7.2 Extremos locais

Definição 7.2.

Considere uma função real ff.

  1. 1.
    ​

    Um ponto x∗∈Dx_{*}\in D é chamado de máximo local de ff se existir um intervalo aberto I∋x∗I\ni x_{*} tal que f⁢(x)≤f⁢(x∗)f(x)\leq f(x_{*}) para todo x∈Ix\in I.

  2. 2.
    ​

    Um ponto x∗∈Dx_{*}\in D é chamado de mínimo local de ff se existir um intervalo aberto I∋x∗I\ni x_{*} tal que f⁢(x)≥f⁢(x∗)f(x)\geq f(x_{*}) para todo x∈Ix\in I.

Figura 7.1: Uma função com um máximo global em x1x_{1} e um máximo local em x2x_{2}.

Observe que um ponto de máximo (resp. mínimo) global, quando pertencente ao interior do domínio, é local ao mesmo tempo. Vejamos agora como que extremos locais podem ser encontrados usando derivada.

Teorema 7.2.

Seja ff uma função com um máximo (resp. mínimo) local em x∗x_{*}. Se ff é derivável em xx, então f′⁢(x∗)=0f^{\prime}(x_{*})=0.

Demonstração.

Seja x∗x_{*} um máximo local (se for mínimo local, a prova é parecida). Isto é, f⁢(x)≤f⁢(x∗)f(x)\leq f(x_{*}) para todo xx suficientemente perto de x∗x_{*}. Como f′⁢(x∗)f^{\prime}(x_{*}) existe por hipótese, podemos escrever f′⁢(x∗)=limx→x∗+f⁢(x)−f⁢(x∗)x−x∗f^{\prime}(x_{*})=\lim_{x\to x_{*}^{+}}\frac{f(x)-f(x_{*})}{x-x_{*}}. Mas aqui x−x∗>0x-x_{*}>0, e como x∗x_{*} é máximo local, f⁢(x)−f⁢(x∗)≤0f(x)-f(x_{*})\leq 0. Portanto, f′⁢(x∗)≤0f^{\prime}(x_{*})\leq 0. Por outro lado, podemos escrever f′⁢(x∗)=limx→x∗−f⁢(x)−f⁢(x∗)x−x∗f^{\prime}(x_{*})=\lim_{x\to x_{*}^{-}}\frac{f(x)-f(x_{*})}{x-x_{*}}. Aqui, x−x∗<0x-x_{*}<0, e f⁢(x)−f⁢(x∗)≤0f(x)-f(x_{*})\leq 0, logo f′⁢(x∗)≥0f^{\prime}(x_{*})\geq 0. Consequentemente, f′⁢(x∗)=0f^{\prime}(x_{*})=0. ∎

O resultado acima permite achar candidatos a pontos de mínimo/máximo local. Vejamos alguns exemplos.

Exemplo 7.6.

Considere f⁢(x)=1−x2f(x)=1-x^{2}, que é obviamente derivável. Logo, sabemos pelo Teorema 7.2 que qualquer extremo local deve anular a derivada. Como f′⁢(x)=−2⁢xf^{\prime}(x)=-2x, e como f′⁢(x)=0f^{\prime}(x)=0 se e somente se x=0x=0, o ponto x=0x=0 é candidato a ser um extremo local. Para determinar se de fato é, estudemos o sinal de f′⁢(x)f^{\prime}(x), e observemos que f′⁢(x)>0f^{\prime}(x)>0 se x<0x<0, f′⁢(x)<0f^{\prime}(x)<0 se x>0x>0. Logo, ff cresce antes de 0, decresce depois: x=0x=0 é um ponto de máximo local:

Observe que podia também calcular f′′⁢(x)=−2f^{\prime\prime}(x)=-2, que é sempre <0<0, o que implica que ff é côncava, logo x=0x=0 só pode ser um máximo local. A posição do máximo local no gráfico de ff é (0,f⁢(0))=(0,1)(0,f(0))=(0,1).

