4.1 Limites limx→±∞f⁢(x)\lim_{x\to\pm\infty}f(x)

A primeira informação que será extraída sobre uma função será o seu comportamento no infinito. Portanto, começaremos estudando os valores de uma função f⁢(x)f(x), quando xx fica arbitrariamente grande e positivo, ou arbitrariamente grande e negativo.

4.1.1 Introdução

Apesar de elementar, o nosso primeiro exemplo será um dos mais importantes, pois ele nós permite introduzir pela primeira vez a ideia de tender a zero.

Exemplo 4.1.

Já montamos o gráfico da função 1x\tfrac{1}{x} no Capítulo 2. Consideremos aqui o que acontece com 1x\frac{1}{x} quando xx toma valores grandes, positivos ou negativos:

Quando xx se afasta da origem, tomando valores grandes e positivos, o que será denotado x→+∞x\to+\infty, vemos que os valores de 1x\tfrac{1}{x} tendem a zero. Para ilustrar isso podemos observar os valores da função quando a variável toma por exemplo os valores x=10x=10, x=100x=100, x=1000x=1000, …:

x=x= 10 100 1000 10’000
1x=\frac{1}{x}= 0.10.1 0.010.01 0.0010.001 0.00010.0001

Na verdade, pegando uma outra seqüência de números, por exemplo x=4x=4, x=8x=8, x=16x=16, x=32x=32, …, observaríamos também que os valores se aproximam de zero. O fato de 1x\frac{1}{x} se aproximar de zero à medida que xx aumenta é obviamente devido ao fato da divisão de 11 por um número grande resultar em um número pequeno.

Vamos ser agora um pouco mais precisos, e render quantitativa a seguinte afirmação: tomar xx grande o suficiente permite tornar 1x\frac{1}{x} arbitrariamente pequeno. Vamos proceder da seguinte maneira. Primeiro escolhamos um número positivo arbitrário, pequeno, que chamaremos de tolerância. Por exemplo: 0.0000020.000002. Em seguida, façamos a pergunta: quão grande xx precisa ser tomado para tornar 1x\frac{1}{x} menor que a tolerância escolhida, isto é

0≤1x≤0.000002?0\leq\frac{1}{x}\leq 0.000002\,\quad? (4.1)

Para responder, basta resolver a desigualdade acima. Multiplicando ambos lados por xx (pode ser feito sem mudar o sentido da desigualdade, já que xx é positivo), e dividindo ambos lados por 0.0000020.000002,

10.000002≤x.\frac{1}{0.000002}\leq x\,.

Como 10.000002=500000\frac{1}{0.000002}=500000, isso significa que qualquer número xx que satisfaz

x≥500000,,x\geq 500000,,

também satisfaz (4.1). Isto é, tomar um número xx qualquer maior ou igual a 50000005000000 garante que a sua imagem (pela função 1x\frac{1}{x}) será contida entre 0 e 0.0000020.000002 (a tolerância que fixamos).

O importante é que o mesmo raciocíno pode ser feito com qualquer tolerância, mesmo muito pequena. Por exemplo, podemos escolher uma tolerância igual a 0.000000001230.00000000123, e verificar que todos os xx grandes, dessa vez x≥813008131x\geq 813008131, satisfazem

0≤1x≤0.00000000123.0\leq\frac{1}{x}\leq 0.00000000123\,.

Vemos que o mesmo argumento funcionará com qualquer tolerância. Logo, em vez de tomar valores particulares para a tolerância, podemos simplesmente dar um nome a ela: ϵ\epsilon. Seja então ϵ>0\epsilon>0 uma tolerância qualquer (subentendido: tão pequena quanto quisermos, mas fixa). Podemos então procurar os x>0x>0 que satisfazem

0≤1x≤ϵ.0\leq\frac{1}{x}\leq\epsilon\,.

Resolvendo essa desigualdade obtemos:

x≥1ϵ.x\geq\tfrac{1}{\epsilon}\,.

O fato de ser possível mostrar que para uma tolerância arbitrariamente pequena, existe sempre um intervalo infinito de valores de xx para os quais a desigualdade 0≤1x≤ϵ0\leq\frac{1}{x}\leq\epsilon é verdadeira é o que define rigorosamente o limite. A seguinte notação costuma ser usada:

limx→+∞1x=0.\boxed{\lim_{x\to+\infty}\frac{1}{x}=0\,.}

Leia-se: o limite de 1x\frac{1}{x}, quando xx tende a +∞+\infty, é igual a 0, ou 1x\frac{1}{x} tende a zero quando xx tende a +∞+\infty. Enfatizemos que isso não significa, de forma alguma, que 1x\tfrac{1}{x} é igual a zero quando xx é grande, mas somente que se aproxima arbitrariamente perto de zero à medida que xx vai crescendo.

Consideremos agora o que acontece com 1x\tfrac{1}{x} quando x→−∞x\to-\infty. Dessa vez a função tende a zero também mas com valores negativos, já que 1x<0\tfrac{1}{x}<0 se x<0x<0 (dê uma olhada na figura do início do exemplo). Logo, gostaríamos de fixar uma tolerância ϵ>0\epsilon>0, e achar os xx que satisfazem

−ϵ≤1x≤0.-\epsilon\leq\frac{1}{x}\leq 0\,.

Desta vez, essa desigualdade é satisfeita para qualquer x≤−1ϵx\leq-\frac{1}{\epsilon}. Escreveremos também:

limx→−∞1x=0.\boxed{\lim_{x\to-\infty}\frac{1}{x}=0\,.}

Poderiamos ter calculado os dois limites de uma vez, x→−∞x\to-\infty e x→+∞x\to+\infty, observando simplesmente que para um ϵ>0\epsilon>0 fixo, é possivel garantir

|1x|≤ϵ\Bigl{|}\frac{1}{x}\Bigr{|}\leq\epsilon

para todo xx a distância maior que 1ϵ\frac{1}{\epsilon} da origem, isto é |x|≥1ϵ|x|\geq\frac{1}{\epsilon}.

O Exemplo 4.1 levou a definir precisamente o que significa 1x\tfrac{1}{x} tender a zero quando x→∞x\to\infty. Podemos agora considerar o caso geral:

Definição 4.1.

Diremos que f⁢(x)f(x) tende a zero quando x→∞x\to\infty se para qualquer tolerância ϵ>0\epsilon>0, é possível garantir que

|f⁢(x)|≤ϵ para todo x>0 suficientemente grande.|f(x)|\leq\epsilon\quad\text{ para todo $x>0$ suficientemente grande.} (4.2)

Escreve-se:

limx→∞f⁢(x)=0.\lim_{x\to\infty}f(x)=0\,.

O valor absoluto foi usado em (4.2), pois f⁢(x)f(x) pode tender a zero sem que o seu sinal seja sempre ≥0\geq 0 ou ≤0\leq 0 (como foi visto no caso de 1x\tfrac{1}{x}). Para ver um caso que em uma função tende a zero com o seu sinal oscilando, veja a figura do Exemplo 4.15 na página 4.15.

Exercício 4.1.

Usando a definição acima, mostre que

limx→∞500x=0,limx→∞9x2=0,limx→∞23−x=0.\lim_{x\to\infty}\frac{500}{x}=0\,,\quad\lim_{x\to\infty}\frac{9}{x^{2}}=0\,,% \quad\lim_{x\to\infty}\frac{2}{3-x}=0\,.
Exemplo 4.2.

