3.7 Princípio de Grandes Desvios

A primeira tarefa nossa será otimizar a estimativa grosseira feita na seção anterior. Essas estimativas são chamadas de estimativas de grandes desvios, pois se referem a probabilidades que a média empírica de XiX_{i} se desvie de sua esperança por um valor constante aa. Futuramente no curso estudaremos as probabilidades de que esse desvio seja de ordem an→0a_{n}\to 0 que são chamados de desvios moderados ou flutuações, dependendo se a probabilidade de desvio converge a zero ou não.

{theorem}

[Princípio de Grandes Desvios - cota superior] Consideramos variáveis aleatórias \iidX1,X2,…X_{1},X_{2},\dots tais que ϕX1⁢(s)<∞\phi_{X_{1}}(s)<\infty, para todo s∈(−δ,δ)s\in(-\delta,\delta). Então, para a>0a>0,

P⁢[X1+⋯+Xn≥(m+a)⁢n]≤\ex−ψX1⁢(m+a)⁢n,P\big{[}X_{1}+\dots+X_{n}\geq\big{(}m+a\big{)}n\big{]}\leq\ex{-\psi_{X_{1}}(m+% a)n}, (3.75)

onde m=E⁢(X1)m=E(X_{1}) e

ψX1⁢(x)=sups≥0{x⁢s−log⁡(ϕX1⁢(s))}\psi_{X_{1}}(x)=\sup_{s\geq 0}\big{\{}xs-\log\big{(}\phi_{X_{1}}(s)\big{)}\big% {\}} (3.76)

é chamada função taxa.

É importante observar que para estimar P⁢[X1+⋯+Xn≤(m−a)⁢n]P\big{[}X_{1}+\dots+X_{n}\leq(m-a)n\big{]}, basta considerarmos Xi′=−XiX^{\prime}_{i}=-X_{i} ao utilizar o teorema acima.

Demonstração.

Já sabemos que, para todo s≥0s\geq 0,

P[X1+⋯+Xn≥(m+a)n]≤ϕX1n(s)\ex−s(m+a)n=\ex⁢log⁡(ϕX1⁢(s))⁢n−s⁢(m+a)⁢n=\ex−((m+a)⁢s−log⁡(ϕX1⁢(s)))⁢n\begin{split}P\big{[}X_{1}&+\dots+X_{n}\geq\big{(}m+a\big{)}n\big{]}\leq\phi_{% X_{1}}^{n}(s)\ex{-s(m+a)n}\\[2.84526pt] &=\ex{\log\big{(}\phi_{X_{1}}(s)\big{)}n-s(m+a)n}\\ &=\ex{-\big{(}(m+a)s-\log\big{(}\phi_{X_{1}}(s)\big{)}\big{)}n}\\ \end{split} (3.77)

O que termina a prova do teorema se tomamos o ínfimo em s≥0s\geq 0. ∎

{exercise}

Calcule ψX⁢(a)\psi_{X}(a) quando XX é distribuída como \Ber⁢(p)\Ber(p), U[0,1]U_{[0,1]} e \Exp⁢(λ)\Exp(\lambda).

{exercise}

Na Nova Caledônia, temos kk habitantes. Seja f:{1,…,k}→{0,1}f:\{1,\dots,k\}\to\{0,1\} uma função que indica a intenção de voto de cada cidadão. Mais precisamente, para cada habitante i∈{1,…,k}i\in\{1,\dots,k\}, se f⁢(i)=0f(i)=0, então ii vota no candidato 0, enquanto se f⁢(i)=1f(i)=1, o cidadão ii vota no candidato 11. Para estimar o número k1=#⁢f−1⁢({1})k_{1}=\#f^{-1}(\{1\}) de pessoas que votam em 11, nós escolhemos variáveis aleatórias YiY_{i} i.i.d. com distribuição uniforme em {1,…,k}\{1,\dots,k\} e queremos estimar

