tx}\,\frac{\mathrm{sen}\,x}{x}\,\mathrm{d}% \mathfrak{m}(x),

para todo t>0t>0.

  • (a)
    ​

    Mostre que ϕ\phi é derivável e que ϕ′⁢(t)=−11+t2\phi^{\prime}(t)=-\frac{1}{1+t^{2}}, para todo t>0t>0.

  • (b)
    ​

    Mostre que limt→+∞ϕ⁢(t)=0\lim_{t\to+\infty}\phi(t)=0.

  • (c)
    ​

    Conclua que ϕ⁢(t)=π2−arctan⁡t\phi(t)=\frac{\pi}{2}-\arctan t, para todo t>0t>0.

  • (d)
    ​

    Usando integração por partes, verifique que:

    ϕ⁢(t)=∫01e−t⁢x⁢sen⁢xx⁢d𝔪⁢(x)+e−t⁢cos⁡1−∫1+∞cos⁡x⁢e−t⁢x⁢1+t⁢xx2⁢d⁢𝔪⁢(x),\phi(t)=\int_{0}^{1}e^{-tx}\,\frac{\mathrm{sen}\,x}{x}\,\mathrm{d}\mathfrak{m}% (x)+e^{-t}\cos 1-\int_{1}^{+\infty}\cos x\;e^{-tx}\,\frac{1+tx}{x^{2}}\,% \mathrm{d}\mathfrak{m}(x),

    para todo t>0t>0.

  • (e)
    ​

    Mostre que:

    limt→0ϕ⁢(t)=(R)⁢∫0+∞f=π2,\lim_{t\to 0}\phi(t)=\raise 2.0pt\hbox{$\scriptstyle(R)$}\!\!\int_{0}^{+\infty% }f=\frac{\pi}{2},

    onde f:[0,+∞[→ℝf:\left[0,+\infty\right[\to\mathds{R} é definida por f⁢(x)=sen⁢xxf(x)=\frac{\mathrm{sen}\,x}{x}, para x>0x>0 e f⁢(0)=1f(0)=1.

Mais sobre Convergência de Seqüências de Funções

Exercício 2.33.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida, (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} uma seqüência de funções mensuráveis fn:X→ℝf_{n}:X\to\mathds{R} e f:X→ℝf:X\to\mathds{R} uma função mensurável. Se (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} converge em medida para ff, mostre que toda subseqüência de (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} também converge em medida para ff.

Exercício 2.34.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} uma seqüência pontualmente de Cauchy quase sempre. Mostre que existe uma função f:X→ℝf:X\to\mathds{R} tal que fn→ff_{n}\to f pontualmente q. s.; se as funções fnf_{n} são todas mensuráveis, mostre que podemos escolher a função ff também mensurável.

Exercício 2.35.

Mostre que toda seqüência uniformemente de Cauchy quase sempre é quase uniformemente de Cauchy e que toda seqüência quase uniformemente de Cauchy é pontualmente de Cauchy quase sempre.

Exercício 2.36.

Se XX é um conjunto, (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} é uma seqüência uniformemente de Cauchy de funções fn:X→ℝf_{n}:X\to\mathds{R} e f:X→ℝf:X\to\mathds{R} é uma função tal que fn→ff_{n}\to f pontualmente, mostre que fn→uff_{n}\xrightarrow{\;\mathrm{u}\;}f. Se (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) é um espaço de medida, (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} é uniformemente de Cauchy quase sempre (resp., quase uniformemente de Cauchy) e fn→ff_{n}\to f pontualmente q. s., mostre que fn→uff_{n}\xrightarrow{\;\mathrm{u}\;}f q. s. (resp., que fn→quff_{n}\xrightarrow{\;\mathrm{qu}\;}f).

Exercício 2.37.

Mostre que:

  • •
    ​

    toda seqüência uniformemente convergente (resp., quase sempre) é uniformemente de Cauchy (resp., quase sempre);

  • •
    ​

    toda seqüência quase uniformemente convergente é quase uniformemente de Cauchy;

  • •
    ​

    toda seqüência de funções mensuráveis que é convergente em medida é de Cauchy em medida.