Consideremos em seguida o comportamento de

xx+2,quando x→+∞.\frac{x}{x+2}\,,\quad\text{quando $x\to+\infty$}\,.

Para ver o que está acontecendo, calculemos primeiro a função para alguns valores de xx, grandes e positivos:

x=x= 10 100 1000 10’000
xx+2≃\frac{x}{x+2}\simeq 0.83330.8333 0.98030.9803 0.99800.9980 0.99980.9998

Isso parece indicar que xx+2\frac{x}{x+2} se aproxima de 11 quando x→+∞x\to+\infty. Esse fato pode ser observado no traço do gráfico da função (feito com um computador):

Gostaríamos então de dar um sentido ao seguinte símbolo:

limx→∞xx+2=1.\lim_{x\to\infty}\frac{x}{x+2}=1\,. (4.3)

A dificuldade, aqui, é que quando xx toma valores grandes, xx+2\frac{x}{x+2} é uma divisão de dois números grandes, o que representa uma forma de indeterminação (falaremos mais sobre isso depois). No entanto, mostraremos que xx+2\frac{x}{x+2} tende a 11, mostrando que xx+2−1\frac{x}{x+2}-1 tende a zero no sentido da Definição 4.2.

Fixemos uma tolerância ϵ>0\epsilon>0, e procuremos saber se dá para garantir que

|xx+2−1|≤ϵ,\Bigl{|}\frac{x}{x+2}-1\Bigr{|}\leq\epsilon\,, (4.4)

para todo xx suficientemente grande. Comecemos explicitando a diferença:

|xx+2−1|=|−2x+2|=2|x+2|=2x+2.\Bigl{|}\frac{x}{x+2}-1\Bigr{|}=\Bigl{|}\frac{-2}{x+2}\Bigr{|}=\frac{2}{|x+2|}% =\frac{2}{x+2}\,. (4.5)

Os valores absolutos foram removidos na última igualdade, já que xx será tomado grande, positivo, o que implica x+2>0x+2>0. Agora, (4.4) será satisfeita se saber se dá para garantir que

2x+2≤ϵ.\frac{2}{x+2}\leq\epsilon\,.

Resolvendo a desigualdade obtemos:

x≥2ϵ−2.x\geq\frac{2}{\epsilon}-2\,.

Como isso pode ser feito com qualquer tolerância, conseguimos provar (4.3).

Vejamos agora um exemplo em que o comportamento quando x→∞x\to\infty pode ser diferente do comportamento quando x→−∞x\to-\infty.

Exemplo 4.3.

Considere f⁢(x):=|x|x+1f(x){:=}\frac{|x|}{x+1}. Usando a definição do valor absoluto, vemos que essa função é dada por

f⁢(x)={xx+1 se ⁢x≥0,0 se ⁢x=0,−xx+1 se ⁢x<0.f(x)=\begin{cases}\frac{x}{x+1}&\text{ se }x\geq 0\,,\\ 0&\text{ se }x=0\,,\\ \frac{-x}{x+1}&\text{ se }x<0\,.\end{cases}

Logo,

limx→∞f⁢(x)=limx→∞xx+1,\lim_{x\to\infty}f(x)=\lim_{x\to\infty}\frac{x}{x+1}\,,

e é fácil mostrar que esse limite vale 11. Por outro lado,

limx→−∞f⁢(x)=limx→−∞−xx+1,\lim_{x\to-\infty}f(x)=\lim_{x\to-\infty}\frac{-x}{x+1}\,,

e esse limite se calcula facilmente, e é igual a −1-1.

Observação 4.1.

Podemos ver, graças aos gráficos montados acima com um computador, que a existência dos limites limx→±∞f⁢(x)\lim_{x\to\pm\infty}f(x) implica que o gráfico da função se aproxima, longe da origem, de uma reta horizontal (que será chamada de assíntota horizontal). Mas é claro que aprender a esboçar gráficos é um dos objetivos desse curso, então o uso de gráficos até agora deve ser considerado somente como uma ajuda para entender a definição de limite.

Observação 4.2.

Em geral, um limite nem sempre existe. Por exemplo, “limx→∞sen⁡x\lim_{x\to\infty}\operatorname{sen}x” não existe, pois à medida que xx cresce, sen⁡x\operatorname{sen}x oscila em torno de 0, sem tender a nenhum valor. Um limite pode também ser infinito, como veremos mais adiante.

Exercício 4.2.

Explique porque que sen⁡x\operatorname{sen}x não tende a zero quando x→∞x\to\infty no sentido da Definição 4.1. Dica: distinguir os casos ϵ≥1\epsilon\geq 1 e 0<ϵ<10<\epsilon<1.

4.1.2 A definição de limite

Mostramos no Exemplo 4.2 que f⁢(x)=xx+2f(x)=\frac{x}{x+2} tende a 11 quando x→∞x\to\infty, provando que a diferença |xx+2−1||\frac{x}{x+2}-1| se torna sempre menor a medida que xx cresce. Em geral, dizer que os valores de uma função f⁢(x)f(x) se aproximam arbitrariamente perto de um valor ℓ\ell quando xx é grande, é equivalente a dizer que |f⁢(x)−ℓ||f(x)-\ell| se torna arbitrariamente pequeno desde que xx seja grande o suficiente. Em outras palavras,

Definição 4.2.

Diz-se que f⁢(x)f(x) tende a ℓ\ell quando x→∞x\to\infty, e escreve-se

limx→∞f⁢(x)=ℓ,\lim_{x\to\infty}f(x)=\ell\,,

(ou às vezes f⁢(x)→ℓf(x)\to\ell se não tiver ambiguidade) se f⁢(x)−ℓf(x)-\ell tende a zero, isto é se para todo ϵ>0\epsilon>0 (subentendito: arbitrariamente pequeno, mas fixo) existir um NN tal que se x≥Nx\geq N, então

|f⁢(x)−ℓ|≤ϵ.|f(x)-\ell|\leq\epsilon\,.

A definição de limx→−∞f⁢(x)=ℓ\lim_{x\to-\infty}f(x)=\ell é parecida, mas “x≥Nx\geq N” é trocado por “x≤−Nx\leq-N”.

Observação 4.3.

É sempre subentendido, ao escrever “limx→∞f⁢(x)\lim_{x\to\infty}f(x)”, que f⁢(x)f(x) é bem definida para todo xx suficientemente grande.

Observação 4.4.

Em geral, o número NN associado a um ϵ>0\epsilon>0 não é único. De fato, suponha que foi mostrado que para um certo ϵ>0\epsilon>0, existe um N>0N>0 tal que |f⁢(x)−ℓ|≤ϵ|f(x)-\ell|\leq\epsilon para todos os x≥Nx\geq N. Então, definindo por exemplo N′=3⁢NN^{\prime}=3N, a desigualdade |f⁢(x)−ℓ|≤ϵ|f(x)-\ell|\leq\epsilon vale também se x≥N′x\geq N^{\prime}, obviamente. O que importa é ser capaz achar pelo menos um NN, não importa quão grande for.

Exercício 4.3.