Errn⁢(ϵ)=P⁢[|1n⁢∑i=1nf⁢(Yi)−k1k|>ϵ].\text{Err}_{n}(\epsilon)=P\Big{[}\Big{|}\frac{1}{n}\sum_{i=1}^{n}f(Y_{i})-% \frac{k_{1}}{k}\Big{|}>\epsilon\Big{]}. (3.78)

Sabendo que kk é par e k1=k/2k_{1}=k/2, então

  1.  a)
    ​

    use o método do segundo momento para obter um nn tal que Errn⁢(0.01)<0.02\text{Err}_{n}(0.01)<0.02 e um nn tal que Errn⁢(0.01)<10−12\text{Err}_{n}(0.01)<10^{-12},

  2.  b)
    ​

    use o método do momento exponencial para obter resolver o ítem acima.

Compare os quatro resultados obtidos acima.

Vamos agora tomar um exemplo concreto para análise. Sejam X1,X2,…X_{1},X_{2},\dots variáveis aleatórias \iidcom distribuição \Ber⁢(1/2)\Ber(1/2), donde

ϕX1⁢(s)=12⁢(1+es)eψX1⁢(x)=sups≥0{x⁢s−log⁡(1+es)+log⁡(2)}.\phi_{X_{1}}(s)=\frac{1}{2}(1+e^{s})\quad\text{e}\quad\psi_{X_{1}}(x)=\sup_{s% \geq 0}\{xs-\log(1+e^{s})+\log(2)\}. (3.79)

Um cálculo simples nos mostra que, se x<1x<1, o mínimo acima é atingido no único ponto smax=log⁡(x1−x)s_{\text{max}}=\log(\tfrac{x}{1-x}). Portanto, podemos concluir do Teorema 3.7 que

P⁢[X1+…⁢&+Xn>1/2+a]≤\ex−ψX1⁢(smax)⁢n=exp⁡{−n⁢(b⁢log⁡(b)+(1−b)⁢log⁡(1−b)+log⁡(2))}\begin{split}P[X_{1}+\dots&+X_{n}>1/2+a]\leq\ex{-\psi_{X_{1}}(s_{\text{max}})n% }\\ &=\exp\Big{\{}-n\Big{(}b\log(b)+(1-b)\log(1-b)+\log(2)\Big{)}\Big{\}}\end{split} (3.80)

Note que P⁢[X1+⋯+Xn=n]=2−n=\ex−log⁡(2)⁢n=\ex−ψX1⁢(1−)⁢nP[X_{1}+\dots+X_{n}=n]=2^{-n}=\ex{-\log(2)n}=\ex{-\psi_{X_{1}}(1-)n}. Isso nos dá um forte indício de que talvez nossas cotas superiores não estejam tão longe de ser precisas. Para confirmar essa hipótese, precisamos obter cotas inferiores parecidas.

bb11log⁡(2)\log(2)0ψX⁢(b)\psi_{X}(b)bb110ψX′⁢(b)\psi_{X^{\prime}}(b)log⁡(4/3)\log(4/3)log⁡(4)\log(4)
Figura 3.1: Funções taxa ψX⁢(b)\psi_{X}(b) de uma variável XX com distribuição \Ber⁢(1/2)\Ber(1/2), e ψX′⁢(b)\psi_{X^{\prime}}(b) de uma variável com distribuição \Ber⁢(3/4)\Ber(3/4), para b∈(0,1)b\in(0,1).

Antes de buscar cotas inferiores para as probabilidades de desvio, vamos estabelecer algumas propriedades da função ψX⁢(b)\psi_{X}(b). Primeiramente, quando podemos dizer que o supremo na definição de ψX\psi_{X} é atingido em algum smaxs_{\text{max}}? Certamente, esse nem sempre é o caso, por exemplo se X=mX=m quase certamente, então ϕX⁢(s)=es⁢m\phi_{X}(s)=e^{sm} e o supremo definindo ψX⁢(b)\psi_{X}(b) não é atingido se b≠mb\neq m.

