Exercícios para o Capítulo 1

Aritmética na Reta Estendida

Exercício 1.1.

Mostre que todo subconjunto da reta estendida possui supremo e ínfimo.

Exercício 1.2.

Prove o Lema 1.1.7.

Exercício 1.3.

Dadas famílias (ai)i∈I(a_{i})_{i\in I} e (bj)j∈J(b_{j})_{j\in J} em ℝ¯\overline{\mathds{R}} tais que a soma ai+bja_{i}+b_{j} é bem definida para todos i∈Ii\in I, j∈Jj\in J, mostre que:

sup{ai+bj:i∈I,j∈J}=supi∈Iai+supj∈Jbj,\sup\big{\{}a_{i}+b_{j}:i\in I,\ j\in J\big{\}}=\sup_{i\in I}a_{i}+\sup_{j\in J% }b_{j},

desde que a soma supi∈Iai+supj∈Jbj\sup_{i\in I}a_{i}+\sup_{j\in J}b_{j} esteja bem definida. Mostre também que:

inf{ai+bj:i∈I,j∈J}=infi∈Iai+infj∈Jbj,\inf\big{\{}a_{i}+b_{j}:i\in I,\ j\in J\big{\}}=\inf_{i\in I}a_{i}+\inf_{j\in J% }b_{j},

desde que a soma infi∈Iai+infj∈Jbj\inf_{i\in I}a_{i}+\inf_{j\in J}b_{j} esteja bem definida.

Exercício 1.4.

Prove o Lema 1.1.8.

Exercício 1.5.

Sejam (ak)k≥1(a_{k})_{k\geq 1} e (bk)k≥1(b_{k})_{k\geq 1} seqüências crescentes no intervalo [0,+∞][0,+\infty]. Mostre que:

limk→∞ak⁢bk=(limk→∞ak)⁢(limk→∞bk).\lim_{k\to\infty}a_{k}b_{k}=\big{(}\lim_{k\to\infty}a_{k}\big{)}\big{(}\lim_{k% \to\infty}b_{k}\big{)}.
Exercício 1.6.

Prove a Proposição 1.1.10.

Exercício 1.7.

Prove a Proposição 1.1.12.

*Exercício 1.8.
  • •
    ​

    Mostre que os conjuntos:

    ]a,b[,a,b∈ℝ¯,a<b,\displaystyle\left]a,b\right[,\quad a,b\in\overline{\mathds{R}},\ a<b,
    [−∞,a[,a∈ℝ¯,a>−∞,\displaystyle\left[-\infty,a\right[,\quad a\in\overline{\mathds{R}},\ a>-\infty,
    ]a,+∞],a∈ℝ¯,a<+∞,\displaystyle\left]a,+\infty\right],\quad a\in\overline{\mathds{R}},\ a<+\infty,

    constituem uma base de abertos para uma topologia em ℝ¯\overline{\mathds{R}}.

  • •
    ​

    Mostre que a aplicação f:[−1,1]→ℝ¯f:[-1,1]\to\overline{\mathds{R}} definida por:

    f⁢(x)={−∞,se x=−1,x1−x2,se x∈]−1,1[,+∞,se x=1,f(x)=\begin{cases}\hfil-\infty,&\text{se $x=-1$},\\[3.0pt] \dfrac{x}{1-x^{2}},&\text{se $x\in\left]-1,1\right[$},\\[5.0pt] \hfil+\infty,&\text{se $x=1$},\end{cases}

    é um homeomorfismo.

  • •
    ​

    Mostre que uma seqüência (ak)k≥1(a_{k})_{k\geq 1} em ℝ¯\overline{\mathds{R}} converge para um elemento a∈ℝ¯a\in\overline{\mathds{R}} com respeito à topologia introduzida acima se e somente se (ak)k≥1(a_{k})_{k\geq 1} converge para aa de acordo com a Definição 1.1.6.

  • •
    ​

    Mostre que a função D+∋(a,b)↦a+b∈ℝ¯D_{+}\ni(a,b)\mapsto a+b\in\overline{\mathds{R}} é contínua, onde:

    D+=(ℝ¯×ℝ¯)∖{(−∞,+∞),(+∞,−∞)}D_{+}=(\,\overline{\mathds{R}}\times\overline{\mathds{R}}\,)\setminus\big{\{}(% -\infty,+\infty),(+\infty,-\infty)\big{\}}

    é munido da topologia induzida pela topologia produto de ℝ¯×ℝ¯\overline{\mathds{R}}\times\overline{\mathds{R}}.