Usando o método acima, mostre que

limx→+∞2⁢x−13⁢x+5=23,limx→−∞2⁢x−13⁢x+5=23.\lim_{x\to+\infty}\frac{2x-1}{3x+5}=\frac{2}{3}\,,\quad\lim_{x\to-\infty}\frac% {2x-1}{3x+5}=\frac{2}{3}\,.

Em termos do gráfico de ff, f⁢(x)→ℓf(x)\to\ell deve ser interpretado dizendo que a medida que xx aumenta, a distância entre o gráfico de ff e a reta de equação y=ℓy=\ell tende a zero:

d⁢(f⁢(x),ℓ)→0.d(f(x),\ell)\to 0\,.

Se pelo menos um dos limites limx→∞f⁢(x)\lim_{x\to\infty}f(x), limx→−∞f⁢(x)\lim_{x\to-\infty}f(x), existe e vale ℓ\ell, diz-se então que a reta y=ℓy=\ell é assíntota horizontal de ff. Por exemplo, a função f⁢(x)=xx+2f(x)=\frac{x}{x+2} do Exemplo 4.2 tem uma assíntota horizontal y=1y=1, que descreve o comportamento quando x→−∞x\to-\infty e x→+∞x\to+\infty. A função f⁢(x)=|x|x+1f(x)=\frac{|x|}{x+1} do Exemplo 4.3, por sua vez, tem a assíntota y=−1y=-1 que descreve o comportamento quando x→−∞x\to-\infty, e a assíntota y=+1y=+1 que descreve o comportamento quando x→+∞x\to+\infty.

Exercício 4.4.

Calcule os limites abaixo, usando a Definição 4.2:

  1. 1.
    ​

    limx→±∞x2−15⁢x2\lim_{x\to\pm\infty}\frac{x^{2}-1}{5x^{2}}.

  2. 2.
    ​

    limx→∞f⁢(x)\lim_{x\to\infty}f(x), em que f⁢(x)={−cos⁡x se ⁢x<0,1 se ⁢x≥0.f(x)=\begin{cases}-\cos x&\text{ se }x<0\,,\\ 1&\text{ se }x\geq 0\,.\end{cases}

  3. 3.
    ​

    limx→∞1x3+sen2⁡x\lim_{x\to\infty}\frac{1}{x^{3}+\operatorname{sen}^{2}x}.

Mencionemos algumas propriedades básicas que decorrem da Definição 4.2:

Proposição 4.1.

Suponha que duas funções, ff e gg, possuam limites quando x→∞x\to\infty:

limx→∞f⁢(x)=ℓ1,limx→∞g⁢(x)=ℓ2,\lim_{x\to\infty}f(x)=\ell_{1}\,,\quad\lim_{x\to\infty}g(x)=\ell_{2}\,,

onde ℓ1\ell_{1} e ℓ2\ell_{2} são ambos finitos. Então

limx→∞{f⁢(x)+g⁢(x)}=limx→∞f⁢(x)+limx→∞g⁢(x)=ℓ1+ℓ2,\displaystyle\lim_{x\to\infty}\{f(x)+g(x)\}=\lim_{x\to\infty}f(x)+\lim_{x\to% \infty}g(x)=\ell_{1}+\ell_{2}\,, (4.6)
limx→∞f⁢(x)⁢g⁢(x)=(limx→∞f⁢(x))⋅(limx→∞g⁢(x))=ℓ1⋅ℓ2.\displaystyle\lim_{x\to\infty}f(x)g(x)=\bigl{(}\lim_{x\to\infty}f(x)\bigr{)}% \cdot\bigl{(}\lim_{x\to\infty}g(x)\bigr{)}=\ell_{1}\cdot\ell_{2}\,. (4.7)

Além disso, se ℓ2≠0\ell_{2}\neq 0, então

limx→∞f⁢(x)g⁢(x)=limx→∞f⁢(x)limx→∞g⁢(x)=ℓ1ℓ2.\lim_{x\to\infty}\frac{f(x)}{g(x)}=\frac{\lim_{x\to\infty}f(x)}{\lim_{x\to% \infty}g(x)}=\frac{\ell_{1}}{\ell_{2}}\,. (4.8)

As mesmas propriedades valem no caso x→−∞x\to-\infty.

Demonstração.

Provaremos somente (4.6). Seja ϵ>0\epsilon>0. Definamos ϵ1:=ϵ/2\epsilon_{1}{:=}\epsilon/2. Por definição, limx→∞f⁢(x)=ℓ1\lim_{x\to\infty}f(x)=\ell_{1} implica que existe N1N_{1} tal que se x>N1x>N_{1} então |f⁢(x)−ℓ1|≤ϵ1|f(x)-\ell_{1}|\leq\epsilon_{1}. Por outro lado, se ϵ2:=ϵ/2\epsilon_{2}{:=}\epsilon/2, então limx→∞g⁢(x)=ℓ2\lim_{x\to\infty}g(x)=\ell_{2} implica, por definição, que existe N2N_{2} tal que se x>N2x>N_{2} então |g⁢(x)−ℓ2|≤ϵ2|g(x)-\ell_{2}|\leq\epsilon_{2}. Logo, se xx é maior que N1N_{1} e N2N_{2} ao mesmo tempo, temos

|(f⁢(x)+g⁢(x))−(ℓ1+ℓ2)|\displaystyle\bigl{|}(f(x)+g(x))-(\ell_{1}+\ell_{2})\bigr{|} =|(f⁢(x)−ℓ1)+(g⁢(x)−ℓ2)|\displaystyle=\bigl{|}(f(x)-\ell_{1})+(g(x)-\ell_{2})\bigr{|}
≤|f⁢(x)−ℓ1|+|g⁢(x)−ℓ2|≤ϵ1+ϵ2=ϵ.\displaystyle\leq|f(x)-\ell_{1}|+|g(x)-\ell_{2}|\leq\epsilon_{1}+\epsilon_{2}=% \epsilon\,.

∎

A identidade (4.7) implica em particular que se λ\lambda é uma constante (isto é, um número que não depende de xx), então

limx→∞(λ⁢f⁢(x))=λ⁢limx→∞f⁢(x).\lim_{x\to\infty}(\lambda f(x))=\lambda\lim_{x\to\infty}f(x)\,. (4.9)

A maior parte do tempo não precisaremos passar pelo uso de tolerâncias para calcular limites. Em vez disso, usaremos as propriedades acima, e alguns limites conhecidos, para calcular outros limites mais complicados. Por exemplo, tendo feito o Exercício 4.4, podemos calcular o seguinte limite, usando somente as propriedades básicas da proposição, sem passar pela escolha de tolerâncias arbitrariamente pequenas, etc.:

limx→∞2⁢x2−25⁢x2⁢(x3+sen2⁡x)\displaystyle\lim_{x\to\infty}\frac{2x^{2}-2}{5x^{2}(x^{3}+\operatorname{sen}^% {2}x)} =limx→∞2⋅x2−15⁢x2⋅1x3+sen2⁡x\displaystyle=\lim_{x\to\infty}2\cdot\frac{x^{2}-1}{5x^{2}}\cdot\frac{1}{x^{3}% +\operatorname{sen}^{2}x}
=2⋅{limx→∞x2−15⁢x2}⋅{limx→∞1x3+sen2⁡x}\displaystyle=2\cdot\Bigl{\{}\lim_{x\to\infty}\frac{x^{2}-1}{5x^{2}}\Bigr{\}}% \cdot\Bigl{\{}\lim_{x\to\infty}\frac{1}{x^{3}+\operatorname{sen}^{2}x}\Bigr{\}}
=2⋅15⋅0\displaystyle=2\cdot\tfrac{1}{5}\cdot 0
=0.\displaystyle=0\,.