{lemma}

Seja XX uma variável aleatória tal que ϕX⁢(s)<∞\phi_{X}(s)<\infty para todo s∈(−δ,δ)s\in(-\delta,\delta). Supondo a≥0a\geq 0 é tal que P⁢[X>m+a]>0P[X>m+a]>0, então existe smax≥0s_{\text{max}}\geq 0 tal que

ψX⁢(m+a)=(m+a)⁢smax−log⁡(ϕX⁢(smax)).\psi_{X}(m+a)=(m+a)s_{\text{max}}-\log\big{(}\phi_{X}(s_{\text{max}})\big{)}. (3.81)
Demonstração.

Por hipótese, existe x>m+ax>m+a tal que p=P⁢[X≥x]>0p=P[X\geq x]>0, donde ϕX⁢(s)≥p⁢es⁢(m+a)\phi_{X}(s)\geq pe^{s(m+a)}. Dessa forma, (m+a)⁢s−log⁡(ϕX⁢(s))≤(m+a−x)⁢s−log⁡(p)(m+a)s-\log\big{(}\phi_{X}(s)\big{)}\leq(m+a-x)s-\log(p), que converge a menos infinito quando ss diverge. Isso, junto com a continuidade de ϕX\phi_{X} implica a existência do smaxs_{\text{max}} desejado. ∎

{lemma}

Seja XX uma variável aleatória tal que ϕX⁢(s)<∞\phi_{X}(s)<\infty para todo s∈(−δ,δ)s\in(-\delta,\delta). Então o conjunto onde a função ψX⁢(s)\psi_{X}(s) é finita é um intervalo, na qual ψX\psi_{X} é convexa e portanto contínua.

Demonstração.

Primeiramente, supomos que a<ba<b são tais que ψX⁢(a)\psi_{X}(a) e ψX⁢(b)\psi_{X}(b) são finitas. Logo, para todo c∈(a,b)c\in(a,b), temos que a função linear c⁢scs é menor ou igual a a⁢s∨b⁢sas\vee bs, daí

ψX⁢(c)=sups≥0{c⁢s−log⁡(ϕX⁢(s))}≤sups≥0{(a⁢s∨b⁢s)−log⁡(ϕX⁢(s))}≤sups≥0{a⁢s−log⁡(ϕX⁢(s))}∨sups≥0{b⁢s−log⁡(ϕX⁢(s))}<∞.\begin{split}\psi_{X}(c)&=\sup_{s\geq 0}\{cs-\log(\phi_{X}(s))\}\leq\sup_{s% \geq 0}\{(as\vee bs)-\log(\phi_{X}(s))\}\\ &\leq\sup_{s\geq 0}\{as-\log(\phi_{X}(s))\}\vee\sup_{s\geq 0}\{bs-\log(\phi_{X% }(s))\}<\infty.\end{split} (3.82)

Para mostrar que ψX\psi_{X} é convexa, observe que ψX⁢(x)\psi_{X}(x) é dada pelo supremo (para s≥0s\geq 0) das funções afins x↦x⁢s−ψX⁢(s)x\mapsto xs-\psi_{X}(s). Como o supremo de funções convexas é também convexo, obtemos o enunciado do lemma. ∎

{exercise}

Suponha que se ϕX⁢(s)\phi_{X}(s) é finita para todo s∈(−δ,δ)s\in(-\delta,\delta) e mostre que

  1.  a)
    ​

    na definição de ψX⁢(a)\psi_{X}(a), poderíamos tomar o ínfimo em todos s∈ℝs\in\mathbb{R} (ao invéz de s≥0s\geq 0) sem mudar o valor de ψX⁢(a)\psi_{X}(a),

  2.  b)
    ​

    a função ψX⁢(s)\psi_{X}(s) é não negativa, semi-contínua inferior e convexa em seu domínio

  3.  c)
    ​

    ψX⁢(a)\psi_{X}(a) se anula somente em a=0a=0 e ψX\psi_{X} é crescente no seu domínio.