  • •
    ​

    Mostre que a função ℝ¯×ℝ¯∋(a,b)↦a⁢b∈ℝ¯\overline{\mathds{R}}\times\overline{\mathds{R}}\ni(a,b)\mapsto ab\in\overline% {\mathds{R}} é contínua, exceto nos pontos (+∞⁢,0)(+\infty,0), (−∞⁢,0)(-\infty,0), (0,+∞)(0,+\infty) e (0,−∞)(0,-\infty).

Medida de Lebesgue em ℝn{\mathds{R}^{n}}

Exercício 1.9.

Dado A⊂ℝnA\subset\mathds{R}^{n}, mostre que:

𝔪∗⁢(A)=inf{𝔪⁢(U):U aberto em ℝn e A⊂U}.\mathfrak{m}^{*}(A)=\inf\big{\{}\mathfrak{m}(U):\text{$U$ aberto em $\mathds{R% }^{n}$ e $A\subset U$}\big{\}}.
Exercício 1.10.

Se A⊂ℝnA\subset\mathds{R}^{n} é um conjunto mensurável, mostre que A+xA+x também é mensurável para todo x∈ℝnx\in\mathds{R}^{n}.

Exercício 1.11.

Seja σ\sigma uma permutação de nn elementos, ou seja, uma bijeção do conjunto {1,…,n}\{1,\ldots,n\} sobre si próprio. Considere o isomorfismo linear σ^:ℝn→ℝn\widehat{\sigma}:\mathds{R}^{n}\to\mathds{R}^{n} definido por:

σ^⁢(x1,…,xn)=(xσ⁢(1),…,xσ⁢(n)),\widehat{\sigma}(x_{1},\ldots,x_{n})=(x_{\sigma(1)},\ldots,x_{\sigma(n)}),

para todo (x1,…,xn)∈ℝn(x_{1},\ldots,x_{n})\in\mathds{R}^{n}. Mostre que:

  • (a)
    ​

    se BB é um bloco retangular nn-dimensional então σ^⁢(B)\widehat{\sigma}(B) é também um bloco retangular nn-dimensional e |σ^⁢(B)|=|B||\widehat{\sigma}(B)|=|B|;

  • (b)
    ​

    para todo A⊂ℝnA\subset\mathds{R}^{n}, vale a igualdade 𝔪∗⁢(σ^⁢(A))=𝔪∗⁢(A)\mathfrak{m}^{*}\big{(}\widehat{\sigma}(A)\big{)}=\mathfrak{m}^{*}(A);

  • (c)
    ​

    se A⊂ℝnA\subset\mathds{R}^{n} é mensurável então σ^⁢(A)\widehat{\sigma}(A) também é mensurável.

Exercício 1.12.

Dado um vetor λ=(λ1,…,λn)∈ℝn\lambda=(\lambda_{1},\ldots,\lambda_{n})\in\mathds{R}^{n} com todas as coordenadas não nulas, consideramos o isomorfismo linear Dλ:ℝn→ℝnD_{\lambda}:\mathds{R}^{n}\to\mathds{R}^{n} definido por:

Dλ⁢(x1,…,xn)=(λ1⁢x1,…,λn⁢xn),D_{\lambda}(x_{1},\ldots,x_{n})=(\lambda_{1}x_{1},\ldots,\lambda_{n}x_{n}),

para todo (x1,…,xn)∈ℝn(x_{1},\ldots,x_{n})\in\mathds{R}^{n}. Mostre que:

  • (a)
    ​

    se BB é um bloco retangular nn-dimensional então Dλ⁢(B)D_{\lambda}(B) é também um bloco retangular nn-dimensional e:

    |Dλ⁢(B)|=|λ1|⁢⋯⁢|λn|⁢|B|=|detDλ|⁢|B|;|D_{\lambda}(B)|=|\lambda_{1}|\cdots|\lambda_{n}|\,|B|=|\det D_{\lambda}|\,|B|;
  • (b)
    ​

    para todo A⊂ℝnA\subset\mathds{R}^{n}, vale a igualdade 𝔪∗⁢(Dλ⁢(A))=|detDλ|⁢𝔪∗⁢(A)\mathfrak{m}^{*}\big{(}D_{\lambda}(A)\big{)}=|\det D_{\lambda}|\,\mathfrak{m}^% {*}(A);

  • (c)
    ​

    se A⊂ℝnA\subset\mathds{R}^{n} é mensurável então Dλ⁢(A)D_{\lambda}(A) também é mensurável.