4.1.3 Limites infinitos

Em geral, uma função qualquer f⁢(x)f(x) não precisa possuir limites no infinito. Isto é, f⁢(x)f(x) pode não se aproximar de nenhum valor finito quando xx toma valores grandes. Por exemplo, já mencionamos que as funções trigonométricas, por serem periódicas, não possuem limites quando x→±∞x\to\pm\infty.

Mas já sabemos que várias funções não-limitadas, como x2x^{2}, tomam valores arbitrariamente grandes ao xx se afastar da origem. Neste caso, o limite não existe no sentido de ser finito. No entanto, gostaríamos de poder escrever:

limx→∞x2=+∞.\lim_{x\to\infty}x^{2}=+\infty\,.

Aqui não se trata de usar tolerâncias, mas de definir precisamente o que significa ultrapassar qualquer valor finito a medida que xx cresce. Por exemplos, f⁢(x)=x2f(x)=x^{2} ultrapassa o valor 100100, a partir de x=10x=10 em diante, isto é para todos os x≥10x\geq 10. Mas ela também ultrapassa o valor 10′⁢00010^{\prime}000, para todos os x≥100x\geq 100, etc.

Definição 4.3.

Diz-se que f⁢(x)f(x) tende a +∞+\infty quando x→∞x\to\infty se para qualquer A>0A>0 (subentendido: arbitrariamente grande, fixo) existe um NN tal que f⁢(x)≥Af(x)\geq A para todo x≥Nx\geq N. Diz-se que f⁢(x)f(x) tende a −∞-\infty quando x→∞x\to\infty se para qualquer A<0A<0 existe um NN tal que f⁢(x)≤Af(x)\leq A para todo x≥Nx\geq N. (Limites infinitos no caso x→−∞x\to-\infty se definem de maneira parecida, trocando “x≥Nx\geq N” por “x≤−Nx\leq-N”.)

Vejamos primeiro alguns exemplos de funções fundamentais que tem limites infinitos.

Começaremos com potências inteiras, xpx^{p}, p>0p>0,

limx→∞xp=+∞,limx→−∞xp={+∞ se p é par,−∞ se p é ímpar.\lim_{x\to\infty}x^{p}=+\infty\,,\quad\lim_{x\to-\infty}x^{p}=\begin{cases}+% \infty&\text{ se $p$ \'{e} par,}\\ -\infty&\text{ se $p$ \'{e} \'{\i}mpar.}\end{cases} (4.10)
Exemplo 4.4.

Calculemos o limite

limx→∞{x2+sen⁡(10⁢x)}.\lim_{x\to\infty}\{x^{2}+\operatorname{sen}(10x)\}\,.

Sabemos que x2x^{2} tende a +∞+\infty, mas que o sen⁡(⋅)\operatorname{sen}(\cdot) não tem limite. No entanto, o sen⁡(10⁢x)\operatorname{sen}(10x) é limitado por 11 em valor absoluto. Logo, parece que a soma acima deve também tender a +∞+\infty. Para provar isso, fixemos um A>0A>0 qualquer. Para mostrar que x2+sen⁡(10⁢x)≥Ax^{2}+\operatorname{sen}(10x)\geq A para todos os xx suficientemente grandes, comecemos observando que sen⁡(10⁢x)≥−1\operatorname{sen}(10x)\geq-1, o que permite escrever (veja a figura abaixo):

x2+sen⁡(10⁢x)≥x2−1x^{2}+\operatorname{sen}(10x)\geq x^{2}-1 (4.11)

Mas, observe que x2−1≥Ax^{2}-1\geq A quando x≥Nx\geq N, onde N=A+1N=\sqrt{A+1}. Agora, é claro que por (4.11) temos também x2+sen⁡(10⁢x)≥Ax^{2}+\operatorname{sen}(10x)\geq A quando x≥Nx\geq N. Como o AA era arbitrário, isso mostra que

limx→∞{x2+sen⁡(10⁢x)}=+∞.\lim_{x\to\infty}\{x^{2}+\operatorname{sen}(10x)\}=+\infty\,.

Vimos que, dependendo da base, as exponenciais e os logaritmos possuem comportamentos diferentes no infinito. Se a base for a>1a>1,

limx→∞ax=+∞,limx→−∞ax=0.\boxed{\lim_{x\to\infty}a^{x}=+\infty\,,\quad\quad\lim_{x\to-\infty}a^{x}=0\,.} (4.12)

Em particular,

limx→∞ex=+∞,limx→−∞ex=0.\boxed{\lim_{x\to\infty}e^{x}=+\infty\,,\quad\quad\lim_{x\to-\infty}e^{x}=0\,.} (4.13)

Por outro lado, se a base for a<1a<1,

limx→∞ax=0,limx→−∞ax=+∞.\boxed{\lim_{x\to\infty}a^{x}=0\,,\quad\quad\lim_{x\to-\infty}a^{x}=+\infty\,.} (4.14)

Os logaritmos, por sua vez,

limx→∞loga⁡x={+∞ se a>1,−∞ se a<1.\boxed{\lim_{x\to\infty}\log_{a}x=\begin{cases}+\infty&\text{ se $a>1$,}\\ -\infty&\text{ se $a<1$.}\end{cases}} (4.15)

Observe que “limx→−∞loga⁡x\lim_{x\to-\infty}\log_{a}x” não faz sentido, já que o domínio de loga\log_{a} é (0,∞)(0,\infty)!

Exercício 4.5.

Mostre que se limx→∞f⁢(x)=±∞\lim_{x\to\infty}f(x)=\pm\infty, então

limx→∞1f⁢(x)=0.\lim_{x\to\infty}\frac{1}{f(x)}=0\,.

A propriedade provada no último exercício permite obter o comportamento no infinito para as potências negativas: x−q=1xqx^{-q}=\tfrac{1}{x^{q}}, com q>0q>0. Como limx→∞xq=+∞\lim_{x\to\infty}x^{q}=+\infty, temos

limx→∞1xq=0.\lim_{x\to\infty}\frac{1}{x^{q}}=0\,.

O limite x→−∞x\to-\infty se calcula da mesma maneira.

Exercício 4.6.

Mostre que

limL→∞1L1−p={0 se ⁢p<1,1 se ⁢p=1,∞ se ⁢p>1.\lim_{L\to\infty}\frac{1}{L^{1-p}}=\begin{cases}0&\text{ se }p<1\,,\\ 1&\text{ se }p=1\,,\\ \infty&\text{ se }p>1\,.\end{cases}

É importante notar que em geral, as propriedades descritas na Proposição 4.1 não se aplicam quando os limites envolvidos são infinitos. Aparece frequentemente de ter que lidar com quocientes f⁢(x)g⁢(x)\frac{f(x)}{g(x)} ou diferenças f⁢(x)−g⁢(x)f(x)-g(x), em que ambos f⁢(x)→∞f(x)\to\infty e g⁢(x)→∞g(x)\to\infty. Neste caso, as identidades da Proposição 4.1 não se aplicam, e um estudo caso a caso é preciso.