Observação 7.1.

No exemplo anterior, localizamos um ponto onde a primeira derivada é nula, e em seguida usamos o teste da segunda derivada: estudamos o sinal da segunda derivada neste mesmo ponto para determinar se ele é um mínimo ou um máximo local.

Exemplo 7.7.

Considere f⁢(x)=x3f(x)=x^{3}, derivável também. Como f′⁢(x)=3⁢x2f^{\prime}(x)=3x^{2}, x=0x=0 é candidato a ser ponto de mínimo ou máximo local. Ora, vemos que f′⁢(x)≥0f^{\prime}(x)\geq 0 para todo xx, logo f′f^{\prime} não muda de sinal em x=0x=0. Portanto esse ponto não é nem mínimo, nem máximo.

Exemplo 7.8.

A função f⁢(x)=|x|f(x)=|x| possui um mínimo local (que também é global) em x=0x=0. Observe que esse fato não segue do Teorema 7.2, já que ff não é derivável em zero.

Exemplo 7.9.

Considere f⁢(x)=x44−x22f(x)=\frac{x^{4}}{4}-\frac{x^{2}}{2}, que é derivável em todo xx. Como f′⁢(x)=x3−x=x⁢(x2−1)f^{\prime}(x)=x^{3}-x=x(x^{2}-1), as soluções de f′⁢(x)=0f^{\prime}(x)=0 são x=−1x=-1, x=0x=0, x=+1x=+1. A tabela de variação já foi montada no Exercício 6.32. Logo, x=−1x=-1 e x=+1x=+1 são pontos de mínimo local (posições: (−1,f⁢(−1))=(−1,−12)(-1,f(-1))=(-1,-\frac{1}{2}) e (+1,f⁢(+1))=(+1,−12)(+1,f(+1))=(+1,-\frac{1}{2})), e x=0x=0 é máximo local (posição: (0,0)(0,0)).

Exercício 7.2.

Para cada função abaixo (todas são deriváveis), determine os extremos locais (se tiver).

  1. 1.
    ​

    2⁢x3+3⁢x2−12⁢x+52x^{3}+3x^{2}-12x+5

  2. 2.
    ​

    2⁢x3+x2x^{3}+x

  3. 3.
    ​

    x44+x33\frac{x^{4}}{4}+\frac{x^{3}}{3}

  4. 4.
    ​

    x2+1x2+x+1\frac{x^{2}+1}{x^{2}+x+1}

  5. 5.
    ​

    e−x22e^{-\frac{x^{2}}{2}}

  6. 6.
    ​

    x⁢e−xxe^{-x}

  7. 7.
    ​

    x1+x2\frac{x}{1+x^{2}}

  8. 8.
    ​

    xxx^{x}, x>0x>0

  9. 9.
    ​

    x⁢(ln⁡x)2x(\ln x)^{2}, x>0x>0

Exercício 7.3.

Determine os valores dos parâmetros aa e bb para que f⁢(x)=x3+a⁢x2+bf(x)=x^{3}+ax^{2}+b tenha um extremo local posicionado em (−2,1)(-2,1).

Exercício 7.4.

A energia de interação entre dois átomos (ou moléculas) a distância r>0r>0 é modelizado pelo potencial de Lennard-Jones 11 1 Sir John Edward Lennard-Jones (27 de outubro de 1894 – 1 de novembro de 1954).:

V⁢(r)=4⁢ϵ⁢{(σr)12−(σr)6},V(r)=4\epsilon\Big{\{}\big{(}\frac{\sigma}{r}\big{)}^{12}-\big{(}\frac{\sigma}% {r}\big{)}^{6}\Big{\}}\,,

onde ϵ\epsilon e σ\sigma são duas constantes positivas.

  1. 1.
    ​

    Determine a distância r0r_{0} tal que o potencial seja zero.

  2. 2.
    ​

    Determine a distância r∗r_{*} tal que a interação seja mínima. Existe máximo global? Determine a variação e esboce VV.