Buscaremos agora cotas inferiores para a probabilidade de obter um grande desvio. Gostaríamos que essas estimativas fossem o mais próximas possíveis das estimativas superiores obtidas acima. Certamente não podemos obter algo como

`⁢`⁢P⁢[X1+⋯+Xn≥(m+a)⁢n]≥exp⁡{−ψX1⁢(a)⁢n}⁢",``P\big{[}X_{1}+\dots+X_{n}\geq\big{(}m+a\big{)}n\big{]}\geq\exp\{-\psi_{X_{1}% }(a)n\}", (3.83)

pois senão isso nos daria uma igualdade o que é impossível, pois perdemos um pouco de precisão ao utilizar a desigualdade de Markov na cota superior.

Contudo, gostaríamos de entender se ao menos o expoente ψX1⁢(a)\psi_{X_{1}}(a) na cota superior também possui algum papel na cota inferior. Isso é confirmado no seguinte resultado.

{theorem}

[Princípio de Grandes Desvios - cota inferior] Sejam X1,X2,…X_{1},X_{2},\dots variáveis aleatórias \iidcom ϕX1⁢(s)<∞\phi_{X_{1}}(s)<\infty, para todo s∈ℝs\in\mathbb{R}. Então, para todo a>0a>0,

lim infn→∞1n⁢log⁡P⁢[X1+⋯+Xn≥(m+a)⁢n]≥−ψX1⁢(m+a),\liminf_{n\to\infty}\frac{1}{n}\log P\big{[}X_{1}+\dots+X_{n}\geq\big{(}m+a% \big{)}n\big{]}\geq-\psi_{X_{1}}(m+a), (3.84)

onde novamente m=E⁢(X1)m=E(X_{1}) e ψX1⁢(x)\psi_{X_{1}}(x) é definida como no Teorema 3.7.

Note que o resultado do teorema acima é mais fraco que o que vemos na equação (3.83), mas mostra que ψX1⁢(a)\psi_{X_{1}}(a) é realmente o expoente correto no decaimento da probabilidade de grandes desvios.

Um corolário dos Teoremas 3.7 e 3.1 é o seguinte

{corollary}

Se X1,X2,…X_{1},X_{2},\dots variáveis aleatórias \iidcom ϕX1⁢(s)<∞\phi_{X_{1}}(s)<\infty, para todo s∈ℝs\in\mathbb{R}, então

limn→∞1n⁢log⁡P⁢[X1+⋯+Xn≥(m+a)⁢n]=−ψX1⁢(m+a).\lim_{n\to\infty}\frac{1}{n}\log P\big{[}X_{1}+\dots+X_{n}\geq\big{(}m+a\big{)% }n\big{]}=-\psi_{X_{1}}(m+a). (3.85)

A idéia da prova é transformar a distribuição de XiX_{i}, usando uma exponencial como derivada de Radon-Nikodim. Essa nova distribuição possuirá esperança maior que m+am+a, de forma que se tomamos a média de variáveis \iidX1′,…,Xn′X^{\prime}_{1},\dots,X^{\prime}_{n} distribuídas dessa forma, obteremos algo que se concentra acima de m+am+a. Finalmente, o preço pago para que as variáveis XiX_{i} se comportem como as Xi′X^{\prime}_{i} será aproximadamente exp⁡{−ψX1⁢(m+a)}\exp\{-\psi_{X_{1}}(m+a)\}, como desejado para nossa cota inferior.

Demonstração.

Primeiramente, consideraremos o caso P⁢[X1≤m+a]=1P[X_{1}\leq m+a]=1, que se assemelha ao caso que analizamos acima (\Ber⁢(1/2)≤1)(\Ber(1/2)\leq 1). Nesse caso, temos

P⁢[X1+⋯+Xn≥(m+a)⁢n]=P⁢[Xi=m+a, para todo i≤n]=P⁢[X1=m+a]n.\begin{split}P\big{[}X_{1}+\dots+X_{n}\geq\big{(}m+a\big{)}n\big{]}&=P[X_{i}=m% +a,\text{ para todo $i\leq n$}]\\ &=P[X_{1}=m+a]^{n}.\end{split}