Produtos de números grandes

Na propriedade (4.7), insistimos sobre o fato dos dois limites limx→∞f⁢(x)\lim_{x\to\infty}f(x) e limx→∞g⁢(x)\lim_{x\to\infty}g(x) existirem e serem finitos para poder escrever

limx→∞{f⁢(x)⋅g⁢(x)}=(limx→∞f⁢(x))⋅(limx→∞g⁢(x)).\lim_{x\to\infty}\{f(x)\cdot g(x)\}=\bigl{(}\lim_{x\to\infty}f(x)\bigr{)}\cdot% \bigl{(}\lim_{x\to\infty}g(x)\bigr{)}\,. (4.16)

É importante entender que existem casos em que essa relação não pode ser usada.

Considere f⁢(x)=xf(x)=x, g⁢(x)=1xg(x)=\frac{1}{x}. Neste caso, f⁢(x)⁢g⁢(x)=1f(x)g(x)=1, portanto o lado esquerdo de (4.16) é igual a

limx→∞{f⁢(x)⋅g⁢(x)}=limx→∞1=1.\lim_{x\to\infty}\{f(x)\cdot g(x)\}=\lim_{x\to\infty}1=1\,.

Mas o lado direito é igual a

(limx→∞f⁢(x))⋅(limx→∞g⁢(x))=∞⋅0.\bigl{(}\lim_{x\to\infty}f(x)\bigr{)}\cdot\bigl{(}\lim_{x\to\infty}g(x)\bigr{)% }=\infty\cdot 0\,.

Portanto, se (4.16) fosse verdadeira, teríamos

`⁢`⁢1=∞⋅0⁢",``1=\infty\cdot 0"\,,

o que já mostra que há um problema: zero multiplicado por outra coisa dificilmente pode dar 11… Mas, se agora f⁢(x)=2⁢xf(x)=2x, g⁢(x)=1xg(x)=\frac{1}{x}, então f⁢(x)⁢g⁢(x)=2f(x)g(x)=2, e o mesmo raciocíno leva a

`⁢`⁢2=∞⋅0⁢".``2=\infty\cdot 0"\,.

Ou, com f⁢(x)=x2f(x)=x^{2} e g⁢(x)=1xg(x)=\frac{1}{x},

`⁢`⁢∞=∞⋅0⁢".``\infty=\infty\cdot 0"\,.

Sabemos que qualquer número multiplicado por zero dá zero, mesmo se o número for grande:

0⋅10=0,0⋅100=0,0⋅10000000=0, etc.0\cdot 10=0\,,\quad\quad 0\cdot 100=0\,,\quad\quad 0\cdot 10000000=0\,,\quad% \quad\text{ etc.}

Mas os exemplos acima mostram que há um problema com “0⋅∞0\cdot\infty”, e lembram que “∞\infty” não pode ser manuseado como os outros números reais: em geral “0⋅∞0\cdot\infty” não vale zero, e pode valer qualquer coisa. É por isso que será sempre escrito usando aspas. A gente chama “∞⋅0\infty\cdot 0” (ou “0⋅∞0\cdot\infty”) de forma indeterminada.

Em termos de limites, o exemplo acima mostra que não se pode aplicar (4.16) quando um dos limites é infinito e o outro zero. No entanto,

Proposição 4.2.

Se limx→∞f⁢(x)=+∞\lim_{x\to\infty}f(x)=+\infty e limx→∞g⁢(x)=ℓ\lim_{x\to\infty}g(x)=\ell, ℓ≠0\ell\neq 0, então

limx→∞{f⁢(x)⋅g⁢(x)}={+∞ se ⁢ℓ>0,−∞ se ⁢ℓ<0.\lim_{x\to\infty}\{f(x)\cdot g(x)\}=\begin{cases}+\infty&\text{ se }\ell>0\,,% \\ -\infty&\text{ se }\ell<0\,.\\ \end{cases}
Exemplo 4.5.

Por exemplo, já que limx→∞xx+2=1>0\lim_{x\to\infty}\frac{x}{x+2}=1>0 e limx→∞ex=+∞\lim_{x\to\infty}e^{x}=+\infty,

limx→∞x⁢exx+2=limx→∞xx+2⋅ex=+∞.\lim_{x\to\infty}\frac{xe^{x}}{x+2}=\lim_{x\to\infty}\frac{x}{x+2}\cdot e^{x}=% +\infty\,.

Quocientes de números grandes

No Exemplo 4.3 calculamos limx→∞xx+2=1\lim_{x\to\infty}\frac{x}{x+2}=1. Observe que este limite é da forma

limx→∞f⁢(x)g⁢(x),\lim_{x\to\infty}\frac{f(x)}{g(x)}\,,

em que limx→∞f⁢(x)=∞\lim_{x\to\infty}f(x)=\infty e limx→∞g⁢(x)=∞\lim_{x\to\infty}g(x)=\infty. Portanto, podemos dizer que é uma forma indeterminada

`⁢`⁢∞∞⁢".``\frac{\infty}{\infty}"\,.

Em geral, ter uma indeterminação (qualquer que seja) não significa que o limite considerado não existe ou que ele não pode ser calculado, mas que um estudo mais minucioso é necessário. De fato, os exemplos a seguir são todos limites da forma “∞∞\frac{\infty}{\infty}”, mas todos podem ser calculados explicitamente e dar valores diferentes:

limx→∞xx2=0,limx→∞x2x2=1,limx→∞x3x2=∞, etc.\lim_{x\to\infty}\frac{x}{x^{2}}=0\,,\quad\lim_{x\to\infty}\frac{x^{2}}{x^{2}}% =1\,,\quad\lim_{x\to\infty}\frac{x^{3}}{x^{2}}=\infty\,,\,\text{ etc.}
Observação 4.5.

Na verdade as indeterminações da forma “∞∞\frac{\infty}{\infty}” são equivalentes às indeterminações da forma “∞⋅0\infty\cdot 0”. De fato, se limx→∞f⁢(x)g⁢(x)\lim_{x\to\infty}\frac{f(x)}{g(x)} é “∞∞\frac{\infty}{\infty}”, podemos escrever

limx→∞f⁢(x)g⁢(x)=limx→∞{f⁢(x)⋅1g⁢(x)}.\lim_{x\to\infty}\frac{f(x)}{g(x)}=\lim_{x\to\infty}\Bigl{\{}f(x)\cdot\frac{1}% {g(x)}\Bigr{\}}\,.

Como limx→∞f⁢(x)=∞\lim_{x\to\infty}f(x)=\infty e limx→∞1g⁢(x)=0\lim_{x\to\infty}\frac{1}{g(x)}=0, o limite acima é também da forma “∞⋅0\infty\cdot 0”.

No próximos exemplos mostraremos várias técnicas que permitem resolver indeterminações do tipo “∞∞\frac{\infty}{\infty}”. Começaremos com razões de polinômios, em que os polinômios têm o mesmo grau.

Exemplo 4.6.

Calcularemos um limite parecido com o do Exemplo 4.2:

limx→∞3⁢x−5x+2.\lim_{x\to\infty}\frac{3x-5}{x+2}\,.