Definição 1.1.

Dados conjuntos AA e BB então a diferença simétrica de AA e BB é definida por:

A△B=(A∖B)∪(B∖A).A\bigtriangleup B=(A\setminus B)\cup(B\setminus A).
Exercício 1.13.

Sejam A,B⊂ℝnA,B\subset\mathds{R}^{n} tais que 𝔪∗⁢(A△B)=0\mathfrak{m}^{*}(A\bigtriangleup B)=0. Mostre que:

  • •
    ​

    𝔪∗⁢(A)=𝔪∗⁢(B)\mathfrak{m}^{*}(A)=\mathfrak{m}^{*}(B);

  • •
    ​

    AA é mensurável se e somente se BB é mensurável.

Exercício 1.14.

Dado um subconjunto mensurável A⊂ℝnA\subset\mathds{R}^{n} tal que 𝔪⁢(A)<+∞\mathfrak{m}(A)<+\infty, mostre que, para todo ε>0\varepsilon>0, existem blocos retangulares nn-dimensionais B1B_{1}, …, BtB_{t} com interiores dois a dois disjuntos de modo que:

𝔪⁢((⋃k=1tBk)△A)<ε.\mathfrak{m}\Big{(}\big{(}{\textstyle\bigcup_{k=1}^{t}B_{k}}\big{)}% \bigtriangleup A\Big{)}<\varepsilon.
Exercício 1.15.

Dados subconjuntos A,B⊂ℝnA,B\subset\mathds{R}^{n} com 𝔪∗⁢(A)<+∞\mathfrak{m}^{*}(A)<+\infty ou 𝔪∗⁢(B)<+∞\mathfrak{m}^{*}(B)<+\infty, mostre que:

|𝔪∗⁢(A)−𝔪∗⁢(B)|≤𝔪∗⁢(A△B).\big{|}\mathfrak{m}^{*}(A)-\mathfrak{m}^{*}(B)\big{|}\leq\mathfrak{m}^{*}(A% \bigtriangleup B).
Exercício 1.16.

Seja A⊂ℝnA\subset\mathds{R}^{n} e seja E⊂ℝnE\subset\mathds{R}^{n} um envelope mensurável de AA. Se E′E^{\prime} é um conjunto mensurável tal que A⊂E′⊂EA\subset E^{\prime}\subset E, mostre que E′E^{\prime} também é um envelope mensurável de AA.

Exercício 1.17.

Seja EE um subconjunto de ℝn\mathds{R}^{n}. Mostre que as seguintes condições são equivalentes:

  • (a)
    ​

    EE é Lebesgue mensurável;

  • (b)
    ​

    existem Boreleanos A,M⊂ℝnA,M\subset\mathds{R}^{n} e um subconjunto NN de MM de modo que E=A∪NE=A\cup N e 𝔪⁢(M)=0\mathfrak{m}(M)=0.

Exercício 1.18.

Seja (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida. Dados A,B∈𝒜A,B\in\mathcal{A} com μ⁢(A∩B)<+∞\mu(A\cap B)<+\infty, mostre que:

μ⁢(A∪B)=μ⁢(A)+μ⁢(B)−μ⁢(A∩B).\mu(A\cup B)=\mu(A)+\mu(B)-\mu(A\cap B).
Exercício 1.19.

Seja (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} uma seqüência de conjuntos. Defina:

Bk=Ak∖⋃i=0k−1Ai,B_{k}=A_{k}\setminus\bigcup_{i=0}^{k-1}A_{i},

para todo k≥1k\geq 1, onde A0=∅︀A_{0}=\emptyset. Mostre que os conjuntos (Bk)k≥1(B_{k})_{k\geq 1} são dois a dois disjuntos e que:

⋃k=1∞Ak=⋃k=1∞Bk.\bigcup_{k=1}^{\infty}A_{k}=\bigcup_{k=1}^{\infty}B_{k}.
Exercício 1.20.

Seja (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e seja (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} uma seqüência de elementos de 𝒜\mathcal{A}. Mostre que μ⁢(⋃k=1∞Ak)≤∑k=1∞μ⁢(Ak)\mu\big{(}\bigcup_{k=1}^{\infty}A_{k}\big{)}\leq\sum_{k=1}^{\infty}\mu(A_{k}).