Donde o limite acima é igual a log⁡(P⁢[X1=m+a])\log(P[X_{1}=m+a]). Mas por outro lado,

−ψX1⁢(m+a)=infs≥0{log⁡(E⁢(\ex⁢s⁢(X1)))−(m+a)⁢s}=infs≥0{log⁡(E⁢(\ex⁢s⁢(X1−m−a)))}≤lim infs→∞log⁡(E⁢(\ex⁢s⁢(X1−m−a)))=log⁡(P⁢[X1=m+a]),\begin{split}-\psi_{X_{1}}(m+a)&=\inf_{s\geq 0}\big{\{}\log\big{(}E(\ex{s(X_{1% })})\big{)}-(m+a)s\big{\}}=\inf_{s\geq 0}\big{\{}\log\big{(}E(\ex{s(X_{1}-m-a)% })\big{)}\big{\}}\\ &\leq\liminf_{s\to\infty}\;\log\big{(}E(\ex{s(X_{1}-m-a)})\big{)}=\log\big{(}P% [X_{1}=m+a]\big{)},\end{split}

pelo Teorema da Convergência Dominada, demonstrando o teorema nesse caso especial.

Suponhamos agora que P⁢[X1>m+a]>0P[X_{1}>m+a]>0, o que implica que para b>m+ab>m+a suficientemente próximo de m+am+a, temos P⁢[X1>b]>0P[X_{1}>b]>0. Observe que basta mostrar que para todo b>ab>a satisfazendo P⁢[X1>b]>0P[X_{1}>b]>0 e para todo δ>0\delta>0, temos

lim infn1n⁢log⁡(P⁢[X1+⋯+Xnn∈(b−δ,b+δ)])≥−ψX1⁢(b),\liminf_{n}\frac{1}{n}\log\Big{(}P\Big{[}\frac{X_{1}+\dots+X_{n}}{n}\in(b-% \delta,b+\delta)\Big{]}\Big{)}\geq-\psi_{X_{1}}(b), (3.86)

pois a função ψX1⁢(x)\psi_{X_{1}}(x) é convexa, portanto contínua.

Vamos definir uma nova distribuição ν\nu com derivada de Radon-Nikodim

ν⋅P⋅X1=1Zσ⁢\ex⁢σ⁢x.\frac{\d{\nu}}{\d{P}_{X_{1}}}=\frac{1}{Z_{\sigma}}\ex{\sigma x}. (3.87)

Observamos primeiramente que o valor de σ\sigma ainda não foi escolhido. Além disso após escolhido σ\sigma, teremos que calcular a constante de normalização ZσZ_{\sigma} de forma que ν\nu seja uma probabilidade.

Escolheremos σ≥0\sigma\geq 0 como no Lema 3.7, isto é, tal que ψX1⁢(b)=b⁢σ−log⁡(ϕX1⁢(σ))\psi_{X_{1}}(b)=b\sigma-\log\big{(}\phi_{X_{1}}(\sigma)\big{)}. Isso nos dá imediatamente que Zσ=E⁢[\ex⁢σ⁢X1]=ϕX1⁢(σ)Z_{\sigma}=E[\ex{\sigma X_{1}}]=\phi_{X_{1}}(\sigma) por definição.

Por diferenciabilidade de ϕX1\phi_{X_{1}}, o máximo deve ser assumido em um ponto de derivada zero para a função ψX1\psi_{X_{1}}, ou seja

b=ϕX1′⁢(σ)ϕX1⁢(σ)⁢=Prop. 3.6⁢E⁢(X⁢\ex⁢σ⁢X)E⁢(\ex⁢σ⁢X)=E⁢(X⁢\ex⁢σ⁢X)Zσ=∫x⁢ν⁢(x⋅).b=\frac{\phi_{X_{1}}^{\prime}(\sigma)}{\phi_{X_{1}}(\sigma)}\overset{\text{% Prop.\leavevmode\nobreak\ \ref{p:propried_phi}}}{=}\frac{E(X\ex{\sigma X})}{E(% \ex{\sigma X})}=\frac{E(X\ex{\sigma X})}{Z_{\sigma}}=\int x\nu(\d{x}). (3.88)

Isso implica que se uma variável aleatória tem distribuição ν\nu, sua esperança é bb. É possível verificar que uma tal variável aleatória X′X^{\prime} satisfaz obrigatoriamente ϕX′⁢(s)<∞\phi_{X^{\prime}}(s)<\infty para todo s≥0s\geq 0, donde X′∈ℒpX^{\prime}\in\mathcal{L}^{p} para todo p>1p>1.