É fácil mostrar que esse limite é igual a 33, mas paremos para pensar de uma maneira diferente. Na fração acima, quando xx é grande, o numerador 3⁢x−53x-5 e o denominador x+2x+2 são ambos grandes. No entanto quando xx for grande, no numerador o “−5-5” se torna desprezível comparado com o “3x”, e no denominador o “+2+2” se torna desprezível comparado com o “xx”. Portanto, para xx grande, gostaríamos de pensar que

3⁢x−5x+2 pode ser aproximado por 3⁢xx, que (após simplificação) é igual a ⁢3.\frac{3x-5}{x+2}\quad\text{ pode ser aproximado por }\quad\frac{3x}{x}\,,\quad% \text{ que (ap\'{o}s simplifica\c{c}\~{a}o) \'{e} igual a }3\,.

Esse argumento não é perfeitamente rigoroso, mas sugere que o limite é 33. Para tornar ele mais rigoroso, colocamos xx em evidência no denominador, e simplificamos por xx:

3⁢x−5x+2=x⁢(3−5x)x⁢(1+2x)=3−5x1+2x.\frac{3x-5}{x+2}=\frac{x(3-\frac{5}{x})}{x(1+\frac{2}{x})}=\frac{3-\frac{5}{x}% }{1+\frac{2}{x}}\,. (4.17)

Isso é só um outro jeito de reescrever a fração, mas agora observe que quando x→∞x\to\infty, o limite desta última fração não é mais da forma “∞∞\frac{\infty}{\infty}”! Assim, usando (4.17), (4.6) e (4.8):

limx→∞3⁢x−5x+2=limx→∞3−5x1+2x=limx→∞(3−5x)limx→∞(1+2x)=3−01+0=3.\lim_{x\to\infty}\frac{3x-5}{x+2}=\lim_{x\to\infty}\frac{3-\frac{5}{x}}{1+% \frac{2}{x}}=\frac{\lim_{x\to\infty}(3-\frac{5}{x})}{\lim_{x\to\infty}(1+\frac% {2}{x})}=\frac{3-0}{1+0}=3\,.

Neste último exemplo aprendemos a extrair, em uma fração, as partes mais importantes. Vejamos mais um exemplo.

Exemplo 4.7.

Considere

limx→∞x3+1000⁢x2⁢x3+1.\lim_{x\to\infty}\frac{x^{3}+1000x}{2x^{3}+1}\,.

Vemos que tem dois termos de grau 33, um termo de grau 11 e um termo de grau 0 (aquele +1+1). O que importa, aqui, é que no limite x→∞x\to\infty, os termos de grau 33 vão ser os mais importantes. De fato, quando xx for grande, x3x^{3} sendo x⋅x⋅xx\cdot x\cdot x, será muito maior que xx. Logo, vamos extrair os termos de grau 33 no numerador e denominador, simplificar, e usar (4.6)-(4.8):

limx→∞x3+1000⁢x2⁢x3+1=limx→∞x3⁢(1+1000x2)x3⁢(2+1x3)=limx→∞1+1000x22+1x3=limx→∞(1+1000x2)limx→∞(2+1x3)=1+02+0=12.\lim_{x\to\infty}\frac{x^{3}+1000x}{2x^{3}+1}=\lim_{x\to\infty}\frac{x^{3}(1+% \frac{1000}{x^{2}})}{x^{3}(2+\frac{1}{x^{3}})}=\lim_{x\to\infty}\frac{1+\frac{% 1000}{x^{2}}}{2+\frac{1}{x^{3}}}=\frac{\lim_{x\to\infty}(1+\frac{1000}{x^{2}})% }{\lim_{x\to\infty}(2+\frac{1}{x^{3}})}=\frac{1+0}{2+0}=\frac{1}{2}\,.

Extrair os termos de grau maior no numerador e denominador pode ser feito em outras situações, com potências que não são inteiras.

Exemplo 4.8.

Considere

limx→∞x5−x2+12⁢x5+3⁢x.\lim_{x\to\infty}\frac{x^{5}-x^{2}+1}{2x^{5}+3\sqrt{x}}\,.

O limite é da forma “∞∞\frac{\infty}{\infty}”, e a fração contem termos de grau 55, 22, 12\tfrac{1}{2} e 0. Extraindo o termo de grau maior,

x5−x2+12⁢x5+3⁢x=x5⁢(1−1x+1x5)x5⁢(2+3x9/2)=1−1x+1x52+3x9/2,\frac{x^{5}-x^{2}+1}{2x^{5}+3\sqrt{x}}=\frac{x^{5}(1-\frac{1}{x}+\frac{1}{x^{5% }})}{x^{5}(2+\frac{3}{x^{9/2}})}=\frac{1-\frac{1}{x}+\frac{1}{x^{5}}}{2+\frac{% 3}{x^{9/2}}}\,,

o limite do novo quociente não é mais indeterminado. De fato, o novo numerador satisfaz limx→∞(1−1x+1x5)=1−0+0=1\lim_{x\to\infty}(1-\frac{1}{x}+\frac{1}{x^{5}})=1-0+0=1, e o denominador limx→∞(2+3x9/2)=2+0=2\lim_{x\to\infty}(2+\frac{3}{x^{9/2}})=2+0=2, que é diferente de zero. Logo, por (4.8),

limx→∞x5−x2+12⁢x5+3⁢x=limx→∞(1−1x+1x5)limx→∞(2+3x9/2)=12.\lim_{x\to\infty}\frac{x^{5}-x^{2}+1}{2x^{5}+3\sqrt{x}}=\frac{\lim_{x\to\infty% }(1-\frac{1}{x}+\frac{1}{x^{5}})}{\lim_{x\to\infty}(2+\frac{3}{x^{9/2}})}=% \frac{1}{2}\,.

Vejamos agora dois exemplos em que o denominador e o numerador tem graus diferentes.

Exemplo 4.9.

Considere o seguinte limite, da forma “∞∞\frac{\infty}{\infty}”:

limx→∞x+2⁢x21+x4.\lim_{x\to\infty}\frac{x+2x^{2}}{1+x^{4}}\,.

Extraindo os termos de grau maior em cima e em baixo,

x+2⁢x21+x4=x2⁢(2+1x)x4⁢(1+1x4)=1x2⋅2+1x1+1x4\frac{x+2x^{2}}{1+x^{4}}=\frac{x^{2}(2+\frac{1}{x})}{x^{4}(1+\frac{1}{x^{4}})}% =\frac{1}{x^{2}}\cdot\frac{2+\frac{1}{x}}{1+\frac{1}{x^{4}}}

Logo, como limx→∞1x2=0\lim_{x\to\infty}\frac{1}{x^{2}}=0 e limx→∞2+1x1+1x4=2\lim_{x\to\infty}\frac{2+\frac{1}{x}}{1+\frac{1}{x^{4}}}=2, (4.7) implica

limx→∞x+2⁢x21+x4=0⋅2=0.\lim_{x\to\infty}\frac{x+2x^{2}}{1+x^{4}}=0\cdot 2=0\,.
Exemplo 4.10.