Exercício 1.21.

Seja (X,𝒜,μ)(X,\mathcal{A},\mu) um espaço de medida e seja (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} uma seqüência de elementos de 𝒜\mathcal{A} tal que μ⁢(Ak∩Al)=0\mu(A_{k}\cap A_{l})=0, para todos k,l≥1k,l\geq 1 com k≠lk\neq l. Mostre que μ⁢(⋃k=1∞Ak)=∑k=1∞μ⁢(Ak)\mu\big{(}\bigcup_{k=1}^{\infty}A_{k}\big{)}=\sum_{k=1}^{\infty}\mu(A_{k}).

Exercício 1.22.

Seja XX um conjunto arbitrário.

  • (a)
    ​

    Se (𝒜i)i∈I(\mathcal{A}_{i})_{i\in I} é uma família não vazia de σ\sigma-álgebras de partes de XX, mostre que 𝒜=⋂i∈I𝒜i\mathcal{A}=\bigcap_{i\in I}\mathcal{A}_{i} também é uma σ\sigma-álgebra de partes de XX.

  • (b)
    ​

    Mostre que, fixada uma coleção 𝒞⊂℘⁢(X)\mathcal{C}\subset\wp(X) de partes de XX, existe no máximo uma σ\sigma-álgebra σ⁢[𝒞]\sigma[\mathcal{C}] de partes de XX satisfazendo as propriedades (1) e (2) que aparecem na Definição 1.4.35.

  • (c)
    ​

    Dada uma coleção arbitrária 𝒞⊂℘⁢(X)\mathcal{C}\subset\wp(X) de partes de XX, mostre que a interseção de todas as σ\sigma-álgebras de partes de XX que contém 𝒞\mathcal{C} é uma σ\sigma-álgebra de partes de XX que satisfaz as propriedades (1) e (2) que aparecem na Definição 1.4.35 (note que sempre existe ao menos uma σ\sigma-álgebra de partes de XX contendo 𝒞\mathcal{C}, a saber, ℘⁢(X)\wp(X)).

Exercício 1.23.

Seja XX um conjunto arbitrário e sejam 𝒞1,𝒞2⊂℘⁢(X)\mathcal{C}_{1},\mathcal{C}_{2}\subset\wp(X) coleções arbitrárias de partes de XX. Se 𝒞1⊂σ⁢[𝒞2]\mathcal{C}_{1}\subset\sigma[\mathcal{C}_{2}] e 𝒞2⊂σ⁢[𝒞1]\mathcal{C}_{2}\subset\sigma[\mathcal{C}_{1}], mostre que σ⁢[𝒞1]=σ⁢[𝒞2]\sigma[\mathcal{C}_{1}]=\sigma[\mathcal{C}_{2}].

Exercício 1.24.

Mostre que todo subconjunto de ℝn\mathds{R}^{n} de tipo GδG_{\delta} ou de tipo FσF_{\sigma} é Boreleano.

Exercício 1.25.

Mostre que:

  • (a)
    ​

    a σ\sigma-álgebra de Borel de ℝ\mathds{R} coincide com a σ\sigma-álgebra gerada pelos intervalos da forma ]a,b]\left]a,b\right], com a<ba<b, a,b∈ℝa,b\in\mathds{R};

  • (b)
    ​

    a σ\sigma-álgebra de Borel de ℝ\mathds{R} coincide com a σ\sigma-álgebra gerada pelos intervalos da forma ]−∞,c]\left]-\infty,c\right], c∈ℝc\in\mathds{R}.

Exercício 1.26.

Se II é um intervalo fechado e limitado de comprimento positivo, mostre que o único subconjunto fechado F⊂IF\subset I com 𝔪⁢(F)=|I|\mathfrak{m}(F)=|I| é F=IF=I. Conclua que não existe um subconjunto fechado com interior vazio F⊂IF\subset I tal que 𝔪⁢(F)=|I|\mathfrak{m}(F)=|I| (compare com o Exemplo 1.5.4).

*Exercício 1.27.

Sejam dados conjuntos A⊂ℝmA\subset\mathds{R}^{m}, B⊂ℝnB\subset\mathds{R}^{n}, de modo que A×B⊂ℝm×ℝn≅ℝm+nA\times B\subset\mathds{R}^{m}\times\mathds{R}^{n}\cong\mathds{R}^{m+n}.