Exercício 2.38.

Seja (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida com μ⁢(X)<+∞\mu(X)<+\infty e seja (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} uma seqüência de funções mensuráveis fn:X→ℝf_{n}:X\to\mathds{R}. Mostre que se (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} é pontualmente de Cauchy quase sempre então (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} é quase uniformemente de Cauchy.

Exercício 2.39.

Mostre que se uma seqüência de funções mensuráveis é quase uniformemente de Cauchy então ela é de Cauchy em medida.

Exercício 2.40.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida, (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} uma seqüência de funções mensuráveis fn:X→ℝf_{n}:X\to\mathds{R} que é de Cauchy em medida e (fnk)k≥1(f_{n_{k}})_{k\geq 1} uma subseqüência de (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} que converge em medida para uma função mensurável f:X→ℝf:X\to\mathds{R}. Mostre que (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} também converge em medida para ff.

Exercício 2.41.

Sejam (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida, (fn)n≥1(f_{n})_{n\geq 1} uma seqüência de funções mensuráveis fn:X→ℝf_{n}:X\to\mathds{R} e f:X→ℝf:X\to\mathds{R}, g:X→ℝg:X\to\mathds{R} funções mensuráveis. Se fn→𝜇ff_{n}\xrightarrow{\;\mathrm{\mu}\;}f e fn→𝜇gf_{n}\xrightarrow{\;\mathrm{\mu}\;}g, mostre que f⁢(x)=g⁢(x)f(x)=g(x) para quase todo x∈Xx\in X.

O Teorema de Fubini em ℝn{\mathds{R}^{n}}

Exercício 2.42.

Seja f:X→ℝnf:X\to\mathds{R}^{n} uma função definida num subconjunto XX de ℝm\mathds{R}^{m}. Mostre que se o gráfico de ff (recorde (2.8.10)) é mensurável então 𝔪⁢(gr⁢(f))=0\mathfrak{m}\big{(}\mathrm{gr}(f)\big{)}=0.

Exercício 2.43.

Sejam X⊂ℝmX\subset\mathds{R}^{m}, Y⊂ℝnY\subset\mathds{R}^{n} conjuntos mensuráveis e f:X→ℝ¯f:X\to\overline{\mathds{R}}, g:Y→ℝ¯g:Y\to\overline{\mathds{R}} funções integráveis. Mostre que a função:

X×Y∋(x,y)⟼f⁢(x)⁢g⁢(y)∈ℝ¯X\times Y\ni(x,y)\longmapsto f(x)g(y)\in\overline{\mathds{R}}

é integrável e que sua integral é dada por:

∫X×Yf⁢(x)⁢g⁢(y)⁢d𝔪⁢(x,y)=(∫Xf⁢d𝔪)⁢(∫Yg⁢d𝔪).\int_{X\times Y}f(x)g(y)\,\mathrm{d}\mathfrak{m}(x,y)=\Big{(}\int_{X}f\,% \mathrm{d}\mathfrak{m}\Big{)}\Big{(}\int_{Y}g\,\mathrm{d}\mathfrak{m}\Big{)}.
Exercício 2.44.

Seja Δn\Delta_{n} o simplexo padrão nn-dimensional definido por:

Δn={(x1,…,xn)∈[0,+∞[n:∑i=1nxi≤1}.\Delta_{n}=\Big{\{}(x_{1},\ldots,x_{n})\in\left[0,+\infty\right[^{n}:\sum_{i=1% }^{n}x_{i}\leq 1\Big{\}}.
  • (a)
    ​

    Mostre que Δn\Delta_{n} é mensurável para todo n≥1n\geq 1.

  • (b)
    ​

    Se an=𝔪⁢(Δn)a_{n}=\mathfrak{m}(\Delta_{n}), mostre que:

    an=an−1⁢∫01(1−t)n−1⁢d𝔪⁢(t),a_{n}=a_{n-1}\int_{0}^{1}(1-t)^{n-1}\,\mathrm{d}\mathfrak{m}(t),

    para todo n≥1n\geq 1.

  • (c)
    ​

    Determine 𝔪⁢(Δn)\mathfrak{m}(\Delta_{n}).