Estudemos agora

limx→∞x2+2x+1,\lim_{x\to\infty}\frac{x^{2}+2}{x+1}\,,

que representa também uma indeterminação do tipo “∞∞\frac{\infty}{\infty}”. Mas, pondo os termos de grau 22 em evidência,

x2+2x+1=x2⁢(1+2x2)x⁢(1+1x)=x⋅1+2x21+1x.\frac{x^{2}+2}{x+1}=\frac{x^{2}(1+\frac{2}{x^{2}})}{x(1+\frac{1}{x})}=x\cdot% \frac{1+\frac{2}{x^{2}}}{1+\frac{1}{x}}\,.

Observe agora que o primeiro fator, xx, tende a +∞+\infty, e que o segundo fator, 1+2x21+1x\frac{1+\frac{2}{x^{2}}}{1+\frac{1}{x}}, tende a 11. Logo, pela Proposição 4.2,

limx→∞x2+2x+1=limx→∞x⋅1+2x21+1x=+∞.\lim_{x\to\infty}\frac{x^{2}+2}{x+1}=\lim_{x\to\infty}x\cdot\frac{1+\frac{2}{x% ^{2}}}{1+\frac{1}{x}}=+\infty\,.
Exercício 4.7.

Calcule os limites abaixo, evitando o uso da definição formal. Abaixo, x→±∞x\to\pm\infty significa que são dois limites para calcular: x→+∞x\to+\infty e x→−∞x\to-\infty.

  1. 1.
    ​

    limx→±∞{1x+1x2+1x3}\lim_{x\to\pm\infty}\{\frac{1}{x}+\frac{1}{x^{2}}+\frac{1}{x^{3}}\}

  2. 2.
    ​

    limx→±∞x2−1x2\lim_{x\to\pm\infty}\frac{x^{2}-1}{x^{2}}

  3. 3.
    ​

    limx→±∞1−x2x2−1\lim_{x\to\pm\infty}\frac{1-x^{2}}{x^{2}-1}

  4. 4.
    ​

    limx→±∞2⁢x3+x2+1x3+x\lim_{x\to\pm\infty}\frac{2x^{3}+x^{2}+1}{x^{3}+x}

  5. 5.
    ​

    limx→±∞2⁢x3−2x4+x\lim_{x\to\pm\infty}\frac{2x^{3}-2}{x^{4}+x}

  6. 6.
    ​

    limx→∞1+x4x2+4\lim_{x\to\infty}\frac{1+x^{4}}{x^{2}+4}

  7. 7.
    ​

    limx→±∞x+1x\lim_{x\to\pm\infty}\frac{\sqrt{x+1}}{\sqrt{x}}

  8. 8.
    ​

    limx→±∞4⁢x2+1x\lim_{x\to\pm\infty}\frac{\sqrt{4x^{2}+1}}{x}

  9. 9.
    ​

    limx→∞3⁢x+2x2+3−4\lim_{x\to\infty}\frac{3x+2}{\sqrt{x^{2}+3}-4}

  10. 10.
    ​

    limx→±∞x+x+xx+1\lim_{x\to\pm\infty}\frac{\sqrt{x+\sqrt{x+\sqrt{x}}}}{\sqrt{x+1}}

  11. 11.
    ​

    limx→±∞|x|x2+1\lim_{x\to\pm\infty}\frac{|x|}{x^{2}+1}

  12. 12.
    ​

    limx→±∞x2+1\lim_{x\to\pm\infty}\sqrt{x^{2}+1}

  13. 13.
    ​

    limx→±∞12x\lim_{x\to\pm\infty}\frac{1}{2^{x}}

  14. 14.
    ​

    limx→±∞ex+100e−x−1\lim_{x\to\pm\infty}\frac{e^{x}+100}{e^{-x}-1}

  15. 15.
    ​

    limx→±∞ln⁡(1+x+1x2)\lim_{x\to\pm\infty}\ln(1+\frac{x+1}{x^{2}})

  16. 16.
    ​

    limx→±∞ln⁡(1+ex)x\lim_{x\to\pm\infty}\frac{\ln(1+e^{x})}{x}

  17. 17.
    ​

    limx→±∞e1x\lim_{x\to\pm\infty}e^{\frac{1}{x}}

  18. 18.
    ​

    limx→±∞sen2⁡x\lim_{x\to\pm\infty}\operatorname{sen}^{2}x

  19. 19.
    ​

    limx→±∞arctan⁡x\lim_{x\to\pm\infty}\arctan x

  20. 20.
    ​

    limx→±∞senh⁡x\lim_{x\to\pm\infty}\operatorname{senh}x

  21. 21.
    ​

    limx→±∞cosh⁡x\lim_{x\to\pm\infty}\cosh x

  22. 22.
    ​

    limx→±∞tanh⁡x\lim_{x\to\pm\infty}\tanh x

Exercício 4.8.

Um tempo tt depois de ter pulado do avião, a velocidade vertical de um paraquedista em queda livre é dada por:

V⁢(t)=m⁢gk⁢tanh⁡(g⁢km⁢t),V(t)=\sqrt{\frac{mg}{k}}\tanh\Bigl{(}\sqrt{\frac{gk}{m}}t\Bigr{)}\,,

onde mm é a massa do paraquedista, g=9,81⁢m/s2g=9,81m/s^{2}, e kk é um coeficiente de resistência (atrito) do ar (em k⁢g/mkg/m). Esboce t↦V⁢(t)t\mapsto V(t), e calcule o limite de velocidade VlimV_{\rm lim} (que ele nunca atingirá). Dê uma estimativa de VlimV_{\rm lim} quando m=80⁢k⁢gm=80kg, k=0.1⁢k⁢g/mk=0.1kg/m.

Somas e diferenças de números grandes

Na propriedade (4.6), insistimos sobre o fato dos dois limites limx→∞f⁢(x)\lim_{x\to\infty}f(x) e limx→∞g⁢(x)\lim_{x\to\infty}g(x) serem finitos para poder escrever

limx→∞{f⁢(x)+g⁢(x)}=limx→∞f⁢(x)+limx→∞g⁢(x).\lim_{x\to\infty}\{f(x)+g(x)\}=\lim_{x\to\infty}f(x)+\lim_{x\to\infty}g(x)\,.

Quando os dois limites são infinitos, com o mesmo sinal, então o limite da soma pode também ser calculado:

Exemplo 4.11.

Considere x+x3x+x^{3}. Como limx→∞x=+∞\lim_{x\to\infty}x=+\infty e limx→∞x3=+∞\lim_{x\to\infty}x^{3}=+\infty (aqui, ambos tem o sinal “++”), temos limx→∞{x+x3}=+∞\lim_{x\to\infty}\{x+x^{3}\}=+\infty.

Agora, para estudar limx→∞{f⁢(x)−g⁢(x)}\lim_{x\to\infty}\{f(x)-g(x)\}, com limx→∞f⁢(x)=∞\lim_{x\to\infty}f(x)=\infty e limx→∞g⁢(x)=∞\lim_{x\to\infty}g(x)=\infty, leva a um caso de indeterminação do tipo “∞−∞\infty-\infty”. Vejamos exemplos que ilustram que de fato, “∞−∞\infty-\infty” pode tomar qualquer valor.

Exemplo 4.12.