  • (a)
    ​

    Mostre que 𝔪∗⁢(A×B)≤𝔪∗⁢(A)⁢𝔪∗⁢(B)\mathfrak{m}^{*}(A\times B)\leq\mathfrak{m}^{*}(A)\mathfrak{m}^{*}(B).

  • (b)
    ​

    Mostre que se AA e BB são mensuráveis então A×BA\times B também é mensurável.

  • (c)
    ​

    Mostre que se AA e BB são mensuráveis então 𝔪⁢(A×B)=𝔪⁢(A)⁢𝔪⁢(B)\mathfrak{m}(A\times B)=\mathfrak{m}(A)\mathfrak{m}(B).

Medida Interior

Exercício 1.28.

Dado A⊂ℝnA\subset\mathds{R}^{n}, mostre que 𝔪∗⁢(A)≤𝔪∗⁢(A)\mathfrak{m}_{*}(A)\leq\mathfrak{m}^{*}(A).

Exercício 1.29.

Mostre que a medida interior de Lebesgue é monotônica, i.e., se A1⊂A2⊂ℝnA_{1}\subset A_{2}\subset\mathds{R}^{n} então 𝔪∗⁢(A1)≤𝔪∗⁢(A2)\mathfrak{m}_{*}(A_{1})\leq\mathfrak{m}_{*}(A_{2}).

Exercício 1.30.

Dado A⊂ℝnA\subset\mathds{R}^{n}, mostre que:

𝔪∗⁢(A)=sup{𝔪⁢(E):E⊂A,E mensurável}.\mathfrak{m}_{*}(A)=\sup\big{\{}\mathfrak{m}(E):E\subset A,\ \text{$E$ mensurá% vel}\big{\}}.

Mais geralmente, mostre que se ℳ′\mathcal{M}^{\prime} é um subconjunto de ℳ⁢(ℝn)\mathcal{M}(\mathds{R}^{n}) que contém todos os subconjuntos compactos de ℝn\mathds{R}^{n} então:

𝔪∗⁢(A)=sup{𝔪⁢(E):E⊂A,E∈ℳ′}.\mathfrak{m}_{*}(A)=\sup\big{\{}\mathfrak{m}(E):E\subset A,\ E\in\mathcal{M}^{% \prime}\big{\}}.
Exercício 1.31.

Dado um subconjunto A⊂ℝnA\subset\mathds{R}^{n}, mostre que existe um subconjunto WW de ℝn\mathds{R}^{n} de tipo FσF_{\sigma} tal que W⊂AW\subset A e 𝔪⁢(W)=𝔪∗⁢(A)\mathfrak{m}(W)=\mathfrak{m}_{*}(A).

Exercício 1.32.

Seja (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} uma seqüência de subconjuntos dois a dois disjuntos de ℝn\mathds{R}^{n}. Mostre que:

𝔪∗⁢(⋃k=1∞Ak)≥∑k=1∞𝔪∗⁢(Ak).\mathfrak{m}_{*}\Big{(}\bigcup_{k=1}^{\infty}A_{k}\Big{)}\geq\sum_{k=1}^{% \infty}\mathfrak{m}_{*}(A_{k}).
Exercício 1.33.

Seja (Ak)k≥1(A_{k})_{k\geq 1} uma seqüência de subconjuntos de ℝn\mathds{R}^{n} tal que Ak↘AA_{k}\searrow A e 𝔪∗⁢(Ak)<+∞\mathfrak{m}_{*}(A_{k})<+\infty para algum k≥1k\geq 1. Mostre que:

𝔪∗⁢(A)=limk→∞𝔪∗⁢(Ak).\mathfrak{m}_{*}(A)=\lim_{k\to\infty}\mathfrak{m}_{*}(A_{k}).

Conjuntos de Cantor

Definição 1.2.

Um subconjunto de ℝn\mathds{R}^{n} é dito magro quando está contido numa reunião enumerável de subconjuntos fechados de ℝn\mathds{R}^{n} com interior vazio.

O famoso Teorema de Baire implica que todo subconjunto magro de ℝn\mathds{R}^{n} tem interior vazio.

Exercício 1.34.

Mostre que:

  • •
    ​

    existe um subconjunto magro e mensurável A⊂[0,1]A\subset[0,1] tal que 𝔪⁢(A)=1\mathfrak{m}(A)=1 (compare com o Exercício 1.26);

  • •
    ​

    se AA é o conjunto do item anterior, mostre que [0,1]∖A[0,1]\setminus A é um conjunto de medida de Lebesgue zero que não é magro.