Como prometido, consideramos variáveis X1′,X2′,…X_{1}^{\prime},X_{2}^{\prime},\dots \iidcom distribuição ν\nu. Pela lei fraca dos grandes números, para qualquer δ>0\delta>0,

limnP⁢[X1′+⋯+Xn′n∈(b−δ,b+δ)]=1.\lim_{n}P\Big{[}\frac{X_{1}^{\prime}+\dots+X_{n}^{\prime}}{n}\in(b-\delta,b+% \delta)\Big{]}=1. (3.89)

Finalmente vamos relacionar essa probabilidade à probabilidade definida em termos de XiX_{i}, na qual estamos interessados.

P[X1+⋯+Xnn∈(b−δ,b+δ)]=∫xi;|1n⁢∑i≤nxi−b|<δ⨂i=1n(X1∘P)(x⋅i)=Zσn⁢∫xi;|1n⁢∑i≤nxi−b|<δ\ex−σ⁢∑i=1nxi⁢⨂i=1n(X1′∘P)⁢(x⋅i)≥Zσn⁢exp⁡{−(b+δ)⁢σ⁢n}⁢P⁢[X1′+⋯+Xn′n∈(b−δ,b+δ)].\begin{split}P\Big{[}&\frac{X_{1}+\dots+X_{n}}{n}\in(b-\delta,b+\delta)\Big{]}% =\int_{x_{i};\big{|}\tfrac{1}{n}\sum_{i\leq n}x_{i}-b\big{|}<\delta}\;\;% \bigotimes_{i=1}^{n}(X_{1}\circ P)(\d{x}_{i})\\ &=Z_{\sigma}^{n}\int_{x_{i};\big{|}\tfrac{1}{n}\sum_{i\leq n}x_{i}-b\big{|}<% \delta}\;\;\ex{-\sigma\textstyle{\sum_{i=1}^{n}x_{i}}}\bigotimes_{i=1}^{n}(X_{% 1}^{\prime}\circ P)(\d{x}_{i})\\[5.69054pt] &\geq Z_{\sigma}^{n}\exp\{-(b+\delta)\sigma n\}P\Big{[}\frac{X_{1}^{\prime}+% \dots+X_{n}^{\prime}}{n}\in(b-\delta,b+\delta)\Big{]}.\end{split}

Tomando o logarítmo, dividindo por nn e tomando o liminf quando nn vai a infinito, recuperamos

limn1nlog(P[X1+⋯+Xnn∈(b−δ,b+δ)])≥log(Zσ)−(b+δ)σ=log⁡(ϕX1⁢(σ))−(b+δ)⁢σ=−ψX1⁢(σ)−δ⁢σ.\begin{split}\lim_{n}\frac{1}{n}\log\Big{(}P\Big{[}&\frac{X_{1}+\dots+X_{n}}{n% }\in(b-\delta,b+\delta)\Big{]}\Big{)}\geq\log(Z_{\sigma})-(b+\delta)\sigma\\ &=\log(\phi_{X_{1}}(\sigma))-(b+\delta)\sigma=-\psi_{X_{1}}(\sigma)-\delta% \sigma.\end{split} (3.90)

Como isso vale para todo δ>0\delta>0, provamos (3.86) o que conclui a prova do teorema. ∎

{exercise}

Mostre o Teorema 3.1 no caso em que ϕX1⁢(s)<∞\phi_{X_{1}}(s)<\infty, para todo s∈(−δ,δ)s\in(-\delta,\delta).