Considere x3−x2x^{3}-x^{2}, em que limx→∞x3=+∞\lim_{x\to\infty}x^{3}=+\infty e limx→∞x2=+∞\lim_{x\to\infty}x^{2}=+\infty. Como o termo de grau maior deve ser mais importante, escrevamos x3−x2=x3⁢(1−1x)x^{3}-x^{2}=x^{3}(1-\frac{1}{x}). Como x3→∞x^{3}\to\infty e 1−1x→11-\frac{1}{x}\to 1, a Proposição 4.2 garante que

limx→∞{x3−x2}=+∞.\lim_{x\to\infty}\{x^{3}-x^{2}\}=+\infty\,.

O que aconteceu aqui se resume assim: x3x^{3} e x2x^{2} ambos tendem a +∞+\infty, mas x3x^{3} cresce mais rápido que x2x^{2}, e isso implica que a diferença x3−x2x^{3}-x^{2} é regida (quando xx é grande) pelo termo x3x^{3}.

Exemplo 4.13.

A diferença x2−x4x^{2}-x^{4} no limite x→∞x\to\infty pode ser estudada da mesma maneira: x2−x4=x4⁢(1x2−1)x^{2}-x^{4}=x^{4}(\frac{1}{x^{2}}-1), e como x4→∞x^{4}\to\infty, (1x2−1)→−1(\frac{1}{x^{2}}-1)\to-1, temos que x2−x4→−∞x^{2}-x^{4}\to-\infty. Aqui, é o termo −x4-x^{4} que rege o comportamento para xx grande.

Exemplo 4.14.

Considere x+1−x\sqrt{x+1}-\sqrt{x}. Quando x→∞x\to\infty, os dois termos x+1\sqrt{x+1} e x\sqrt{x} tendem a +∞+\infty, mas eles são do mesmo grau. Como calcular o limite dessa diferênça? O método usado aqui consiste em multiplicar e dividir pelo conjugado, isto é, escrever “11” como

1=x+1+xx+1+x.1=\frac{\sqrt{x+1}+\sqrt{x}}{\sqrt{x+1}+\sqrt{x}}\,.

Lembrando que (a−b)⁢(a+b)=a2−b2(a-b)(a+b)=a^{2}-b^{2},

x+1−x=(x+1−x)⁢x+1+xx+1+x=x+12−x2x+1+x=1x+1+x.\sqrt{x+1}-\sqrt{x}=(\sqrt{x+1}-\sqrt{x})\frac{\sqrt{x+1}+\sqrt{x}}{\sqrt{x+1}% +\sqrt{x}}=\frac{\sqrt{x+1}^{2}-\sqrt{x}^{2}}{\sqrt{x+1}+\sqrt{x}}=\frac{1}{% \sqrt{x+1}+\sqrt{x}}\,.

Mas como x+1+x→∞\sqrt{x+1}+\sqrt{x}\to\infty, temos

limx→∞{x+1−x}=limx→∞1x+1+x=0.\lim_{x\to\infty}\{\sqrt{x+1}-\sqrt{x}\}=\lim_{x\to\infty}\frac{1}{\sqrt{x+1}+% \sqrt{x}}=0\,.
Exercício 4.9.

Calcule os limites quando x→∞x\to\infty das seguintes funções.

  1. 1.
    ​

    7−x7-x

  2. 2.
    ​

    1−x\sqrt{1-x}

  3. 3.
    ​

    x+cos⁡xx+\cos x

  4. 4.
    ​

    100⁢x−x2100x-x^{2}

  5. 5.
    ​

    x7−x7x^{7}-x^{7}

  6. 6.
    ​

    x4−12⁢x4x^{4}-\tfrac{1}{2}x^{4}

  7. 7.
    ​

    (x−1)2−x2(x-1)^{2}-x^{2}

  8. 8.
    ​

    x−xx-\sqrt{x}

  9. 9.
    ​

    x2+1−x2−x\sqrt{x^{2}+1}-\sqrt{x^{2}-x}

  10. 10.
    ​

    x2+1−x2−3⁢x\sqrt{x^{2}+1}-\sqrt{x^{2}-3x}

  11. 11.
    ​

    2⁢x−x+1\sqrt{2x}-\sqrt{x+1}

  12. 12.
    ​

    ex−e2⁢xe^{x}-e^{2x}

  13. 13.
    ​

    ln⁡(x)−ln⁡(2⁢x)\ln(x)-\ln(2x)

  14. 14.
    ​

    ln⁡(x)−ln⁡(x+1)\ln(x)-\ln(x+1)

O “sanduiche”

Exemplo 4.15.

Considere o limite limx→∞sen⁡xx\lim_{x\to\infty}\frac{\operatorname{sen}x}{x}. Sabemos que o denominador tende a +∞+\infty, mas sen⁡x\operatorname{sen}x não possui limite quando x→∞x\to\infty. Apesar de tudo, sabemos que sen⁡x\operatorname{sen}x é uma função limitada: para todo xx, −1≤sen⁡x≤+1-1\leq\operatorname{sen}x\leq+1. Portanto, quando x>0x>0,

−1x≤sen⁡xx≤+1x.-\frac{1}{x}\leq\frac{\operatorname{sen}x}{x}\leq+\frac{1}{x}\,.

Mas como a cota superior +1x+\frac{1}{x} tende a zero, e que a cota inferior −1x-\frac{1}{x} também tende a zero, a função sen⁡xx\frac{\operatorname{sen}x}{x} também deve tender a zero:

Esse método vale em geral:

Teorema 4.1.

Suponha que ff, gg e hh seja três funções que satisfazem

g⁢(x)≤f⁢(x)≤h⁢(x), para todo x suficientemente grande.g(x)\leq f(x)\leq h(x)\,,\text{ para todo $x$ suficientemente grande.}

Suponha também que limx→∞g⁢(x)=limx→∞h⁢(x)=ℓ\lim_{x\to\infty}g(x)=\lim_{x\to\infty}h(x)=\ell. Então limx→∞f⁢(x)=ℓ\lim_{x\to\infty}f(x)=\ell.

Exercício 4.10.

Calcule:

  1. 1.
    ​

    limx→∞1+cos⁡(x2+3⁢x)x2\lim_{x\to\infty}\frac{1+\cos(x^{2}+3x)}{x^{2}}

  2. 2.
    ​

    limx→∞x+sen⁡xx−cos⁡x\lim_{x\to\infty}\frac{x+\operatorname{sen}x}{x-\cos x}

  3. 3.
    ​

    limx→∞e−x⁢sen⁡x\lim_{x\to\infty}e^{-x}\operatorname{sen}x

  4. 4.
    ​

    limx→∞x−⌊x⌋x\lim_{x\to\infty}\frac{x-\lfloor x\rfloor}{x}

  5. 5.
    ​

    limx→∞arctan⁡(sen⁡x)ln⁡x\lim_{x\to\infty}\frac{\arctan(\operatorname{sen}x)}{\ln x}

  6. 6.
    ​

    limx→∞{1+sen⁡xx2+4}\lim_{x\to\infty}\bigl{\{}1+\frac{\operatorname{sen}x}{x^{2}+4}\bigr{\}}

Observação 4.6.

Alguns limites no infinito, tais como limx→∞exx\lim_{x\to\infty}\frac{e^{x}}{x} ou limx→∞ln⁡xx\lim_{x\to\infty}\frac{\ln x}{x}, não podem ser calculados com os métodos desenvolvidos até agora; serão estudados mais tarde.