Exercício 1.35.

Considere o intervalo I=[0,1]I=[0,1] e a seqüência (αi)i≥1(\alpha_{i})_{i\geq 1} definida por:

αi=2i−13i,\alpha_{i}=\frac{2^{i-1}}{3^{i}},

para todo i≥1i\geq 1. O conjunto de Cantor KK associado a II e à seqüência (αi)i≥1(\alpha_{i})_{i\geq 1} é conhecido como o conjunto ternário de Cantor. Mostre que:

  • •
    ​

    𝔪⁢(K)=0\mathfrak{m}(K)=0;

  • •
    ​

    para todo n≥1n\geq 1 e todo ϵ=(ϵ1,…,ϵn)∈{0,1}n\epsilon=(\epsilon_{1},\ldots,\epsilon_{n})\in\{0,1\}^{n} o intervalo I⁢(ϵ)I(\epsilon) é dado por:

    I⁢(ϵ)=[∑i=1n2⁢ϵi3i,13n+∑i=1n2⁢ϵi3i];I(\epsilon)=\Big{[}\sum_{i=1}^{n}\frac{2\epsilon_{i}}{3^{i}},\frac{1}{3^{n}}+% \sum_{i=1}^{n}\frac{2\epsilon_{i}}{3^{i}}\Big{]};
  • •
    ​

    a bijeção ϕ:{0,1}∞→K\phi:\{0,1\}^{\infty}\to K definida em (1.5.6) é dada por:

    ϕ⁢(ϵ)=∑i=1∞2⁢ϵi3i,\phi(\epsilon)=\sum_{i=1}^{\infty}\frac{2\epsilon_{i}}{3^{i}},

    para todo ϵ=(ϵi)i≥1∈{0,1}∞\epsilon=(\epsilon_{i})_{i\geq 1}\in\{0,1\}^{\infty}.

Exercício 1.36.

Considere a relação de ordem lexicográfica no conjunto {0,1}∞\{0,1\}^{\infty}, i.e., para ϵ=(ϵi)i≥1,ϵ′=(ϵi′)i≥1∈{0,1}∞\epsilon=(\epsilon_{i})_{i\geq 1},\epsilon^{\prime}=(\epsilon^{\prime}_{i})_{i% \geq 1}\in\{0,1\}^{\infty} dizemos que ϵ<ϵ′\epsilon<\epsilon^{\prime} quando existe um índice i≥1i\geq 1 tal que (ϵ1,…,ϵi−1)=(ϵ1′,…,ϵi−1′)(\epsilon_{1},\ldots,\epsilon_{i-1})=(\epsilon^{\prime}_{1},\ldots,\epsilon^{% \prime}_{i-1}) e ϵi<ϵi′\epsilon_{i}<\epsilon^{\prime}_{i}. Mostre que a função ϕ:{0,1}∞→K\phi:\{0,1\}^{\infty}\to K definida em (1.5.6) é estritamente crescente, i.e., se ϵ<ϵ′\epsilon<\epsilon^{\prime} então ϕ⁢(ϵ)<ϕ⁢(ϵ′)\phi(\epsilon)<\phi(\epsilon^{\prime}).

Exercício 1.37.

Utilizando a notação da Seção 1.5, mostre que para todo n≥1n\geq 1 e todo ϵ=(ϵi)i=1n∈{0,1}n\epsilon=(\epsilon_{i})_{i=1}^{n}\in\{0,1\}^{n}, a extremidade esquerda do intervalo I⁢(ϵ)I(\epsilon) é ϕ⁢(ϵ1,…,ϵn⁢,0,0,…)\phi(\epsilon_{1},\ldots,\epsilon_{n},0,0,\ldots) e a extremidade direita de I⁢(ϵ)I(\epsilon) é ϕ⁢(ϵ1,…,ϵn⁢,1,1,…)\phi(\epsilon_{1},\ldots,\epsilon_{n},1,1,\ldots).

Conjuntos não Mensuráveis

Exercício 1.38.

Mostre que existe um subconjunto não mensurável AA de ℝn\mathds{R}^{n} tal que 𝔪∗⁢(A)=𝔪∗⁢(A)=+∞\mathfrak{m}_{*}(A)=\mathfrak{m}^{*}(A)=+\infty.